
Banco ueno fecha após liquidação do Banco Central; oposição acusa presidente de conflito de interesses e Câmara aprova abertura do impeachment
AI-generated summary
O banco ueno, do Grupo Vázquez, foi liquidado pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3) após insuficiência de recursos para cobrir obrigações relacionadas a empréstimos a empresas vinculadas. O banco tinha 3 milhões de clientes e US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Santiago Peña foi acionista do grupo até março de 2025.
O Paraguai vive uma crise política que pode terminar com a saída do presidente Santiago Peña. O escândalo começou após o fechamento de um banco e chegou rapidamente ao Congresso, onde a oposição apresentou um pedido de impeachment contra o presidente.
▶️ Contexto: O país vive uma profunda crise política após vir à tona um escândalo envolvendo a quebra do banco "ueno", que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos.
O ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou o processo de liquidação da instituição.
A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano passado.
Na quinta-feira (5), em meio à pressão política, Peña anunciou que pretendia renunciar ao cargo. A Câmara dos Deputados, no entanto, aprovou a abertura do processo de impeachment contra o ele.
Na prática, o Congresso ignorou o pedido de renúncia do presidente. O Senado deve retomar a análise do impeachment contra Peña nesta sexta-feira (6).
Veja, abaixo, a cronologia da crise no país.
Banco ueno fecha as portas
Ueno Bank no Paraguai — Foto: Marcos Landim/RPC
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai liquidou o banco digital ueno após identificar uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição.
A medida foi tomada após a identificação de problemas relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.
Com a decisão, a instituição que tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, fechou as portas.
Escalada da crise
Na quarta-feira (4), relatos de falhas nos aplicativos de outras instituições financeiras começaram a circular no país e aumentaram a preocupação dos clientes.
A Associação de Bancos do Paraguai informou que as instituições estavam trabalhando para atender ao grande volume de pessoas que tentam transferir contas do ueno. A entidade afirmou que o sistema bancário continuava operando normalmente.
Oposição apresenta pedido de impeachment
Congressistas debatem impeachment do presidente Santiago Peña — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo
A crise bancária chegou ao Congresso na quinta-feira (5). Deputados da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.
A acusação apontou possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Os parlamentares também acusaram o Banco Central de encobrir irregularidades.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do ueno, até março de 2025. A oposição sustenta que a relação do presidente com o grupo representa um conflito de interesses.
Câmara aprova abertura do impeachment
Ainda na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Peña.
O pedido contra o vice-presidente Pedro Alliana, no entanto, foi rejeitado. A decisão abriu caminho para que ele assuma a Presidência caso Peña deixe o cargo.
Peña anuncia renúncia
Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo
Horas depois da decisão da Câmara, Peña apresentou uma carta de renúncia em um vídeo publicado nas redes sociais.
O presidente pediu desculpas aos clientes prejudicados pela crise bancária e afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.
A renúncia, porém, ainda precisava ser analisada pelo Congresso.
Congresso suspende sessão
O Congresso iniciou a análise do pedido de renúncia de Peña na tarde de quinta-feira. A sessão foi marcada por um longo debate entre governistas e oposicionistas.
A oposição defendeu que a renúncia seja rejeitada e que o processo de impeachment tenha continuidade. Os parlamentares argumentaram que, se deixar voluntariamente a Presidência, Peña poderá assumir uma vaga de senador vitalício, com imunidade parlamentar.
Já os governistas sustentaram que aceitar a renúncia seria a maneira mais rápida de encerrar a crise e permitir a transferência de poder ao vice-presidente.
Quando percebem que não teriam votos suficientes para aprovar a saída do presidente, parlamentares do Partido Colorado, legenda de Peña, deixaram o plenário. A movimentação derrubou o quórum necessário para a continuidade da sessão.
A votação foi suspensa, e a renúncia não foi aceita. Com isso, Peña permaneceu no cargo.
À noite, o Senado fez uma nova sessão para iniciar o debate sobre o impeachment do presidente. O processo continuará na sexta-feira (6).
Senado deve retomar análise do caso
Policiais em frente ao Congresso do Paraguai durante o andamento da sessão extraordinária que começou a julgar o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña — Foto: Daniel Duarte/AFP
O Congresso deve retomar a análise da crise nesta sexta-feira. Peña também afirmou, em carta publicada na noite de quinta-feira, que vai comparecer para apresentar a própria defesa no processo de impeachment.
O Senado é responsável pelo julgamento político do presidente. A decisão dos parlamentares poderá determinar se Peña será afastado definitivamente do cargo.
VÍDEOS: agora no g1
AI outlook — possibilities, not facts
O Senado votará o impeachment e poderá afastar definitivamente Santiago Peña da presidência.
Likely · Within days
Pedro Alliana assumirá a presidência caso Peña seja afastado ou renuncie.
Possible · Within days
President of Paraguay defends himself in impeachment proceedings while Brazilians are experiencing financial drama and other notable events have repercussions.

Helen Jaine Gomes Borgens, from the quilombola community of Retiro in Simolândia, became the first quilombola approved in the competition for a career as a diplomat in Brazil. Graduated in International Relations from UFG, she celebrated her inauguration on social media.
The federal government authorized the contracting of 716 housing units under Minha Casa, Minha Vida Rural in 12 municipalities in Maranhão, Piauí and Rio Grande do Sul, benefiting farmers, rural workers and quilombolas.

The Amazonas Civil Police carried out a search and seizure warrant at the residence of former government candidate Professor Maria do Carmo, in Manaus, in an investigation into the manipulation of images of Omar Aziz's daughter.

Jon Ossoff, 39 years old, was re-elected senator from Georgia and stands out as a reference for the Democratic Party. The party, divided after the defeat to Trump in 2024, is betting on reducing the cost of living to win back rural, Latino, black and young voters. Zohran Mamdani, the Ugandan-born mayor of New York, cannot be president of the United States.

The Paraguayan Senate ignored President Santiago Peña's resignation request and began impeachment proceedings on Thursday night (5). The scandal at Grupo Vázquez's ueno bank left around 3 million customers without access to deposits worth approximately US$850 million. Peña must present his defense on Friday (6); 30 votes from the 45 senators are needed for conviction. If convicted, he will lose his mandate and lifetime position as senator, and vice-president Pedro Alliana will take over until August 2028.