
Com o estreito de Hormuz limitado e o controle houthi sobre Mokha, exportações sauditas despencam e preços globais de energia disparam
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O conflito no Irã, iniciado em fevereiro, desestabilizou rotas marítimas vitais. O controle de pontos estratégicos como o estreito de Hormuz e Bab el-Mandeb tornou-se central na estratégia de guerra.
Os corredores energéticos mais valiosos do mundo estão se fechando.
Na sexta-feira (11), militantes houthis apoiados pelo Irã ampliaram seu controle sobre o Mar Vermelho, ameaçando uma rota crucial para o petróleo bruto do Golfo Pérsico. Com isso, restaram poucas alternativas à região, já que o tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz —antes o principal ponto de trânsito de petróleo do mundo— continua significativamente limitado e muito abaixo dos níveis anteriores à guerra.
E as exportações de petróleo da Arábia Saudita, há muito o mais importante produtor do Oriente Médio, despencaram no mês passado para o menor nível em pelo menos 13 anos.
A Marinha dos Estados Unidos tem conseguido manter o fluxo de petróleo pelo estreito de Hormuz em rotas marítimas próximas à costa de Omã, no lado oposto ao Irã. Mas isso tem exigido uma operação ampla e perigosa.
Para as companhias de navegação, a travessia do estreito, antes rotineira, tornou-se uma empreitada de alto risco. Pelo menos 23 navios foram atingidos na hidrovia próxima a Omã em julho e agosto. Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, pelo menos 22 marinheiros morreram no Oriente Médio.
"Estas águas não são seguras", disse Michelle Wiese Bockmann, analista da Windward, empresa de inteligência marítima.
À medida que a guerra no Irã se aproxima do sétimo mês, ela parece estar saindo do controle, disseram analistas. Sem uma solução diplomática à vista, o Oriente Médio, epicentro da produção de energia, enfrenta sua mais grave crise de abastecimento em décadas.
O governo Trump "tem usado diversos instrumentos com muita eficácia para conter os preços do petróleo e da gasolina", disse Amos Hochstein, que foi assessor de política externa e energia no governo Biden. Mas agora, afirmou, o presidente Donald Trump e sua equipe têm menos opções à disposição. "Eles estão de mãos atadas."
As consequências econômicas se acumulam.
Na sexta-feira, os preços do petróleo superaram brevemente US$ 108 (R$ 553) por barril após a escalada dos ataques da milícia houthi apoiada pelo Irã. Isso representa cerca de 50% acima dos níveis anteriores à guerra. O preço médio da gasolina nos Estados Unidos ultrapassou US$ 4 (R$ 20,50) por galão —mais de US$ 1 (R$ 5,12) acima do registrado um ano atrás. Também na sexta-feira, o custo médio do diesel, combustível essencial para o transporte rodoviário, a agricultura e a indústria, superou US$ 6 (R$ 30,73) por galão nos Estados Unidos.
Trump disse nesta semana acreditar que a guerra no Irã só terminaria depois das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro, mas afirmou que os preços da gasolina "despencariam" após a votação. Na verdade, disseram analistas, restam poucas opções ao governo Trump para encerrar a guerra ou reduzir os preços da energia. No mês passado, autoridades do governo impuseram novas e rigorosas sanções econômicas ao Irã, na esperança de que a medida derrubasse o regime, mas isso não aconteceu.
"Eles podem bombardear ou podem negociar", disse Gregory Brew, analista do Eurasia Group, uma empresa de pesquisa.
O Irã exige, entre outras coisas, o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos e a liberação de ativos congelados no exterior. O país também tem afirmado reiteradamente que manterá o controle sobre o estreito de Hormuz.
"Talvez haja uma saída clara, que seria se render ao Irã", disse Elliott Abrams, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations que atuou como representante especial para o Irã e a Venezuela durante o primeiro governo Trump. Mas, acrescentou, "a pergunta ao presidente seria: o senhor está disposto a conceder isso para superar as eleições?"
Na sexta-feira, grupos rebeldes houthis assumiram o controle de Mokha, estratégica cidade portuária do Iêmen no Mar Vermelho, expulsando forças aliadas ao governo iemenita, que é apoiado pela Arábia Saudita. Poucos dias antes, os houthis feriram 73 civis e atingiram instalações de energia no sul da Arábia Saudita.
Fawaz A. Gerges, professor da London School of Economics especializado no Oriente Médio, classificou o controle houthi sobre Mokha como "um divisor de águas" tanto para o grupo militante quanto para o Irã.
O Ministério da Energia saudita informou na sexta-feira que seu Oleoduto Leste-Oeste, usado como alternativa ao estreito de Hormuz, havia sido "alvo de vários ataques" no dia anterior e fora fechado como "medida de precaução".
Após os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o país restringiu o acesso pelo estreito de Hormuz. Isso transformou o estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, em uma rota alternativa para o petróleo do Oriente Médio, sobretudo o da Arábia Saudita. Agora, os houthis mantêm um controle sufocante sobre a passagem.
"Esse novo desdobramento dá aos houthis um importante poder de barganha diante da Arábia Saudita, sua inimiga ferrenha, e também diante do sistema de comércio mundial", disse Gerges. Ele acrescentou: "Com isso, o Irã está agora em posição mais forte para ampliar os danos à economia dos Estados Unidos e ao mundo."
Na última semana, apenas duas cargas sauditas passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb, segundo a Kpler, empresa de dados marítimos.
A Arábia Saudita dispõe de outra opção pelo Mar Vermelho para exportar petróleo —enviá-lo para o norte por um oleoduto próximo ao Canal de Suez. Mas essa rota pelo Mediterrâneo é mais cara e acrescenta semanas à viagem até a Ásia, onde se encontra a maioria dos clientes do reino.
O tráfego pelo estreito de Hormuz equivale a uma pequena fração dos cerca de 130 navios que o atravessavam diariamente antes da guerra, segundo empresas de rastreamento de embarcações. Em setembro, uma média de 19 navios por dia transitou pelo estreito, abaixo dos 20 de agosto e do pico de 34 em junho, quando vigorou por um breve período um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã.
A Kpler registrou apenas nove navios atravessando o estreito na quinta-feira (10).
Wiese Bockmann calculou que, em agosto, as exportações de petróleo bruto dos países do Golfo, excluindo o Irã, corresponderam a cerca de dois terços do nível anterior à guerra.
Somente na última semana, forças dos Estados Unidos inutilizaram ou destruíram pelo menos oito petroleiros iranianos, disse ela, e o Irã retaliou com ataques mortais contra embarcações que passavam pelo estreito próximo a Omã. A escalada dos ataques está levando armadores, até mesmo os mais dispostos a correr riscos, a adiar incursões pela região.
AI outlook — possibilities, not facts
Manutenção de preços elevados de energia até o fim do conflito.
Likely · Within months

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