
Ministro das Relações Exteriores da Síria afirma em entrevista que a diplomacia continua possível, apesar dos ataques israelenses e da falta de confiança entre os países.
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Síria e Israel estão tecnicamente em estado de guerra desde 1948. Israel ocupa as Colinas de Golã desde 1967.
A Síria espera que as negociações com Israel sobre um acordo de segurança sejam retomadas em breve, em um acordo que espera que leve à retirada de Israel de território sírio, disse um importante ministro sírio, pedindo que Israel aproveite uma "oportunidade histórica", enquanto a porta para a diplomacia está aberta.
Em uma entrevista à Reuters em Damasco no sábado (22), dias depois de Israel bombardear uma base aérea síria, o ministro das Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani, também destacou que a prioridade de Damasco é interromper os ataques israelenses, dizendo que medidas para construir confiança eram necessárias nessa direção.
Washington tem buscado construir um acordo de segurança entre Israel e o governo do presidente sírio Ahmed al-Sharaa, um novo aliado dos EUA no Oriente Médio, há mais de um ano.
Mas o acordo tem se mostrado difícil de alcançar, enquanto Israel enviou tropas para território sírio e atacou instalações do governo, alegando ameaças à sua segurança.
Shaibani disse que as negociações sobre o acordo de segurança estavam congeladas desde o início da guerra entre Irã e Israel, mas que esperava que fossem retomadas.
O contato entre Síria e Israel foi interrompido após o ataque à base aérea, disse ele.
"Acreditamos que deve haver contato, especialmente com uma parte que ameaça constantemente a segurança da Síria. Mas, se esse contato não trouxer resultados, então não precisamos dele", disse Shaibani.
"Atualmente, não confiamos em Israel."
O gabinete do primeiro-ministro israelense não respondeu a um pedido de comentário.
Sharaa disse que a Síria não representa uma ameaça a outros países, com Damasco concentrada na reconstrução após 14 anos de guerra.
Autoridades israelenses falaram sobre uma série de possíveis perigos na Síria desde que Bashar al-Assad foi derrubado, com alguns descrevendo os novos governantes como jihadistas pouco disfarçados no ano passado, mesmo enquanto Sharaa estabelecia relações estreitas com os EUA.
Nos dias seguintes à queda de Assad, em 2024, Israel tomou território no sudoeste da Síria, citando a necessidade de proteger seus cidadãos contra ataques, e bombardeou dezenas de instalações militares sírias.
"Israel tentou manter sua segurança por meio da força bruta e não conseguiu em lugar nenhum", disse Shaibani. "Acredito que as negociações serão retomadas em breve."
Nenhuma data foi definida.
"Os EUA estão continuamente tentando pressionar Israel a voltar à mesa de diálogo", acrescentou.
Questionado sobre o quanto estava otimista, Shaibani disse: "É muito difícil apostar em Israel". Mas a Síria tinha "uma esperança muito grande" de construir relações estáveis com seus vizinhos.
"A Síria está estendendo a mão para entendimentos, para a paz, para a diplomacia" e para a estabilidade regional.
As tensões sobre a Síria ficaram em evidência na terça-feira (18), quando Israel bombardeou a base aérea de Abu al-Duhur, dizendo que Damasco estava prestes a permitir que forças turcas fossem posicionadas ali. Síria e Turquia negaram a alegação.
Shaibani disse que a Síria respeitava as preocupações de segurança de Israel, mas que Israel deveria respeitar as preocupações da Síria, incluindo o uso de seu espaço aéreo por Israel, os ataques israelenses e as prisões no sul.
Ele disse que, por volta do início do ano, os lados haviam "concordado por escrito com quase tudo" em relação a um acordo de segurança que exigiria que Israel parasse de atacar a Síria e estaria ligado à sua retirada de território tomado depois da queda de Assad.
O acordo incluiria várias zonas de segurança em território sírio perto da fronteira com Israel, incluindo uma zona de amortecimento onde apenas as Nações Unidas estariam presentes, e outras onde forças sírias seriam posicionadas em diferentes níveis de força.
Mas ele disse que Israel havia procurado evitar a implementação, acrescentando: "Não vimos que eles tivessem a vontade real de chegar a um acordo."
Síria e Israel estão tecnicamente em estado de guerra desde 1948. Israel tomou as Colinas de Golã da Síria em uma guerra em 1967.
A prioridade agora é "interromper a agressão israelense mesmo antes de chegar a um acordo de segurança", disse Shaibani. "Então, talvez possamos abrir os temas da paz e do Golã."
O enviado especial dos EUA para a Síria, Tom Barrack, disse na terça-feira que Washington estava trabalhando para estabelecer um mecanismo para impedir conflitos entre Israel, Turquia e Síria.
Shaibani disse que ainda não havia acordo sobre o mecanismo, que, segundo ele, deve interromper os ataques e abrir caminho para o acordo de segurança, em vez de "consolidar ... a ocupação israelense".
O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Shaibani disse que Israel havia bombardeado Abu al-Duhur mesmo depois de a Síria transmitir uma mensagem de que não seria uma base turca.
A Síria conta com o apoio da Turquia para treinamento militar e cooperação, disse ele, observando que esse também era o caso da Jordânia, Arábia Saudita e outros.
Damasco agradece o apoio da Turquia na reconstrução de suas forças armadas, "e não vamos abrir mão do apoio", disse ele.

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