
Campanhas arrecadaram mais de US$ 15 bilhões para a disputa que renova o Congresso americano.
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As eleições de meio de mandato renovam parcialmente o Congresso dos Estados Unidos na metade do mandato presidencial.
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, nesta terça-feira (3), devem ser as mais caras da história, segundo a imprensa americana. Partidos políticos investiram pesado para tentar equilibrar forças e eleger o maior número possível de deputados e senadores.
Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.
Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis.
Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
Sendo assim, desta vez, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.
Segundo dados da Comissão Eleitoral Federal, compilados pela emissora NPR, as campanhas arrecadaram mais de US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões). Metade desse valor já havia sido gasta até a primeira quinzena de outubro.
Apesar de os candidatos democratas terem arrecadado mais dinheiro em diversas disputas, os republicanos contam com grupos políticos que têm grandes reservas para financiar campanhas e anúncios eleitorais.
Entre julho e setembro, candidatos democratas ou independentes arrecadaram mais do que os adversários republicanos em 27 das 35 disputas pelo Senado, segundo a NPR.
Nas 13 corridas consideradas mais competitivas, os democratas arrecadaram quase cinco vezes mais do que os republicanos.
Já quando se considera o dinheiro disponível para organizações externas que apoiam os partidos, os republicanos levam vantagem.
Segundo a Associated Press, grupos ligados a Trump tinham cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) disponível para investir nas eleições, contra aproximadamente US$ 579 milhões (R$ 2,9 bilhões) de organizações democratas semelhantes.
Parte desses recursos vem de grandes doadores.
O empresário Elon Musk, por exemplo, transferiu US$ 158 milhões (R$ 793 milhões) para o Senate Leadership Fund, grupo alinhado aos republicanos no Senado.
Ele também fez outras doações a organizações que apoiam candidatos do partido.
Parte do dinheiro foi usada na disputa pelo Senado no Texas, onde o republicano Ken Paxton enfrenta o democrata James Talarico.
No fim de outubro, Trump anunciou que investiria mais de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) para ajudar candidatos republicanos. Do lado democrata, o empresário Michael Bloomberg prometeu investir US$ 80 milhões (R$ 400 milhões) em apoio a candidatos do partido, segundo a Reuters.
Vale lembrar que, ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm horário eleitoral gratuito.
Além disso, embora exista a opção de financiamento público de campanhas, essa modalidade impõe uma série de restrições. Por esse motivo, os candidatos tendem a optar pela arrecadação de recursos junto a doadores privados.
Veja, a seguir, um guia de perguntas e respostas sobre as eleições de 2026:
1. O que são as midterms e por que elas têm esse nome?
As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial.
As últimas eleições ocorreram em 2024. Trump tomou posse em janeiro de 2025, assim como os deputados e senadores eleitos naquele ano.
Em novembro de 2026, Trump estará na metade do mandato presidencial, enquanto os deputados eleitos em 2024 e os senadores eleitos em 2020 estarão perto do fim do mandato.
Os parlamentares eleitos nas midterms tomarão posse em janeiro de 2027.
Trump não disputa a eleição, e o mandato presidencial dele termina em janeiro de 2029.
A próxima eleição presidencial será em 2028. Na mesma data, haverá eleições para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das vagas do Senado.
2. Quando será a eleição e quando sai o resultado?
A eleição está marcada para terça-feira (3). No entanto, a votação antecipada já começou em alguns estados, e parte dos eleitores já votou pelo correio.
Cada estado é responsável por apurar os próprios votos. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm um órgão nacional como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por coordenar as eleições em todo o país.
Em geral, a apuração começa assim que os locais de votação fecham. O horário varia de estado para estado. Na Flórida, por exemplo, a votação termina às 19h. Em Nova York, os eleitores têm até as 21h. No Tennessee, o horário varia de acordo com o condado.
Os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite do dia 3. No entanto, pode levar dias até que seja possível saber qual partido terá o controle da Câmara e do Senado.
Em 2022, por exemplo, a disputa pelo controle da Câmara só foi definida mais de uma semana após a eleição. A demora ocorreu, entre outros fatores, porque alguns estados levam mais tempo para contar os votos enviados pelo correio.
3. Quais cargos estão em disputa?
O sistema eleitoral dos Estados Unidos tem diferenças importantes em relação ao brasileiro. No Congresso, por exemplo, o Senado e a Câmara dos Representantes seguem regras diferentes.
No Senado, cada um dos 50 estados tem direito a duas cadeiras, independentemente do tamanho da população. Por isso, a Casa tem 100 senadores no total.
Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população. Cada deputado representa uma região, chamada de distrito eleitoral.
Nestas eleições, estão em disputa:
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil.
Os americanos também vão eleger 35 senadores. Ao todo, o Senado tem 100 cadeiras.
Também haverá eleições para governador em 36 estados americanos.
4. Trump não está nas urnas, mas por que essa eleição é crucial para ele?
Nas eleições de 2024, o Partido Republicano, o mesmo de Trump, conquistou a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado. Com isso, a legenda passou a controlar a pauta e as votações nas duas Casas.
Isso permitiu que Trump aprovasse pautas importantes para o governo dele. Ainda assim, ele enfrentou dificuldades, já que a maioria republicana é pequena e alguns parlamentares do partido contrariaram o presidente em votações.
Agora, Trump quer manter a maioria para continuar tendo apoio no Congresso. Uma derrota na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas poderia dificultar a aprovação de projetos do presidente e abrir espaço para os parlamentares barrarem ações do governo e abrir investigações.
Para evitar o avanço democrata, Trump tem percorrido o país quase diariamente para participar de comícios eleitorais. Mais recentemente, prometeu pagar um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto americano caso os republicanos vençam as eleições.
Nos meses anteriores, o presidente também estimulou e apoiou mudanças nos mapas eleitorais para favorecer o próprio partido em alguns estados e garantir assentos na Câmara.
Trump também adotou medidas para tentar restringir o voto pelo correio, alegando que há fraudes nesse modelo. Dados apontam que eleitores democratas são mais propensos a votar pelo correio do que os republicanos.
Ainda assim, existe um alerta na Casa Branca. A poucos dias das eleições, pesquisas apontam que a desaprovação do presidente gira em torno dos 60%.
5. Como está a disputa para o Senado?
Pesquisas e projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nas eleições de novembro.
Atualmente, os republicanos têm 53 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 47 senadores, incluindo dois independentes que costumam votar junto com o partido. As projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir de 2027.
O centro acadêmico acompanha as eleições nos EUA e reúne projeções sobre as disputas. Na última atualização, de 29 de outubro, o cenário era o seguinte:
Democratas: 49 cadeiras
Republicanos: 46 cadeiras
Disputas indefinidas: 5 cadeiras
A plataforma do jornalista político Logan Phillips projeta os resultados eleitorais com base em pesquisas. Em 30 de outubro, a previsão era a seguinte:
Democratas: 53 cadeiras
Republicanos: 47 cadeiras
Chance de vitória dos democratas: 78,4%
O site reúne projeções de diferentes fontes e apresenta cenários para a composição do Senado após as eleições.
6. Como está a disputa para a Câmara?
De acordo com as pesquisas, o Partido Democrata é favorito para conquistar o controle da Câmara.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 47% dos eleitores disseram que pretendem votar em um candidato democrata, enquanto 35% afirmaram que pretendem escolher um republicano.
Atualmente, os republicanos têm 218 cadeiras na Casa, enquanto os democratas contam com 214 deputados. Há ainda um deputado independente e duas vagas em aberto.
Assim como no Senado, as projeções indicam que esse cenário pode mudar a partir do ano que vem.
AI outlook — possibilities, not facts
Divulgação dos primeiros resultados na noite de terça-feira
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