
Iniciativa busca diversificar produção, aumentar renda de famílias e recuperar áreas degradadas no interior do estado.
Agricultores do interior do Piauí cultivam carnaúba integrada com milho, feijão, mandioca, caju e urucum para diversificar renda e recuperar áreas degradadas.
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As Áreas de Eficiência Produtiva e Sustentável foram implantadas no Piauí pelo Projeto Carnaúba e Desenvolvimento Sustentável em parceria com cooperação internacional e empresas.
Agricultores do interior do Piauí estão testando uma nova forma de produzir carnaúba ao cultivar a palmeira junto com milho, feijão, mandioca, caju e urucum. A iniciativa busca diversificar a produção, aumentar a renda das famílias e recuperar áreas degradadas por meio de um sistema integrado de cultivo.
No Piauí, as Áreas de Eficiência Produtiva e Sustentável (AEPS) foram implantadas no Assentamento Estreito, em Piripiri, e no Reassentamento Corredores, em Campo Maior.
No Assentamento Estreito, 12 famílias participam diretamente do projeto. Cada uma cultiva cerca de um hectare com carnaúba e outras espécies de diferentes ciclos produtivos.
Quando o sistema atingir plena produção, a expectativa é que cada hectare gere renda média anual equivalente a oito salários mínimos por família. A estimativa considera a produção conjunta da carnaúba e das demais culturas cultivadas na área.
O modelo foi desenvolvido pelo Projeto Carnaúba e Desenvolvimento Sustentável e implementado por uma empresa federal alemã, em parceria com empresas da cadeia produtiva da cera de carnaúba.
Carnaúba divide espaço com alimentos
A agricultora Maria Francisca de Sousa, de 47 anos, mora no Assentamento Estreito há quase 30 anos e participa da iniciativa. Segundo ela, a extração da carnaúba ocorre principalmente entre outubro e novembro e, dependendo das características da área, podem ser plantadas até 625 mudas por hectare.
Nos demais meses, as famílias cultivam outras espécies para garantir a produção de alimentos. Grande parte é destinada ao consumo da própria família.
“Fora da safra da carnaúba, a gente cultiva o milho, feijão, arroz, mandioca, abóbora e maxixe, mas não dá para comercialização”, contou Maria Francisca.
O projeto também prevê capacitar as comunidades para produzir as próprias mudas. O objetivo é ampliar a autonomia local e reduzir os custos de implantação de novas áreas.
“A gente não tinha esse conhecimento de estar associando várias coisas juntas. Agora estamos empenhados, acreditando que vai dar certo”, afirmou a agricultora.
Parte das mudas utilizadas na implantação foi fornecida por viveiros mantidos por associações, enquanto outra parte foi adquirida de viveiros privados.
Primeiras colheitas já foram realizadas
O trabalho não termina com o plantio das mudas. As famílias recebem acompanhamento técnico para o manejo, a manutenção e o monitoramento das áreas.
O engenheiro agrônomo Rodrigo Diógenes acompanha as oficinas e a implantação do projeto. Segundo ele, a proposta é unir o conhecimento dos agricultores às técnicas desenvolvidas com base em estudos e assistência especializada.
“O acompanhamento continua depois do plantio, com orientações sobre manejo, manutenção e monitoramento. E tudo que fazemos é uma combinação do saber local com conhecimentos científicos e tecnologias agroecológicas, criando soluções adaptadas à realidade do semiárido”, explicou Rodrigo.
Como as culturas possuem diferentes ciclos produtivos, as primeiras colheitas já foram realizadas. Milho e feijão já geraram produção para as famílias. A mandioca deve ser colhida no ano seguinte da plantação. Já frutas como caju, acerola e cajá têm previsão de começar a produzir entre o segundo e o terceiro ano.
No caso da carnaúba, o primeiro corte está previsto para o quarto ano de cultivo.
Projeto prevê expansão para novas comunidades
A primeira fase do projeto foi realizada entre 2021 e 2024. Nesse período, mais de 4 mil trabalhadores e produtores participaram de treinamentos em 39 municípios. Também foram distribuídos kits de equipamentos de proteção individual e oferecidas assistências técnica, jurídica e contábil às comunidades atendidas.
A segunda fase começou em março de 2025 e deve seguir até fevereiro de 2028. A proposta é ampliar as ações em áreas produtoras de carnaúba no Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão.
"Um dos principais objetivos do projeto é que a AEPS funcione como uma área demonstrativa e multiplicadora. A proposta é permitir que outras comunidades conheçam o modelo, acompanhem seus resultados e possam replicá-lo em novas áreas do Piauí", disse o engenheiro agrônomo Rodrigo Diógenes.
Entre as metas estão a implantação de três novas AEPS, o atendimento a pelo menos 15 comunidades e o apoio a nove propriedades de referência.
AI outlook — possibilities, not facts
Expansão de ações em áreas produtoras de carnaúba no Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão até fevereiro de 2028.
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