
Após cinco anos na fila de espera por um transplante de rim e sessões de hemodiálise, cinegrafista ganha esperança com a possibilidade de receber um rim do irmão.
Após cinco anos na fila por um transplante renal e diversas cirurgias, o cinegrafista Albanir Sampaio recupera a esperança com a possibilidade de receber um rim de seu irmão, Ailton Sampaio, que se voluntariou para a doação no Acre.
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Albanir Sampaio foi diagnosticado com nefropatia por IGA, enfrentando anos de hemodiálise e espera por transplante renal.
Após 5 anos na fila a espera de um transplante, uma nova notícia, entretanto, trouxe esperança para vida do cinegrafista: o irmão Ailton Sampaio passa por avaliações para verificar se pode doador um rim para ele.
Atualmente, Albanir está afastado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e faz hemodiálise três vezes por semana. Ao longo da trajetória com a doença, ele também precisou passar por mais de 12 cirurgias e procedimentos relacionados aos acessos utilizados durante o tratamento, entre cateteres e fístulas.
“Ficamos privados de muita coisa. A hemodiálise deixa a gente fraco, o tempo vai passando e vamos ficando mais debilitados. E os procedimentos também, muito procedimento de colocar cateter, tirar cateter. Eu gostava muito de jogar futebol, agora fico só observando pela TV. A gente vai tentando, levando a vida da melhor forma possível”, disse.
O diagnóstico de Albanir veio depois que descobriu que seus rins já apresentavam perda significativa da função. Com o passar dos anos, a doença avançou e o tratamento tornou-se parte permanente da rotina.
“No início é um impacto que a gente sente ali. A doutora chega e dizer que você está perdendo a função do rins, que tem apenas 48% e que já é uma doença crônica. E aí, ao longo do tempo, a gente vai fazendo ali os tratamentos. Mas, com a Covid e outros problemas, foi diminuindo a porcentagem”, explicou.
Além do impacto com o diagnóstico, Albanir conta que a necessidade de se preparar para a hemodiálise também trouxe um processo de adaptação emocional.
“Nesse período, a gente vai tentando amadurecer o máximo possível para tentar, na hora que chegar para fazer uma hemodiálise, um tratamento mais [doloroso ou complexo], já entender como funciona. Porque não é fácil”, afirmou.
O cinegrafista também precisou lidar, além das limitações causadas pelo tratamento, com a espera de um transplante. Com a demora na fila do Acre, ele decidiu ir para Porto Alegre, onde passou quatro anos aguardando na fila por um órgão, mas não conseguiu fazer o procedimento naquele período.
“Foi um período extremamente doloroso. [...] Eu já estava há muito tempo lá esperando. Longe da minha família, longe do meu filho pequeno. E aí foi crucial. Eu decidi voltar para casa, ficar perto dos meus filhos, perto da minha esposa, perto dos meus pais e irmãos”, detalhou.
De volta ao Acre em 2025, Albanir afirma que passou a considerar a possibilidade de um transplante entre pessoas vivas. O irmão dele, Ailton Sampaio, de 33 anos, se dispôs a fazer os exames necessários para verificar a compatibilidade e a possibilidade de doação.
O ato emocionou Albanir, principalmente pela disposição do irmão em seguir com o processo. Para ele, esse momento trouxe união para os dois e acredita que a tendência é aumentar ainda mais.
“Eu fiquei emocionado, porque ele sempre quis, sempre, sempre. E, em momento nenhum, ele sentiu dúvida. Até nos exames e tudo, que a gente tem acompanhamento de perto, eu e ele junto, porque agora somos um só. [...] É extremamente gratificante a gente ter uma pessoa do lado que, na hora que você mais precisa, pode contar com ela”, disse.
Para Ailton, irmão de Albanir, a iniciativa de doar o ruim surgiu assim que o diganóstico foi dado e quando percebeu o quão grave era a situação. Contudo, Albanir não quis de imediato tentar devido ao medo de haver alguma complicação com a cirurgia.
"Tenho uma vida muito ativa, jogo futebol, trabalho na zona rural, mexo com gado, cavalo. E ele tinha esse receio de eu não ter essa vida que levo hoje, depois que fizesse essa doação. Ele viajou pra Porto Alegre, passou quase 4 anos lá na fila de transplante e não teve nenhum rim ofertado. Então, voltou para Rio Branco e a gente começou a pensar na possibilidade. Desde o início tive a prontidão de fazer doação", disse.
Segundo Ailton, o processo para fazer a doação do órgão está bem encaminhado, além de fazer os exames necesários para o procedimento. "Precisamos saber como que está o corpo, como está o funcionamento, se não tem alguma doença que possa se agravar com a doação do rim. Então, a gente faz um check-up geral", acrescentou.
Albanir conta que ainda não há uma data definida para o transplante. O procedimento depende, de acordo com ele, da conclusão dos exames e avaliações médicas que vão determinar se o transplante poderá ser feito.
Para Ailton, a doação siginifica muito, principalmente por acompanhar a rotina e luta de Albanir desde o diganóstico. De acordo com ele, o propósito é conseguir ajudar o irmão de qualquer forma.
"O significado da doação de rins, principalmente com um ente querido, é de dar a vida que ele precisa. Acompanhamos desde o início, vemos o sofrimento de fazer hemodiálise [...]. Já são anos nessa luta e quero de qualquer forma poder ajudar. E a melhor maneira seria com a doação. Fizemos os exames, sou compatível, desde o início eu tinha quase certeza que seria e estamos aí nessa peleja, se Deus quiser vai dar tudo certo", afirmou.
Enquanto aguarda, Albanir mantém uma rotina limitada pelo tratamento, mas procura aproveitar o tempo com a família.
“No geral, eu tento aproveitar a vida da melhor forma possível, ter mais tempo para estudar, para cuidar de casa, da esposa, do filho. [...] Minha vida é resumida a isso, aos tratamentos semanais, três vezes por semana no período do terceiro turno”, descreveu.
Para o cinegrafista, o transplante representa mais do que a possibilidade de deixar a hemodiálise. É a perspectiva de recuperar parte da autonomia, retomar projetos e ter mais tempo ao lado da família depois de anos convivendo com as limitações impostas pela doença.
“O transplante é muito importante para mim porque representa um recomeço. Não significa simplesmente deixar de fazer hemodiálise; significa ter a oportunidade de viver com mais qualidade, retomar projetos, passar mais tempo com minha família e olhar para o futuro de uma maneira diferente”, afirmou.
Embora ainda existam etapas a serem cumpridas, o cinegrafista mantém a esperança de que a espera finalmente possa chegar ao fim.
“Foram muitos anos de luta, mas continuo acreditando que essa história ainda pode ter um novo capítulo. Hoje, minha esperança está justamente nessa possibilidade de transplante e na generosidade do meu irmão, que está disposto a seguir essa caminhada comigo. Eu sei que ainda existem etapas pela frente, mas sigo confiante, com fé em Deus e acreditando que, quando chegar o momento certo, essa nova oportunidade vai acontecer”, finalizou.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) para verificar quantos transplantes foram feitos no estado e quantas pessoas aguardam na fila de espera.
Conforme os dados da Central Estadual de Transplantes, o Acre realizou 34 transplantes em 2026. Desse total, foram 20 de córnea, nove de fígado, três renais e dois de tecido musculoesquelético.
Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), atualmente, 263 pacientes aguardam por transplantes no estado. São 191 pessoas na fila por córnea, 51 por rim e 21 por fígado.
De acordo com a Sesacre, um dos principais desafios enfrentados é ampliar a doação de órgãos. Apesar da abertura de protocolos de morte encefálica ao longo do ano, apenas uma família autorizou a doação de órgãos.
Ainda de acordo com a secretaria, também foram registradas três doações de córneas de pacientes encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) após mortes provocadas por causas como traumas e acidentes.
A pasta também reforça a importância de conversar sobre a doação de órgãos dentro de casa. Conforme a Sesacre, a autorização da família é necessária para que a doação seja efetivada e pode representar uma nova possibilidade para pacientes que aguardam por um transplante.
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