
Dólar recua 0,43% na abertura e mercados monitoram cenário internacional e repercussão do primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
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Candidatos à presidência realizaram debate no segundo turno de 2026, enquanto o mercado financeiro reage a indicadores e cenário internacional.
O dólar abriu a sessão desta terça-feira (20) em queda, com um recuo de 0,43% perto das 9h, cotado a R$ 5,0262. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
Sem grandes destaques na agenda econômica brasileira, as atenções se voltam para o noticiário internacional, que conta com novos dados americanos e preocupações com a situação fiscal da Europa, em meio aos protestos que têm tomado conta da região. O quadro eleitoral brasileiro também segue no radar.
No exterior, a onda de protestos vistos na Europa volta a levantar preocupações. O movimento, iniciado por estudantes em meados de setembro com reivindicações sobre o sistema educacional, ganhou adesão de sindicatos e novas demandas, reunindo mais de meio milhão de pessoas na França. Protestos menores também aconteceram na Bélgica, na Itália e em Portugal.
Na véspera, as taxas de juros dos títulos públicos da França com vencimento em 10 anos atingiram 4,95%, uma das piores marcas do ano.
Na agenda econômica, destaque para novos dados de emprego dos Estados Unidos. A expectativa é que o relatório de empregos ADP reforçe a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) possa elevar os juros na reunião deste mês. Dados de contrução e vendas de moradias americanas também serão acompanhados.
Por aqui, o primeiro debate eleitoral entre Lula e Flávio continua no radar, após notícias de que as campanhas estariam recalibrando as rotas para tentar ganhar os eleitores indecisos.
Acurmulado e variações do dólar e Ibovespa mostram o desempenho recente dos ativos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram na noite de domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026.
Foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos em um debate nesta eleição.
Ao longo de três blocos, Lula e Flávio discutiram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e redução da maioridade penal. Também trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações.
No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras.
Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto.
Em seguida, Flávio questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Roberta e Fábio Luís são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários. Roberta nega irregularidades e afirma que sua relação com Lulinha é de amizade.
Em nota divulgada no sábado (17), o Palácio do Planalto afirmou que Lula nunca teve interlocução com Roberta, nunca recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas pela empresária. Disse ainda que não existe contrato do governo federal com Roberta.
O embate passou então para acusações de corrupção. Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados.
Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes. O presidente também cobrou explicações de Flávio sobre o pedido de R$ 134 milhões feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme.
Flávio é investigado no inquérito. Na sexta-feira (16), a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para a investigação.
Em entrevista à TV Globo também na sexta, Flávio afirmou que o contrato de R$ 134 milhões “não foi cumprido”. O senador nega irregularidades.
Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral.
Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro.
Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6x1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6x1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta.
Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda.
Flávio afirmou ainda que pretende fazer um “tesouraço” na corrupção do governo Lula.
Na Ásia, as ações chinesas fecharam mistas, após Pequim ter mantido as taxas de juros do país inalteradas. Dados mais sólidos da economia chinesa também diminuíram expectativas de novos estímulos por parte do governo.
O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,1%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,5%. No Japão, o Nikkei recuou 1,3%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 3,73%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 1,32%.
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