Companhias aéreas preveem anos difíceis com alta de custos e temor de inflação
Executivos do setor alertam para a necessidade de novos aumentos de tarifas e redução de planos de crescimento diante do 'novo normal' nos preços de energia.
Quick Look
Executivos de companhias aéreas preveem um período de três a cinco anos de dificuldades, com a necessidade de elevar tarifas e reduzir frotas para compensar os custos elevados do combustível de aviação após a crise no Irã.
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Why It Matters
A alta dos custos de combustível segue a instabilidade geopolítica no Irã e o fechamento do estreito de Hormuz. O setor aéreo enfrenta um cenário de inflação persistente e pressão sobre a demanda.
As companhias aéreas estão se preparando para anos de dificuldades diante da crescente preocupação de que os clientes não aceitem os novos aumentos de preços necessários para compensar a disparada dos custos de combustível.
Executivos disseram ao Financial Times que a alta dos custos do combustível de aviação após a guerra no Irã era um "novo normal" que obrigaria o setor a elevar novamente as tarifas, reduzir os planos de crescimento de longo prazo e encolher as frotas.
Os alertas indicam um pessimismo crescente entre as companhias aéreas, que esperavam que os custos de energia começassem a cair após o pico inicial provocado pelo fechamento do estreito de Hormuz. Líderes do setor agora acreditam que o combustível permanecerá mais caro por mais tempo —pressionando o setor caso a demanda dos consumidores comece a enfraquecer.
"Acho que teremos de enfrentar um período difícil de três a cinco anos", afirmou Luís Rodrigues, CEO da TAP Air Portugal. "A demanda [ainda] existe... mas há um limite para o que conseguiremos fazer."
Vários executivos de companhias aéreas disseram esperar uma redução nos planos de crescimento de longo prazo, em meio ao temor de que a inflação mais alta decorrente da turbulência geopolítica possa corroer a demanda que atualmente sustenta o setor.
Os dados atuais mostram que os passageiros estão voando mais, e não menos, apesar do fechamento do espaço aéreo do Golfo, que provocou meses de transtornos nas viagens. O grupo de dados OAG estima que 2,3 bilhões de reservas foram feitas no primeiro semestre do ano, 1% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Isso apesar de as tarifas terem registrado altas anuais de dois dígitos em quase todos os meses de 2026.
"Graças a Deus pelos clientes", disse Rodrigues, durante o World Aviation Festival, realizado nesta semana em Lisboa.
Os executivos ficaram positivamente surpresos com a força da demanda dos consumidores até agora —a Delta Air Lines afirmou neste mês que praticamente não registrou queda, apesar de ter elevado os preços em média 20% neste ano.
Mas a maioria se prepara para aumentar ainda mais as tarifas, prevendo o fim dos contratos que os protegeram do pior impacto do choque energético neste ano.
A italiana ITA Airways comprou cerca de 80% de seu combustível antes da crise no Irã, mas não contratou novas proteções, o que a deixará mais exposta à volatilidade dos preços globais no próximo ano, afirmou o CEO Joerg Eberhart. "Como os demais, tentaremos aumentar os preços."
Roberto Alvo, CEO da Latam, a maior companhia aérea da América do Sul, disse que o setor não "tem um problema de demanda. Temos um problema de custos, que provavelmente é mais fácil de administrar".
No entanto, os executivos disseram estar preocupados com a possibilidade de o apetite dos clientes por viagens começar a diminuir em breve. "Em algum momento haverá destruição de demanda; em algum momento, toda essa inflação vai empobrecer as pessoas", afirmou o CEO de uma grande companhia aérea.
Alvo acrescentou: "A questão importante é saber se os preços [mais altos] da energia vão prejudicar a economia em geral. Se isso acontecer, poderemos ver uma desaceleração da demanda."
Se isso ocorrer enquanto os preços dos combustíveis permanecerem elevados, "a equação muda para todos".
Em geral, as companhias aéreas reagem à demanda mais fraca reduzindo os preços. Mas, com os custos em alta e a rentabilidade já pressionada, essa opção lançaria o setor em uma espiral descendente.
"Isso afeta, sim, os planos de crescimento", afirmou Adrian Neuhauser, CEO do Grupo Abra, gigante sul-americano da aviação formado pelas fusões de Gol e Avianca. "Acho que o setor será menor do que seria em outras circunstâncias", disse ele ao FT.
E acrescentou: "As companhias aéreas passam por fases: ficam felizes e engordam; depois, entram numa fase de disciplina de custos. Voltamos aos tempos de disciplina de custos."
Enquanto buscam reduzir despesas no curto prazo, algumas empresas precisam escolher entre investir em novas aeronaves e gastar com produtos de IA que, segundo lhes dizem, são necessários para se manterem à frente em um setor extremamente competitivo.
"É preciso decidir onde investir", afirmou Marcus Schnabel, da SunExpress, companhia aérea sediada na Turquia e controlada em parte pela Lufthansa e pela Turkish Airlines. A IA "não vem de graça", acrescentou.
Ao mesmo tempo, as companhias aéreas que planejavam usar as tão aguardadas entregas de aeronaves da Boeing e da Airbus para ampliar suas frotas serão obrigadas, em vez disso, a aposentar aviões mais antigos e menos eficientes no consumo de combustível para reduzir os gastos. A SunExpress decidirá "ano a ano" se manterá os modelos mais antigos à medida que receber novas aeronaves, afirmou Schnabel.
A Latam Airlines, que tem quase 400 aviões, já está usando algumas de suas aeronaves mais antigas em rotas menos frequentes para economizar combustível, mas evita a dispendiosa medida de retirá-las formalmente de operação, disse o CEO Alvo.
Ainda assim, ele, como muitos outros, continua "cautelosamente otimista" quanto à capacidade do setor de enfrentar a situação.
"As companhias aéreas precisam ser mais ágeis", acrescentou. "Só temos de ser mais ligeiros, mais rápidos para mudar, mais adaptáveis. Precisamos pensar em como reorganizar as coisas com mais rapidez, porque o mundo está girando mais depressa."
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Aumento contínuo das tarifas aéreas no próximo ano.
Likely · Within months
Open Questions
- Qual será o impacto real na demanda se a inflação corroer o poder de compra?
- Como as companhias equilibrarão investimentos em IA e renovação de frota?






