
Jonas da Silva Santos viajou para o país europeu em maio deste ano após assinar um contrato de três anos; Itamaraty diz não ter registro da situação.
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Jonas da Silva Santos viajou do Brasil para a Ucrânia em maio deste ano após assinar um contrato de três anos para atuar no conflito.
A família de Jonas da Silva Santos, de 24 anos, diz que recebeu, na última segunda-feira (12), a notícia de que o acreano morreu após ser atingido durante uma missão na guerra na Ucrânia. A informação foi repassada por um colega brasileiro que estava com ele no combate, mas os parentes afirmam queainda não receberam a confirmação da morte oficialmente.
Natural de Rodrigues Alves, no interior do Acre, ele era vigilante antes de se mudar para Porto Velho (RO), onde passou a trabalhar com o cunhado. Ele foi para a Ucrânia em maio deste ano.
Segundo uma sobrinha dele, que pediu para não ser identificada, o interesse em ir para a Ucrânia já existia antes mesmo de ele deixar o Brasil. A família tentava convencê-lo a desistir por medo dos riscos que enfrentaria no conflito.
“Desde quando ainda estava no Brasil, meu tio já demonstrava muita vontade de ir para a Ucrânia. Ele falava bastante sobre isso e sempre dizia que queria ir para ajudar na guerra, porque era algo que realmente desejava fazer. Não era algo que surgiu de repente, era uma vontade que ele já tinha há bastante tempo”, contou.
O g1 procurou o Ministério das Relações Exteriores para saber se o governo brasileiro tinha conhecimento do caso e se poderia prestar assistência à família. Em nota, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Kiev não tem registro da situação e está à disposição para prestar assistência consular quando acionada.
O ministério também esclareceu que não custeia o deslocamento de brasileiros com o propósito de participar de conflitos armados, dentro ou fora do território nacional.
Conforme a sobrinha, os parentes conversavam com Jonas sobre os perigos da viagem e que até colegas dele que já estavam na Ucrânia o aconselhavam a não ir. Mesmo assim, ele continuou decidido.
Como não tinha passaporte, a sobrinha o ajudou a tirar o documento e ele deixou Porto Velho de ônibus com destino a São Paulo, de onde seguiu viagem para o país. Quando chegou lá, Jonas contou que havia assinado um contrato de três anos.
“Nós, da família, sempre ficávamos preocupados e conversávamos com ele sobre os perigos. Tentávamos fazê-lo entender os riscos que correria, porque sabíamos que não era algo simples e que ele poderia não voltar”, relatou.
A comunicação com Jonas acontecia principalmente aos fins de semana. De acordo com a sobrinha, ele costumava mandar mensagens para os parentes e avisar como estava. A última conversa com ele ocorreu em 4 de outubro. Três dias depois, em 7 de outubro, a sobrinha enviou uma mensagem, mas não recebeu resposta.
A notícia da morte chegou apenas na segunda. Segundo a familiar, ele teria sido atingido durante uma missão na fronteira e não retornou.
“Ele sempre mandava mensagem, avisando como estava. Chegou a criar um grupo para dar notícias. A última conversa foi no dia 4 de outubro e, quando foi no dia 7, eu mandei mensagem e ele não chegou a responder. Todo final de semana ele mandava mensagem, porque durante a semana não podia falar por estar em treinamento”, contou.
A sobrinha afirmou que a família não recebeu fotos, vídeos ou documentos que comprovassem o que aconteceu. Ao questionar os colegas sobre as imagens, ouviu que elas só poderiam ser encaminhadas a um advogado.
Ainda conforme a sobrinha, a família não tem condições financeiras de arcar com os custos de um eventual traslado.
“Até o momento, essas são as informações que chegaram até nós. Como família, também temos muitas dúvidas e estamos tentando entender o que realmente aconteceu”, disse.
Além de lidar com a falta de informações sobre a morte, os parentes têm recebido críticas sobre a decisão de Jonas de ir para a guerra. A sobrinha disse que considera injusto que as pessoas julguem a escolha dele sem conhecer sua história e o sofrimento da família.
“Ele era meu tio, fazia parte da nossa família e era amado por nós. Independentemente de qualquer opinião sobre a escolha que fez, isso não muda o vínculo que tínhamos com ele nem a dor que estamos sentindo”, afirmou.
Para ela, o momento é de buscar respostas sobre o que aconteceu e entender como a família poderá lidar com a situação.
“Não estou contando isso para defender a guerra, nem para dizer que a decisão dele foi certa ou errada. Estou contando porque ele tinha uma história, tinha seus próprios desejos e fez uma escolha que, para ele, tinha um significado. Nós, como família, tínhamos medo, tentamos aconselhá-lo e queríamos que ele ficasse, mas não podíamos decidir a vida por ele”, completou.
Leia a íntegra da nota do Itamaraty:
“Esclarece-se, em primeiro lugar, que o Itamaraty não custeia o deslocamento de cidadãos brasileiros com o propósito mencionado, nem dentro nem fora do território nacional. No que tange a eventual contrato assinado, sugere-se, portanto, contato com as autoridades do país em cujo exército o brasileiro teria se alistado.
A Embaixada do Brasil em Kiev não tem registro do caso e está à disposição para prestar a devida assistência consular, quando acionada.
O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seção do Portal Consular do Itamaraty.
Informa-se que o Ministério das Relações Exteriores vem alertando os brasileiros sobre os riscos decorrentes da situação de segurança da Ucrânia desde maio de 2025, quando se publicou alerta consular desencorajando visitas de brasileiros às regiões próximas às frentes de combate.
Em julho do mesmo ano, foi publicado novo alerta consular, o qual foi atualizado em setembro de 2026, recomendando a recusa a ofertas de trabalho e de participação em exércitos estrangeiros.”

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