
Balanço das candidaturas ao governo estadual destaca temas como economia, saúde, educação e segurança pública no primeiro turno.
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O Maranhão realiza eleições para o governo estadual em 2026. Oito candidatos disputam o pleito com propostas divergentes sobre a gestão pública e o desenvolvimento econômico.
A disputa pelo governo do Maranhão no primeiro turno das eleições de 2026 colocou no centro da campanha temas como geração de emprego e desenvolvimento econômico, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e gestão dos serviços públicos.
Ao longo das entrevistas, debates e agendas acompanhadas pelo g1, sete das oito candidaturas tiveram propostas e compromissos registrados, com diferentes caminhos para enfrentar problemas do estado.
Para este balanço, foram consideradas reportagens sobre agendas de campanha, entrevistas e debates com participação dos candidatos acompanhados pelo g1 ao longo do período eleitoral. Também foram analisadas as propostas e os temas apresentados pelos candidatos nesses espaços.
No conjunto analisado, segurança pública, economia e geração de emprego, educação e saúde apareceram de forma recorrente. Infraestrutura e gestão pública também estiveram presentes em diferentes momentos, enquanto transporte e mobilidade, meio ambiente, saneamento, habitação e cultura apareceram associados a propostas específicas das candidaturas.
Disputam o governo André Luís (Missão), Dimas Cassimiro (PCO), Eduardo Braide (PSD), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Reginaldo Lima (PCB), Roberto Rocha (PRTB) e Saulo Arcangeli (PSTU).
Dimas Cassimiro (PCO) foi o único dos oito candidatos que não divulgou nenhuma agenda de campanha ao g1 durante o período acompanhado.
Veja as principais propostas apresentadas por cada candidato.
André Luís (Missão)
Empresário e candidato pela primeira vez ao governo do Maranhão, André Luís deu destaque durante a campanha a segurança pública, desenvolvimento econômico, industrialização, redução da estrutura administrativa e mudanças na prestação dos serviços públicos.
Na segurança, apresentou o projeto chamado por ele de “desfavelização e endurecimento das penas”. O candidato relacionou a proposta ao enfrentamento das organizações criminosas e à ampliação da presença do Estado em comunidades, com abertura de ruas, acesso a documentos relacionados às moradias e crédito para reformas.
André também relacionou desenvolvimento econômico à preparação de trabalhadores locais para ocupar vagas geradas pela chegada de novos investimentos. Durante o debate da TV Mirante, voltou ao tema ao defender um plano de industrialização baseado nas características econômicas de cada município e a redução de despesas do governo para ampliar investimentos.
Na administração estadual, André propôs reduzir cargos comissionados, fundir secretarias e extinguir a Secretaria de Articulação Política. Na saúde, defendeu concurso público e apresentou a proposta de criação do Hospital do Povo Maranhense.
Dimas Cassimiro (PCO)
Professor de ensino superior, Dimas Cassimiro disputa pela primeira vez o governo do Maranhão. Antes, já havia concorrido a deputado estadual, em 2018, e a deputado federal, em 2022, pelo PCO.
Ao longo de toda a campanha eleitoral, Dimas Cassimiro não divulgou ao g1 nenhuma agenda de campanha.
Eduardo Braide (PSD)
Ex-prefeito de São Luís, ex-deputado estadual e ex-deputado federal, Eduardo Braide concentrou parte das propostas em gestão pública, redução de impostos, saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento regional.
Uma das medidas mais citadas pelo candidato foi a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Para compensar uma eventual perda de arrecadação, Braide afirmou que pretende cortar despesas consideradas não essenciais e reduzir a estrutura administrativa do governo. Entre as medidas, citou a extinção de duas das três estruturas que, segundo ele, exercem funções semelhantes.
Na educação, propôs priorizar a presença de professores nas escolas estaduais e aumentar o apoio dado aos municípios para o transporte de estudantes do ensino médio.
Na saúde, Braide prometeu fazer o que chamou de “choque de gestão” nos primeiros 100 dias de governo e defendeu reduzir a "influência política na administração dos hospitais estaduais". Também apresentou propostas para ampliar estruturas hospitalares no interior.
Braide defendeu ainda aproveitar as características econômicas de cada região, ampliar a assistência técnica aos produtores, investir em irrigação e tecnologia e estimular a industrialização de matérias-primas dentro do Maranhão. No debate da TV Mirante, o candidato também colocou a infraestrutura rodoviária entre as prioridades e citou obras em diferentes regiões do estado.
Felipe Camarão (PT)
Vice-governador do Maranhão, ex-secretário estadual de Educação e candidato pela primeira vez ao governo, Felipe Camarão destacou principalmente propostas ligadas a educação, políticas sociais, populações tradicionais, cultura e segurança.
A educação esteve entre os temas abordados pelo candidato durante a campanha. Camarão propôs ampliar escolas em tempo integral, fortalecer a educação profissionalizante, valorizar professores, expandir os Institutos Estaduais de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iemas) e retomar o programa Escola Digna.
O candidato também defendeu ampliar políticas voltadas para povos indígenas, quilombolas e comunidades do campo, envolvendo educação, saúde e geração de emprego e renda.
Na área social, Camarão apresentou o programa Minha Casa Digna para ampliar a construção de moradias em parceria com o governo federal. No saneamento, afirmou que não pretende privatizar a Caema e propôs investimentos na companhia, concurso público e parcerias com os municípios.
As políticas para mulheres também apareceram na campanha. O candidato defendeu a regionalização da Patrulha Maria da Penha e a ampliação das Casas da Mulher Maranhense, reunindo serviços de segurança, assistência jurídica e atendimento psicossocial.
Na cultura, Camarão propôs criar um calendário permanente de manifestações culturais e interiorizar as políticas do setor, relacionando cultura, turismo e geração de renda. O candidato também defendeu investimentos em agricultura familiar, qualificação profissional e geração de emprego e renda como instrumentos para redução das desigualdades.
Orleans Brandão (MDB)
Ex-secretário de Estado de Assuntos Municipalistas e candidato pela primeira vez a um cargo eletivo, Orleans Brandão destacou durante a campanha propostas relacionadas a emprego e renda, saúde, educação, infraestrutura, segurança, redução de impostos e continuidade de programas da atual gestão estadual.
Na economia, Orleans afirmou que pretende reduzir o ICMS e conceder incentivos para a instalação de empresas, mas relacionou a redução do imposto à manutenção do equilíbrio fiscal do Estado. Também propôs ampliar a isenção do IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas e estender a isenção aos motoristas de aplicativo.
A geração de emprego e renda apareceu associada ao combate à pobreza. O candidato usou durante a campanha o programa Maranhão Livre da Fome, da atual gestão, como referência e afirmou que pretende ampliar políticas de qualificação e oportunidades de trabalho.
Na saúde, defendeu ampliar a regionalização do atendimento, policlínicas, centros de hemodiálise e hospitais, além do uso de telemedicina. Na educação, propôs ampliar escolas em tempo integral, ensino técnico e profissionalizante e programas de empreendedorismo para jovens.
Para a segurança, Orleans apresentou o programa Cinturão da Paz, com videomonitoramento nos 217 municípios, e defendeu novos concursos, valorização profissional e aquisição de equipamentos.
Infraestrutura e mobilidade também tiveram espaço. O candidato propôs ampliar o sistema de ferry-boats e fazer melhorias nas rodovias MA-014, MA-106 e MA-006, com foco na mobilidade da Baixada Maranhense.
Reginaldo Lima (PCB)
Radialista, natural de Imperatriz e candidato pela primeira vez ao governo estadual, Reginaldo Lima teve a cidade de Imperatriz como base de sua campanha e também cumpriu agendas em comunidades quilombolas.
Entre os assuntos recorrentes apresentados por Reginaldo estiveram emprego e renda, saneamento, política fiscal, inclusão social e fortalecimento da presença direta do Estado na economia.
O candidato defendeu a criação de indústrias e empresas administradas pelo próprio governo estadual e a regionalização desses empreendimentos. Segundo ele, a proposta busca gerar empregos no Maranhão e reduzir a saída de jovens em busca de trabalho em outros estados.
Reginaldo também propôs frentes estaduais de trabalho, capacitação de jovens e crédito a juros baixos para pequenos agricultores e pescadores.
Na política fiscal, defendeu a taxação de grandes fortunas e de setores ligados à exportação de riquezas produzidas no Maranhão. Também criticou medidas de ajuste fiscal voltadas, segundo ele, ao pagamento de juros.
No saneamento, o candidato defendeu ampliar os investimentos públicos e manter a Caema integralmente sob controle estatal. O candidato também defendeu a ampliação das casas de proteção destinadas a mulheres vítimas de violência.
Roberto Rocha (PRTB)
Ex-senador, ex-deputado federal e ex-vice-prefeito de São Luís, Roberto Rocha colocou desenvolvimento econômico, infraestrutura, logística, industrialização e qualificação profissional entre os principais assuntos apresentados durante a campanha.
O candidato defendeu que o Maranhão amplie a produção e atraia investimentos privados para aumentar a arrecadação, em vez de elevar impostos. Segundo Roberto Rocha, o desenvolvimento deveria combinar infraestrutura para a atividade econômica com formação profissional da população.
Roberto também defendeu a industrialização da produção agrícola, com o objetivo de agregar valor aos produtos dentro do Maranhão. No debate da TV Mirante, ao falar sobre o agronegócio e a região de Balsas, defendeu conciliar a expansão agrícola com a proteção ambiental.
Na área de gestão, propôs reduzir a estrutura administrativa estadual. Ciência, tecnologia e qualificação profissional também apareceram como componentes da estratégia apresentada pelo candidato para o desenvolvimento econômico.
Na mobilidade, Rocha defendeu investimentos em outros meios de transporte além dos ônibus e criticou a dependência do transporte coletivo rodoviário na Região Metropolitana de São Luís.
Na saúde, defendeu mudanças na administração da rede e afirmou que hospitais do interior precisam ampliar a capacidade de resolver os atendimentos sem encaminhar pacientes para São Luís.
Saulo Arcangeli (PSTU)
Servidor público federal, professor e sindicalista, Saulo Arcangeli disputa pela terceira vez o governo do Maranhão. Durante a campanha, apresentou propostas relacionadas a maior participação direta do Estado nos serviços públicos, direitos dos trabalhadores, participação popular, saneamento, transporte e mudanças no modelo de desenvolvimento econômico.
Uma das propostas apresentadas pelo candidato foi a criação de conselhos populares com poder deliberativo para participar das decisões sobre o orçamento estadual. Os integrantes, segundo Saulo, seriam escolhidos nos locais de moradia e trabalho.
Na saúde, defendeu concursos para diferentes especialidades, ampliação da estrutura dos hospitais e gestão direta pelo Estado, em substituição à administração de unidades por institutos. Além disso, Saulo defendeu que a Caema permaneça estatal e receba mais investimentos, além de criticar as terceirizações na companhia.
O candidato apresentou ainda a tarifa zero no transporte público e defendeu maior participação do Estado na operação do sistema. No debate da TV Mirante, propôs um plano de obras públicas para estradas, saneamento e moradia.

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