
Pesquisa publicada na revista Nature Microbiology detalha como cerca de 6 mil genomas microbianos podem contribuir para tecnologias sustentáveis.
Estudo do CNPEM em Campinas (SP), publicado na Nature Microbiology, revelou mais de 6 mil genomas microbianos e enzimas inéditas no intestino de peixes-boi, com potencial para biocombustíveis, bioinsumos e remédios.
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Pesquisadores analisaram o microbioma intestinal de 47 peixes-boi-amazônicos e marinhos, descobrindo novos genomas e enzimas.
O estudo do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), de Campinas (SP), que revelou enzimas inéditas encontradas no intestino do peixe-boi detalhou como cerca de 6 mil genomas microbianos podem contribuir para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à produção de biocombustíveis, bioinsumos agrícolas e remédios.
A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Microbiology nesta segunda-feira (2) e escolhida como capa da edição de dezembro.
De acordo com o estudo, os genomas microbianos associados aos peixes-boi-da-amazônia e marinho, incluindo um vasto número de organismos até então desconhecidos pela ciência, e milhares de enzimas possuem potencial para aplicações biotecnológicas.
O microbioma é o conjunto de microrganismos (como bactérias, fungos, vírus e arqueias) e de todo o seu material genético que habita um ambiente específico.
Para os pesquisadores, a descoberta amplia significativamente o conhecimento sobre como a natureza transforma biomassa vegetal em energia e compostos químicos.
Assim, destaca-se como ela pode oferecer novas oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à produção de biocombustíveis, bioinsumos agrícolas, ingredientes funcionais e moléculas de interesse para a saúde humana e animal.
Os pesquisadores analisaram o microbioma intestinal de 47 peixes-boi-amazônicos e marinhos.
O microbioma é formado pelo conjunto de bactérias, arqueias, vírus e outros microrganismos que vivem em associação com um organismo hospedeiro.
A investigação resultou em um catálogo inédito com mais de 6 mil genomas bacterianos. Mais da metade representa espécies ainda não descritas pela ciência.
Os pesquisadores também reconstruíram os vírus associados a essas comunidades microbianas e verificaram que cerca de 80% deles também eram desconhecidos.
Os peixes-boi alimentam-se quase exclusivamente de plantas aquáticas ricas em fibras vegetais complexas.
Para aproveitar essa matéria-prima, dependem de uma comunidade microbiana altamente especializada capaz de degradar componentes resistentes da biomassa.
O estudo mostrou que os microrganismos atuam de forma cooperativa para desmontar as paredes celulares das plantas e transformar moléculas complexas em fontes de energia.
Essa combinação de mecanismos está entre as mais sofisticadas já descritas para mamíferos herbívoros aquáticos, diz a pesquisa.
Os cientistas observaram que o microbioma também é capaz de metabolizar compostos aromáticos derivados da lignina, considerado um dos principais obstáculos para o aproveitamento industrial da biomassa vegetal.
A lignina é um biopolímero orgânico natural e complexo, encontrado nas paredes celulares de plantas terrestres. Junto com a celulose e a hemicelulose, ela forma a estrutura que sustenta os vegetais.
A descoberta pode inspirar novas estratégias para acelerar a produção de combustíveis sustentáveis, produtos químicos renováveis e combustível sustentável de aviação.
Outra descoberta aponta que a enzima permite que determinados microrganismos utilizem a epilactose, um carboidrato até então inacessível para a maioria das bactérias conhecidas, de acordo com o estudo.
A partir das descobertas, os pesquisadores pretendem avançar na caracterização das enzimas identificadas e avaliar o potencial em aplicações industriais relacionadas à produção de energia renovável, agricultura sustentável, saúde humana e animal e no desenvolvimento de novos bioprodutos.
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Cientistas vão avançar na caracterização das enzimas identificadas.
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