O avanço das motocicletas elétricas no Paquistão em meio à alta dos combustíveis
Reportagem sobre a transição para a mobilidade elétrica em Lahore diante do impacto global dos preços do petróleo.
Quick Look
Reportagem explora o crescimento das motocicletas elétricas em Lahore, Paquistão, impulsionado pela alta dos preços do petróleo e custos de combustíveis, destacando a experiência de testar um veículo nas ruas locais.
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Why It Matters
A alta nos preços do petróleo impulsionada por conflitos no Oriente Médio acelerou a busca por veículos elétricos em países em desenvolvimento.
Fui ao Paquistão para escrever uma reportagem sobre o avanço das motocicletas elétricas no país. Visitei lojas, conheci uma fábrica de montagem e entrevistei fundadores de empresas e pessoas interessadas em comprar uma moto.
À medida que a viagem se aproximava do fim, achei que já havia aprendido praticamente tudo o que precisava saber. Exceto como é, de fato, pilotar uma.
E então chegou meu momento de sorte. Ou talvez de azar. Depende de como você se sente em relação às ruas de Lahore (Paquistão).
"Quer dar uma volta?", perguntou Abdul Rafay, dono de uma nova moto elétrica da Vlektra, depois que terminamos a entrevista.
Olhei para um cruzamento próximo, nesta cidade de 14 milhões de habitantes, enquanto motocicletas se esquivavam entre riquixás e carros, e murmurei algo sobre jornalistas não deverem se tornar parte da própria história.
Mas tudo bem, eu aceitaria o passeio. Peguei um capacete emprestado e subi na garupa da moto de Rafay, uma entre as centenas de milhares de veículos relativamente novos e sem gasolina que circulam pelo Paquistão.
Todas essas motocicletas são emblemáticas das grandes mudanças globais provocadas pela guerra no Irã. Ao elevar os preços do petróleo, a guerra acelerou involuntariamente a transição para a energia limpa nos países em desenvolvimento, sobretudo ao influenciar as decisões das pessoas sobre que tipo de veículo comprar.
Em muitos dos países mais vulneráveis à alta dos preços da gasolina, os veículos mais comuns tendem a ter duas rodas, e não quatro. E, nesses países, a era das motocicletas elétricas parece ter chegado.
Enquanto eu me segurava firme, Rafay, de 24 anos, saiu da cafeteria onde havíamos feito a entrevista e entrou em uma rotatória. Estávamos em uma região relativamente sofisticada da cidade, com faixas de trânsito pintadas e ruas bem pavimentadas.
Mas os motoristas do Paquistão, acho que se pode dizer, têm grande disposição para aventuras. Eles não se intimidam com ruas que podem ficar congestionadas ou alagadas —e, muitas vezes, as duas coisas ao mesmo tempo.
E Rafay claramente queria mostrar a potência de sua nova moto. Então aproveitou uma pequena abertura e acelerou para passar por um riquixá.
Depois, em uma longa reta, desviou entre motos e carros. Avançou em direção a dois veículos laranja, separados por cerca de 60 ou 90 centímetros. No exato momento em que Rafay passou entre eles, o espaço se abriu o suficiente para que conseguíssemos atravessar.
Eu estava gravando um vídeo com meu celular e, olhando agora, consigo ver que toda a manobra foi executada com perfeição. Mas o vídeo não transmite a certeza visceral que tive de que um daqueles veículos laranja iria atingir meu joelho.
Eu havia contraído tanto as pernas que Rafay conseguiu sentir.
"Você ficou com medo, não ficou?", perguntou ele, olhando para trás.
"Sim", respondi, com o coração um pouco acelerado, mas feliz.
Quem disse que fazer reportagem sobre mudança climática precisa ser algo pesado?
"SE EU PUDER ECONOMIZAR ALGUMAS RÚPIAS, EU VOU."
Ah, e a motocicleta: o passeio foi tranquilo. E certamente havia potência suficiente.
Não tenho exatamente o currículo necessário para trabalhar na Car and Driver. Não piloto uma motocicleta desde 2012, quando passei por uma aventura desastrosa durante uma viagem de férias ao Vietnã. E, embora morasse na Itália, terra da Vespa, dirijo exclusivamente um carro hatchback (veículos que tem o porta-malas integrado à cabine e uma tampa traseira que inclui o vidro, formando um único compartimento) com duas cadeirinhas infantis.
Mas foi justamente por isso que eu queria conversar com Rafay. Ele é um apaixonado por veículos e disse que adorava sua motocicleta anterior, uma Honda CD 70, o modelo a gasolina mais popular do Paquistão.
Ele percorria cerca de 64 quilômetros por dia com ela para ir ao trabalho, onde atuava como engenheiro de software, e voltar para casa. Isso até os custos da gasolina dispararem e ele começar a fazer as contas.
"Se eu puder economizar algumas rúpias", disse, "eu vou."
Depois do choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio, Rafay visitou lojas de marcas de motocicletas e scooters elétricas. Ele contou que algumas vezes permanecia nas concessionárias além do que seria bem-vindo, conversando não apenas com funcionários, mas também com outros compradores.
No fim, escolheu um modelo de motocicleta que, segundo ele, seria capaz de enfrentar todos os desafios das ruas do Paquistão.
E, para ter certeza, eu vi esses desafios durante minha passagem por Lahore. Em algumas tardes, as chuvas de monções atingiam a cidade com força, deixando áreas mais baixas —ou qualquer região com drenagem precária— cobertas por água que chegava às canelas.
A vida seguia durante as enchentes, assim como o trânsito de motocicletas. Mas ficou claro nesses momentos que as motos, movidas a gasolina ou eletricidade, têm grandes desvantagens.
Os motociclistas ficam encharcados.
Depois do passeio com Rafay, agradeci a ele por pilotar tão bem e devolvi o capacete.
Então, antes que viessem as próximas chuvas, voltei para o Toyota que havia usado durante a semana.
Era um veículo que nunca me fez contrair as pernas.
Open Questions
- Qual é a infraestrutura de recarga disponível em Lahore?
- Como as redes elétricas locais suportam a nova demanda?







