
Mais de 80 vítimas relatam prejuízos após cancelamento de viagem para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida.
Polícia do RS indicia agência e responsável por estelionato após cancelar excursão religiosa para São Paulo, afetando mais de 80 vítimas e causando prejuízos estimados.
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Excursão religiosa organizada pela JPF Turismo Religioso para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida foi cancelada sem aviso prévio.
Pode passar de 80 o número de vítimas do golpe da agência de turismo da Região Metropolitana de Porto Alegre que vendeu pacotes para uma excursão religiosa com destino ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, que não aconteceu.
Em Canoas, 34 pessoas procuraram a Polícia Civil, que indiciou a empresa JPF Turismo Religioso e o seu responsável, Márcio Flores, pelo crime de estelionato. O inquérito foi remetido ao Poder Judiciário no dia 18 de setembro.
Em nota, a JPF Turismo Religioso informou que passa por dificuldades e que está organizando o reembolso das vítimas o mais breve possível. A empresa declarou atuar há 13 anos no mercado e afirmou que o problema ocorreu apenas nas duas últimas romarias com destino a Aparecida.
Em Novo Hamburgo, a polícia também recebeu denúncias. Já foram identificadas 44 vítimas, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 74 mil. Além de Aparecida, dois casis envolvem viagens internacionais.
Conforme o delegado Tarcísio Lobato Kaltbach, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, a investigação segue em andamento.
"Até o momento, foram identificadas vítimas residentes em Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Araricá, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Canoas e Rolante."
Há também registros apurados pela polícia de Bagé, no sul do estado.
Viagem deveria ter ocorrido em julho
A viagem estava marcada para o dia 27 de julho, mas os dois ônibus previstos nunca chegaram ao local de embarque. A maioria dos passageiros tem mais de 60 anos e é ligada à paróquia Sagrado Coração de Jesus, de Canoas. Alguns fiéis fariam o trajeto para pagar promessas.
"Não houve qualquer explicação, nem anterior nem posterior, e até o dia 18 de setembro, quando foi remetido o inquérito com o indiciamento, ele não fez o pagamento nem o ressarcimento e nem mostrou iniciativa para ressarcir as vítimas", afirmou o delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas.
Relatos das vítimas apontam que muitos não tinham condições de pagar a viagem à vista e precisaram parcelar o valor. Diante do cancelamento sem aviso prévio e da falta de ressarcimento, o caso passou a ser investigado.
Segundo a polícia, mesmo que a viagem não tenha sido planejada inicialmente para causar prejuízo, o organizador assumiu o risco ao perceber que não conseguiria cumprir o compromisso e não avisar os passageiros.
Para evitar situações semelhantes, a polícia orienta a verificação do histórico das agências antes da assinatura de contratos.
"Primeiro, vai contratar uma empresa? Pesquisa no site da Receita Federal, no site oficial, se aquele CNPJ está ativo. Procure o Cadastur, procure o Reclame Aqui para ver se há reclamações em relação àquela empresa ou àquele agente que está sendo contratado. E são as principais ações que alguém que está contratando um serviço tem que tomar", orientou o delegado.
Nota da JPF Turismo Religioso
"A empresa está passando por dificuldades no momento mas estamos vendo para fazer o reembolso o mais breve possível para todos os nossos romeiros, lembrando que a empresa já existe a 13 anos trabalhando exclusivamente com turismo religioso foram mais de 400 romarias para Aparecida nesse tempo e mais de 30 peregrinações para Terra Santa, são mais de 10.000 clientes, a empresa sempre honrou com seus compromissos, infelizmente nessas duas últimas romarias não conseguimos, mas já foram devolvidos os valores para alguns romeiros, vou mandar alguns contatos que já receberam aqui para vocês confirmarem."
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Poder Judiciário avaliará o inquérito remetido pela Polícia Civil.
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