Ex-policial é condenado a 57 anos de prisão por matar ex-esposa na frente dos filhos em Curitiba
Ex-policial civil matou Suellen Rodrigues a tiros na frente dos filhos em 2022; réu já havia sido condenado anteriormente por torturar as crianças.
Quick Look
- Jaminus Quedaros de Aquino foi condenado a 57 anos e um mês de prisão pelo feminicídio de sua ex-esposa, Suellen Rodrigues, ocorrido em 2022 em Curitiba.
- O crime foi cometido na frente dos filhos do casal durante a entrada deles na escola.
AI-generated summary
Why It Matters
Suellen Rodrigues foi assassinada em 2022 após denunciar o ex-marido por violência doméstica. O caso gerou debates sobre a legislação eleitoral que impedia prisões preventivas durante o período de votação.
Jaminus Quedaros de Aquino foi condenado a 57 anos e um mês de prisão por matar a ex-esposa Suellen Rodrigues a tiros na frente dos filhos, de 10 e 7 anos. Suellen foi morta enquanto deixava as crianças na escola. O ex-policial civil já tinha sido condenado, em 2025, a 35 anos de prisão por torturar os filhos.
O assassinato foi registrado em 2022, em Curitiba. Depois de matar Suellen, Jaminus fugiu e se entregou à polícia após quatro dias. Ele está preso desde então.
O julgamento teve início na manhã de terça-feira (13), no Tribunal do Júri de Curitiba, e terminou na madrugada desta quinta-feira (15). O réu foi condenado por homicídio qualificado, com as seguintes qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio que resultou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Em 2024, a Lei nº 14.994 tornou o feminicídio um crime autônomo no Código Penal e aumentou a pena mínima. Antes, o feminicídio era considerado uma qualificadora do crime de homicídio. Para casos anteriores à lei, o enquadramento segue sendo como qualificadora.
Ao g1 Paraná, o advogado Jackson William Bahls, que representa a família da vítima, afirmou que a sentença foi uma "retribuição justa à crueldade e covardia desse crime".
O g1 também entrou em contato com a defesa de Jaminus Quedaros de Aquino, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Suellen Helena Rodrigues, à época com 29 anos, foi assassinada a tiros no dia 31 de outubro de 2022, em frente à Escola Municipal Professora Donatilla Caron dos Anjos, no bairro Uberaba, em Curitiba.
A vítima deixava os dois filhos, de 10 e 7 anos, para o primeiro dia de aula, quando foi surpreendida pelo suspeito. Imagens de câmeras de segurança captaram o momento em que o homem se aproximou correndo, falou brevemente com Suellen e atirou contra ela. As crianças presenciaram o crime.
Suellen morreu no local e os filhos foram acolhidos pelo Conselho Tutelar e encaminhados para os cuidados de familiares.
Durante as investigações, a polícia apurou que Suellen morava em Prudentópolis e se mudou para Curitiba para fugir das ameaças do ex-marido. Ela já tinha denunciado Jaminus por ameaça, violência doméstica e descumprimento de medida protetiva de urgência.
Mensagens de áudio e texto enviadas por ela antes de ser assassinada revelam o medo que Suellen tinha do ex-companheiro. Em um áudio, Suellen relatou, chorando, uma briga entre os dois. Na ocasião, ela já tinha a medida protetiva e denúncias contra Jaminus. Em outra mensagem, Suellen disse que o suspeito não a deixava em paz. "Ele tá muito transtornado, ele vai fazer algo pra mim, eu sinto isso."
O réu, o ex-policial Jaminus Quedaros de Aquino, atuava como advogado na época e teve o registro profissional suspenso. Segundo a Polícia Civil, na época do crime, Jaminus já tinha perdido o porte de arma por causa de medida protetiva movida contra ele.
A RPC teve acesso a um mandado de prisão preventiva contra Jaminus, expedido pela Vara Criminal de Prudentópolis dias antes do crime. A prisão de Jaminus foi decretada por ameaça, violência doméstica e descumprimento de medida protetiva de urgência.
Na época, a Polícia Civil disse que o cumprimento do mandado contra ele foi "prejudicado" pela regra eleitoral que proíbe a prisão ou detenção de eleitores no período próximo à data da votação. O Código Eleitoral prevê vedação temporária das prisões, começando cinco dias antes da votação e terminando 48 horas depois da eleição.
O caso de Suellen inspirou o Projeto de Lei n.º 2.959, de 2022, que tramita na Câmara dos Deputados. O projeto, de autoria da então deputada federal Tereza Nelma (PSDB), propõe alterar o Código Eleitoral para permitir a prisão ou detenção de quem praticar violência doméstica e familiar contra a mulher, mesmo durante o período de restrição às prisões.
Ao g1 Paraná, o advogado Jackson William Bahls, assistente de acusação e representante da família da vítima, afirmou que a pena foi uma "retribuição justa" ao crime. "Ontem foi dia de apresentar o Jaminus alguém que ele não conhecia, a justiça. A sociedade curitibana se encarregou disso, condenou o Jaminus e a sentença exarada pela juíza Michele Pacheco Cintra Stadler, digna de um capítulo de livro, apenou a 57 anos e um mês em regime fechado."
Open Questions
- Haverá recurso por parte da defesa do réu?






