Um dia após liberação, nova decisão da Justiça de SP impede funcionamento da plataforma de apostas Stake no Brasil
Quick Look
- O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) suspendeu a liminar que permitia à plataforma de apostas Stake continuar operando no Brasil até 25 de outubro, atendendo a um pedido da Advocacia-Geral da União.
- A decisão não julga o mérito da ação, mas retira a proteção judicial temporária da empresa, permitindo que o governo execute as restrições da medida provisória que extingue as autorizações das bets.
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Why It Matters
A medida provisória assinada pelo presidente Lula em setembro prevê a extinção das autorizações das plataformas de apostas no Brasil. A Stake obteve uma liminar que permitia sua operação até 25 de outubro, mas a AGU recorreu argumentando assimetria regulatória.
Apostas online. — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A Justiça Federal suspendeu nesta sexta-feira (9) a decisão que permitia à plataforma de apostas Stake continuar operando temporariamente no Brasil até 25 de outubro, apesar da medida provisória do governo federal que prevê a extinção das autorizações das bets. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) atendeu a um pedido da União e derrubou a liminar concedida na quinta-feira (8) pela 9ª Vara Federal Cível de São Paulo.
A decisão desta sexta-feira não julga definitivamente o mérito da ação nem declara a inconstitucionalidade da medida provisória. Ou seja, ela apenas suspende os efeitos da liminar que beneficiava a empresa.
A decisão foi assinada pelo presidente do TRF-3, desembargador federal Luis Antonio Johonsom di Salvo. A suspensão vale até o trânsito em julgado da ação original ou até uma nova deliberação da presidência da corte.
Na quinta-feira (8), a juíza Cristiane Farias Rodrigues dos Santos havia negado o pedido da Stake para continuar operando até 31 de dezembro de 2029, mas autorizado a manutenção provisória das atividades até 25 de outubro. A decisão também impedia que as autoridades considerassem a autorização automaticamente extinta antes dessa data e suspendia bloqueios ao site do cassino online.
A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao tribunal. De acordo com AGU, a liminar criava uma situação desigual no setor, ao permitir que uma única empresa continuasse operando enquanto todas as demais estavam submetidas às restrições da medida provisória.
Ao analisar o caso, o presidente do TRF-3 considerou que a manutenção da autorização da Stake gerava assimetria regulatória, poderia comprometer a aplicação uniforme da política pública e estimular outras empresas a buscar decisões judiciais semelhantes.
O desembargador também citou a proteção dos consumidores e apostadores diante da falta de transparência na mecânica de jogos online massivos.
Entenda o caso
A disputa começou após a edição da Medida Provisória (MP), assinada pelo presidente Lula (PT) em setembro, que prevê a extinção das autorizações para funcionamento das plataformas de apostas alcançadas pela norma.
As bets começaram a deixar de funcionar no Brasil na terça-feira (6). A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como o "Jogo do Tigrinho".
Depois disso, a Stake acionou a Justiça para tentar preservar sua licença federal e suspender os efeitos da MP em relação à empresa. O pedido principal, para continuar operando até o fim de 2029, foi negado.
A magistrada, no entanto, havia concedido parcialmente um pedido alternativo para preservar a autorização até 25 de outubro, mediante regras rígidas de proteção aos usuários e proibição de novas campanhas promocionais.
O que acontece agora
Com a suspensão da liminar, a Stake deixa de contar com a proteção judicial temporária que mantinha seu funcionamento no país. Na prática, a decisão volta a permitir que os órgãos federais executem as medidas de restrição e bloqueio do domínio previstas na medida provisória.
O tribunal determinou a comunicação com urgência à 9ª Vara Federal Cível de São Paulo para ciência do juízo de origem.
O g1 não conseguiu contato, até a última atualização desta reportagem, com os representantes da Stake no Brasil.
Veja o que acontece com o dinheiro, as apostas e as contas após o fim das bets. — Foto: g1
Proibição das bets
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou no dia 25 de setembro, em São Paulo, a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho".
A proibição, feita a nove dias das eleições, foi formalizada em uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta sexta.
🔎As medidas provisórias são editadas pelo governo federal e enviadas ao Congresso Nacional. Para se tornarem leis definitivamente precisam ser votadas em até 120 dias na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Lula também enviou ao Congresso um projeto de lei que estabelece penas para quem explorar, operar ou divulgar as chamadas bets (veja mais detalhes abaixo).
"Eu tomei a decisão de tomar medida dura e drástica necessária. É como câncer, ou tira tumor, ou tumor vai matar a gente. [...] Foi muita briga, foi muita discussão, foi muito vamos fazer aquilo, faz tudo, faz nada, faz pela metade, não. Já que tem que fazer, vamos fazer o que tem que ser feito. Acabar com as bets", disse Lula.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O TRF-3 deverá julgar o mérito da ação nos próximos meses
Likely · Within months
Open Questions
- Qual será o destino final da ação judicial contra a medida provisória?
- A Stake buscará novas medidas para continuar operando?
- Como os usuários da Stake serão afetados pelo bloqueio iminente?





