
Lideranças e o presidente eleito Lula planejam manter 'Exército' digital para pressionar o Congresso e regular plataformas
Após vitória eleitoral, o presidente Lula e aliados como André Janones planejam manter a mobilização digital para garantir governabilidade e pressionar o Congresso, além de priorizar a regulação de big techs após acusações de viés algorítmico.
AI-generated summary
Lula venceu as eleições de 2022 com 51,8% dos votos, sendo o primeiro presidente a virar o resultado após o primeiro turno. A campanha foi marcada por intenso uso de redes sociais e debates sobre regulação digital.
O engajamento digital da esquerda veio para ficar. Ao menos é o que garantem lideranças, influenciadores e o próprio presidente Lula (PT) diante da mobilização nas redes sociais na campanha de segundo turno das eleições.
O deputado federal André Janones (Rede-MG), com comandos de "urgente" e "explode", reuniu mais de 10 milhões de pessoas no "Exército do Lula", no WhatsApp, e liderou a tropa digital que foi apontada por Lula como corresponsável pela virada sobre Flávio Bolsonaro (PL).
O petista derrotou o adversário por 51,8% dos votos, ante 48,2%, sendo o primeiro presidente do país a vencer uma eleição após ter terminado em segundo lugar no primeiro turno —ele havia ficado atrás do bolsonarista na primeira etapa, com 45,2% dos votos ante 47% do rival.
A atuação digital virou modelo de sucesso mundo afora, rendendo a Janones convites para auxiliar em campanhas de esquerda em outros países, como na tentativa de reeleição do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. O deputado disse à Folha que o "Exército" será mantido para servir como ferramenta de pressão popular a favor de Lula no próximo mandato.
"O grande objetivo desse ‘Exército’, pós-eleição, é compensar a minoria que o presidente Lula vai ter na Câmara e no Senado, porque a extrema direita está com uma maioria esmagadora", disse ele. "O ‘Exército do Lula’ tem como missão, a partir de agora, dar governabilidade ao presidente", acrescentou.
No discurso de vitória, no domingo, o presidente agradeceu a Janones. Destacou a atuação do parlamentar na mobilização digital da campanha, chamou-o de general e disse que "teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa".
Por insistência de Janones e de outros aliados, Lula aderiu ao uso do smartphone na reta final da campanha, após anos de resistência à tecnologia, e prometeu estabelecer um canal direto de diálogo com a população, sem depender de intermediários.
"Já estou aprendendo a conversar com o meu general e podem ficar certos que, daqui para frente, vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalistas com má-fé. Não vou. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço", disse em seu discurso da vitória no domingo.
Assim como Janones, outros políticos com alto engajamento nas redes sociais ganharam destaque na campanha durante o segundo turno, como os deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG), Jones Manoel (PSOL-PE) e Guilherme Cortez (PSOL-SP).
Cortez, com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, defendeu que a esquerda precisa manter a estrutura de mobilização digital ativa. Segundo ele, o campo progressista demorou a compreender a importância das redes sociais para a disputa política, mas recuperou terreno nesse segundo turno.
"A direita chegou antes, se desenvolveu nesse terreno, beneficiada por uma série de coisas, inclusive pelo algoritmo das redes sociais", disse o deputado eleito. "Para ganhar eleição foi preciso que a gente tomasse ofensiva nesse terreno, e conseguimos, mesmo com todas as comprovadas tentativas de boicotar nossa campanha pelos aplicativos."
A campanha deste ano foi marcada por acusações de interferência de plataformas digitais na eleição. Como mostrou a Folha, em mensagens internas da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), funcionários reconheceram prejuízo a contas de Lula e benefício às de Flávio. A empresa negou ingerência.
Teste feito pelo jornal também identificou diferenças de tratamento nas respostas da ferramenta de inteligência artificial da big tech a pedidos de criação de imagens de campanha dos dois candidatos. No primeiro turno, a reportagem mostrou que modelos de IA burlavam a Lei Eleitoral ao promoverem rankings entre os presidenciáveis.
Como mostrou a Folha, integrantes do governo e parlamentares pretendem correr para votar até dezembro o projeto de lei da regulamentação concorrencial das big techs. A percepção é a de que há uma janela favorável para aprovação agora, que ficará mais estreita no próximo ano, quando o novo Congresso Nacional tomará posse.
Cortez defende a manutenção da mobilização digital acompanhada da regulamentação das plataformas, sem que uma exclua a outra. Ele afirmou que o modelo de regulação ainda deve ser discutido com outros atores, mas levantou a possibilidade de um que ofereça a opção de "desligar" o algoritmo.
A ideia seria oferecer a possibilidade de feeds de rede social sem recomendação algorítmica. Nesse molde, o que apareceria no feed seria o conteúdo de conhecidos ou perfis seguidos, e não mais o que a plataforma entende que vai prender a atenção do usuário.
Lula, também no discurso da vitória deste domingo, sinalizou que a regulação das redes estará entre as suas prioridades. O presidente disse que precisou "vencer a intromissão vinda de fora", em referência também ao tratamento desigual da do pela Meta na campanha.
"Essa eleição foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime na vida real", afirmou o petista.
O presidente acrescentou que não é possível que empresas bilionárias não paguem impostos enquanto tentam "direcionar o resultado eleitoral" do Brasil.
AI outlook — possibilities, not facts
Votação do projeto de lei de regulação das big techs até dezembro.
Likely · Within months

PSOL parliamentarians filed a representation with the Public Ministry of SP to investigate the dismissal of Silvana Pereira Gimenes, a public servant with a disability, after criticism made by her to senator Flávio Bolsonaro on social media.
Collection of headlines about Trump's statements, electoral bets, Mega-Sena results, report on police violence in Rio, advances in cancer treatment and medical ethics in Prouni.

On the eve of the midterm elections, the Democratic Party faces an internal dispute between centrist and left-wing reformist wings, reflecting differences over health policies, the conflict in Gaza and the party's own identity.
Highlights of the day include proposals to change the Brazilian electoral system, Donald Trump's statements about Flávio Bolsonaro, risks of electoral bets, Mega-Sena accumulation and advances in the treatment of lung cancer.

Donald Trump faces a political challenge similar to that of Joe Biden: positive economic indicators, such as low unemployment, do not translate into popular approval due to the persistence of inflation and the high cost of living felt by Americans.

Maranhão recorded Lula's re-election, Operation Indefeso against fraud in Seguro Defeso, investigations in support of Nazism in Grajaú and cases of violence and infrastructure in São Luís and in the interior of the state.