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Brics adota resolução genérica sobre paz no Oriente Médio em cúpula na Índia
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Folha Mundo1 hour agoPolitics3 min readBrazilView translation

Brics adota resolução genérica sobre paz no Oriente Médio em cúpula na Índia

Grupo evita citar beligerantes em declaração final, refletindo divergências internas e a busca por equilíbrio estratégico entre seus membros.

Quick Look

  • Na 18ª reunião anual do Brics em Nova Déli, o grupo adotou uma resolução genérica sobre o conflito no Oriente Médio.
  • Apesar dos apelos de Xi Jinping por protagonismo, divergências internas impediram menções diretas a Irã, Israel ou EUA.

AI-generated summary

Why It Matters

O Brics expandiu-se de 4 para 10 membros entre 2009 e 2026. A organização busca desafiar a hegemonia ocidental, mas enfrenta divisões internas sobre o papel da China e da Índia.

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Apesar dos pedidos do líder chinês Xi Jinping para que o Brics assuma um papel de protagonista na paz do Oriente Médio, o grupo integrado por Brasil e outros países adotou neste sábado (12) uma resolução apenas genérica acerca da paz na região conflagrada.

O texto final da 18ª reunião anual do grupo, realizada em Nova Déli (Índia), afirmou que seus membros expressam "profunda preocupação" com o conflito, pediu "máxima contenção" dos envolvidos e "uma abordagem multilateral" pela paz.

Nenhuma palavra sobre os beligerantes: Estados Unidos, Israel e Irã, nem sobre os outros 13 países da região afetados pela guerra iniciada por Donald Trump em 28 de fevereiro e ainda inconclusa.

Um dos motivos era a presença de dois deles à mesa: Irã e Emirados Árabes Unidos, principal alvo da retaliação de Teerã contra aliados americanos no Golfo Pérsico. Nesse sentido, a existência de uma declaração unânime ainda que sem assinaturas foi uma vitória do anfitrião, o premiê Narendra Modi.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se encontrou com o enviado emirati, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, às margens da cúpula.

O primeiro-ministro indiano também pôde mostrar uma nova fotografia com o russo Vladimir Putin e Xi, todos de mãos dadas, repetindo a dose do encontro entre os três em setembro de 2025 na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, na China.

Naquele momento, a imagem simbolizava o desafio do trio às políticas dos EUA sob Trump. Agora, cada país tem tido uma abordagem própria em relação ao americano, baseada em seus interesses.

O texto também repetiu críticas já feitas antes pelo Brics a sanções unilaterais, uma mesura à fundadora do grupo Rússia, punida no Ocidente pela Guerra da Ucrânia, e às guerras tarifárias que marcam a segunda gestão Trump. Sem nomes citados.

O tom pouco específico reflete as discrepâncias internas do Brics, que começou em 2009 com 4 membros e chega a 2026 com 10, 5 deles integrados na grande expansão promovida por Xi em 2023 para tentar elevar o status internacional da organização.

Na prática, as divergências ficaram mais explícitas. Com efeito, após não ter sido acertada uma nova expansão em 2024 na Rússia, o encontro de 2025 no Brasil foi esvaziado. Nesta edição indiana, foi a vez de Lula (PT) não aparecer, no caso por causa da campanha eleitoral.

Mesmo no questionamento da hegemonia ocidental, função primária do Brics, não há concordância. A Índia, por exemplo, não quer ver a rival China tornar-se sozinha o polo oposto aos EUA na Guerra Fria 2.0 em curso, e tem boa relação tanto com Washington como com Moscou.

Nessa cúpula, o destaque ficou justamente pela presença de Xi pela primeira vez em sete anos na Índia.

Ele já havia se encontrado antes com Modi, mas o premiê tem trabalhado para montar uma rede de aliados no Indo-Pacífico que possam, na teoria, ameaçar as rotas comerciais chinesas em caso de escalada de tensões.

Os dois países, detentores de armas nucleares, tiveram escaramuças fronteiriças nos últimos anos, e a visita de Xi serve para reduzir tais tensões. No encontro com Modi, pediu para que ambos os países unam forças para promover estabilidade estratégica global.

Além da questão indiana, o líder chinês também buscou avançar seu domínio presumido no Brics em discurso neste sábado. Nele, exortou o grupo a tornar-se mediador das guerras no Oriente Médio, um papel que na prática ele quer para a China.

Na semana passada, Xi esteve no Egito, e declarou apoio ao pacto militar entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão. A união é uma resultante inédita da agressividade do Irã, da falta de confiança no apoio dos EUA e do temor pelo crescimento do poderio de Israel.

Ao fim, o chinês falou por si, a julgar pelo tom do comunicado final. Mas o recado foi dado.

Open Questions

  • Como o Brics pretende mediar conflitos sem consenso interno?
  • Qual será o impacto real da visita de Xi na fronteira sino-indiana?

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This article was originally published by Folha Mundo.

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