
Polícia Civil investiga o caso e aguarda laudos para identificar produto químico inalado; versões sobre autorização e contratação divergem.
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Bruno Reis dos Santos faleceu no dia 1º em uma obra no bairro Vila Mathias, em Santos, após desmaiar em uma caixa-d'água subterrânea.
Bruno Reis dos Santos, o trabalhador que morreu aos 27 anos após passar mal dentro de uma caixa-d’água subterrânea em uma obra em Santos, no litoral de São Paulo, estava em seu primeiro dia no serviço. A Polícia Civil investiga o caso e aguarda os resultados de laudos para identificar um produto químico que a vítima pode ter inalado no local.
O caso ocorreu na terça-feira (1º), no bairro Vila Mathias. Bruno desmaiou dentro da caixa-d'água e morreu. Outros dois trabalhadores que tentaram ajudá-lo passaram mal, mas foram socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhados para a Santa Casa de Santos. Não havia informações sobre o estado de saúde deles até a última atualização desta reportagem.
Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, a esposa de Bruno, Nádia Cardoso da Silva, relatou que o marido estava animado para o começo no novo serviço.
"Ele saiu tão feliz para trabalhar, era o primeiro dia dele. Primeiro dia de uniforme e tudo, e a gente se depara com isso", disse Nádia.
Conforme registrado em boletim de ocorrência, Bruno havia passado por uma entrevista de emprego dias antes e enviado os documentos necessários para a assinatura do contrato, que aconteceu no último fim de semana.
Em nota, a De.sign Construções e Incorporações SPE Ltda., responsável pela obra, informou que apura as circunstâncias do caso.
Versões diferentes
À polícia, o mestre de obras informou que Bruno e outro trabalhador, que também passou mal, estavam encarregados de limpar uma laje na obra. Segundo ele, a dupla também faria um serviço nas caixas-d’água subterrâneas, mas receberia orientação do técnico de segurança.
O mestre de obras alegou que os dois, sem autorização, foram até uma das caixas lacradas. Pouco depois, ainda segundo o relato, o outro trabalhador voltou ao refeitório para avisar que Bruno estava passando mal.
O colega de Bruno apresentou uma versão diferente. Segundo o relato, o mestre de obras orientou que ele e a vítima limpassem a laje e as caixas-d’água. O profissional afirmou não ter recebido orientação sobre os procedimentos para o serviço, nem máscaras ou equipamento de proteção respiratória.
Ele afirmou ainda que a entrada de uma das estruturas subterrâneas estava lacrada com uma tábua de madeira, que precisou ser quebrada. Ainda de acordo com o relato, Bruno entrou primeiro na caixa e desmaiou. O colega tentou ajudá-lo, mas precisou sair porque não conseguia retirá-lo sozinho. Ao entrar novamente, também passou mal e perdeu a consciência.
Caixas lacradas
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o técnico de segurança do trabalho informou à polícia que as caixas-d’água haviam sido lacradas para evitar riscos de queda e também porque, por permanecerem fechadas, poderiam gerar gases - não especificados. De acordo com ele, a abertura das estruturas deveria ser comunicada antes da realização de qualquer serviço no interior delas.
O profissional afirmou ainda que os dois trabalhadores envolvidos no acidente começaram a atuar na obra sem contratação formal. A engenheira responsável pela documentação confirmou que não havia recebido os documentos do outro trabalhador e que os de Bruno chegaram somente após o acidente.
O mestre de obras declarou que Bruno seria admitido no dia da ocorrência. Já o outro trabalhador, segundo ele, não estava previsto para contratação e havia sido levado por Bruno para trabalhar apenas naquele dia, mediante o pagamento de uma diária.
O que diz a empresa?
Em nota, a De.sign Construções e Incorporações SPE Ltda. lamentou a morte do trabalhador e informou que presta suporte às famílias dos envolvidos.
A empresa afirmou ainda que os outros dois trabalhadores que passaram mal receberam atendimento médico e que está colaborando com as autoridades durante a investigação.
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Divulgação de laudos da Polícia Civil
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