Cadillac avaliado em mais de R$ 2 milhões é apreendido na casa de policial civil preso em operação da PF
Investigação aponta esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, agentes públicos e políticos
Quick Look
A 8ª fase da Operação Unha e Carne prendeu seis pessoas, incluindo o deputado estadual Márcio Canella e ex-secretários da Polícia Civil, por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção em um esquema que movimentou R$ 7,6 bilhões.
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Why It Matters
A Operação Unha e Carne investiga conexões entre agentes públicos e grupos criminosos no Rio de Janeiro desde dezembro de 2025. O grupo é suspeito de movimentar R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Entre os bens apreendidos pela Polícia Federal na 8ª fase da Operação Unha e Carne está um Cadillac Escalade, carro de luxo avaliado em R$ 2,3 milhões nos modelos mais novos. As investigações mostram que o veículo pertence ao policial civil José Carlos Alves de Souza Júnior e foi levado para o pátio da sede da PF, na Zona Portuária do Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, Júnior, como é conhecido, não aparecia formalmente como sócio ou administrador da maior parte das empresas envolvidas no esquema que usava 96 postos de combustíveis no Grande Rio e na Região dos Lagos para lavar dinheiro. Apesar disso, os investigadores afirmam que ele exercia o controle de fato sobre parte da estrutura econômica do grupo.
A investigação aponta ainda que o policial usava a mulher como laranja e participava da distribuição de recursos entre integrantes do grupo e agentes públicos.
Júnior também é acusado pelos investigadores de ameaçar um ex-sócio que cobrava valores investidos.
Mais cedo, agentes da Polícia Federal encontraram dinheiro dentro de uma adega no apartamento do policial.
Além de José Carlos, outras cinco pessoas foram presas na operação, entre elas Márcio Canella, deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil. As investigações apontam a participação de agentes públicos e a existência de articulação política no esquema.
Outros três inspetores da Polícia Civil também foram presos: Christiano Gaspar Fernandes, que também é secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo; Giovanni Gaspar Fernandes; e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais investigados.
“Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido”, declarou Márcio Canella sobre a operação.
A defesa de Amim informou que não vai se pronunciar até ter acesso aos autos. A TV Globo tenta contato com os demais investigados.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um desdobramento da sexta fase da operação, realizada em julho.
Naquela etapa, Canella e Amim foram alvos de buscas em uma investigação sobre 96 postos de combustíveis. Segundo a apuração, o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos. As investigações começaram a partir de um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Canella é apontado pela PF como o articulador do grupo criminoso. Ele e Amim são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes.
Nesta quinta-feira, a PF saiu para cumprir os seis mandados de prisão e outros 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.
Moraes também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas — a maioria, postos de combustíveis.
O que é a Operação Unha e Carne
A operação começou em dezembro de 2025 para investigar conexões entre agentes públicos e grupos criminosos no Rio. Inicialmente, o foco era o suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho.
Ao longo das oito fases, as apurações passaram a alcançar suspeitas de corrupção, fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro.
A ação desta quinta está inserida no contexto da decisão do STF na ADPF das Favelas, que determinou, entre outras medidas, que a PF investigasse relações de agentes públicos com facções criminosas.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Continuidade das investigações sobre os 112 postos de combustíveis.
Very likely · Within months
Open Questions
- Qual será o destino das empresas suspensas?
- Haverá novas prisões na investigação?




