Empresária perde R$ 163 mil em golpe do falso advogado que usou dados da própria irmã
Criminosos usaram dados, foto e nome da irmã da vítima, que é advogada, para aplicar golpe via WhatsApp em Praia Grande.
Quick Look
- Empresária de 57 anos perde R$ 163 mil após cair no golpe do falso advogado em Praia Grande (SP).
- Criminosos usaram dados da irmã advogada da vítima para simular processo judicial e cobrança de taxas via WhatsApp.
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Why It Matters
Criminosos utilizam dados profissionais e fotos de advogados para aplicar golpes financeiros em familiares de vítimas através de aplicativos de mensagens.
Uma empresária alega ter sofrido um prejuízo de R$ 163 mil após cair no golpe do falso advogado em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Os criminosos utilizaram indevidamente o nome, a foto e os dados profissionais da advogada Richarlla Lopes Lozada, que também é irmã da vítima.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o caso foi registrado via internet pela vítima de 57 anos. A ocorrência foi encaminhada ao 3º Distrito Policial de Praia Grande para investigação.
Por meio do WhatsApp, os golpistas entraram em contato com a vítima no dia 23 de outubro. Eles apresentaram informações verdadeiras sobre um processo judicial, incluindo número, partes envolvidas e valor da causa.
Ao g1, Richarlla explicou que os criminosos informaram que havia sido designada uma audiência por videoconferência e alegaram que, por determinação judicial, não seria permitida a participação de terceiros.
Para tornar o golpe mais convincente, os criminosos encaminharam um documento com timbre falsificado do Poder Judiciário, contendo dados pessoais da vítima e da advogada.
Durante uma chamada de vídeo pelo WhatsApp, uma pessoa se apresentou como promotora, utilizando uma foto de perfil com a identidade visual do Superior Tribunal de Justiça (STJ), simulando uma comunicação oficial.
De acordo com Richarlla, a vítima foi orientada a usar outro celular para realizar procedimentos bancários e efetuar o pagamento de uma suposta taxa para evitar problemas com a Receita Federal e não cair na malha fina. A justificativa dos criminosos era de que havia valores judiciais a serem liberados.
"A manipulação foi tão intensa que ela acreditava até que a voz do criminoso era a minha. Mesmo sendo minha irmã, tendo contato frequente comigo e conhecendo minha atuação profissional, ela foi envolvida de uma maneira que não conseguiu perceber o golpe", ressaltou Richarlla.
Acreditando estar cumprindo orientações da irmã e de um suposto promotor, a vítima fez diversas operações bancárias. Segundo Richarlla, o prejuízo de R$ 163 mil não corresponde apenas ao dinheiro que a empresária possuía, mas também aos valores de empréstimos.
A vítima começou a desconfiar quando os criminosos tentaram acessar o cartão de crédito. Ela pediu para uma funcionária entrar em contato com Richarlla, que imediatamente orientou a irmã a encerrar o contato com os golpistas e registrar um boletim de ocorrência (BO).
"Acabou perdendo suas economias e assumindo dívidas decorrentes da fraude. Além do prejuízo financeiro, existe um abalo emocional muito grande, porque os criminosos exploram justamente a confiança que a vítima deposita em alguém próximo", lamentou Richarlla.
A advogada destacou que é necessário orientar a população e exigir que as instituições financeiras aprimorem constantemente os sistemas de segurança. "A tecnologia utilizada pelos criminosos está cada vez mais sofisticada, e os mecanismos de proteção precisam acompanhar essa evolução".
Richarlla acrescentou que já existem golpes envolvendo falsificação da identificação de chamadas, dos dados profissionais de advogados e até reprodução de vozes por meio de inteligência artificial. Por isso, não basta reconhecer a fotografia, o nome ou até mesmo a voz de alguém.
"É fundamental confirmar a autenticidade do contato por meio de um número telefônico que você já conhece e utiliza habitualmente para falar com seu advogado [...] Desconfie de qualquer solicitação financeira inesperada, principalmente quando vier acompanhada de urgência, ameaças ou pressão."
A orientação da advogada é não perder tempo. "É fundamental entrar imediatamente em contato com as instituições financeiras, comunicar formalmente a fraude e contestar as operações realizadas".
Também é necessário bloquear acessos comprometidos, alterar senhas, comunicar eventuais empréstimos fraudulentos, registrar um boletim de ocorrência e formalizar todas as reclamações administrativas junto aos bancos, preservando os números de protocolo.
É importante guardar comprovantes de transferências, conversas, números telefônicos, documentos encaminhados pelos criminosos e todos os registros que possam auxiliar na investigação.
Caso a situação não seja resolvida, o consumidor deve procurar orientação para avaliar o ajuizamento das medidas judiciais cabíveis, inclusive para discutir a validade de empréstimos realizados no contexto da fraude e eventual responsabilidade das instituições financeiras.
Open Questions
- Os criminosos foram identificados?
- O banco ressarcirá os valores perdidos?






