
Durante culto na Assembleia de Deus Ministério Madureira no Maracanãzinho, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ouviu o bispo Samuel Ferreira fazer declarações com carga política, incluindo o repetido lema 'irmão vota em irmão' e elogios ao senador como futuro presidente, configurando possível abuso de poder religioso segundo a Justiça Eleitoral.
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O evento ocorreu durante um culto para celebrar o centenário da Assembleia de Deus Ministério Madureira, no ginásio Maracanãzinho, na zona norte do Rio de Janeiro, com participação de líderes religiosos e políticos alinhados ao bolsonarismo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) cantou e recebeu pedido simulado de voto neste sábado (10), durante um culto para celebrar o centenário da Assembleia de Deus Ministério Madureira, no ginásio Maracanãzinho, na zona norte do Rio de Janeiro.
O uso da estrutura e da autoridade de uma igreja pode configurar abuso de poder religioso. A classificação não existe no código eleitoral, mas tem sido usada pela Justiça Eleitoral para moderar a influência de líderes religiosos sobre seus fiéis.
As falas com carga política foram feitas pelo bispo Samuel Ferreira, um dos líderes da Assembleia de Deus. Após entoar e coordenar um coro no ginásio lotado, que, por 14 vezes, repetiu o lema "irmão vota em irmão", Ferreira disse que não estava pedindo voto. Flávio se declara evangélico.
"Se a mídia aqui presente disser que estou pedindo voto, está completamente equivocada. Eu só estou dizendo 'irmão vota em irmão'. Se eu pudesse pedir voto, eu pediria. Mas eu não gosto de pedir voto aqui, porque vão falar que eu pedi voto. Mas, se eu pudesse, eu pediria. Pediria voto para o Flávio. Porque o Flávio é honesto. Pediria voto para o Flávio, porque o Flávio é sério", afirmou Ferreira.
"Pediria voto para o Flávio, porque o Flávio é crente. Pediria voto para o Flávio, porque foi ele o indicado pelo [ex-] presidente [Jair Bolsonaro]. Pediria voto para o Flávio, porque ele é cheio de Deus, mas eu não posso pedir voto. Se eu pudesse, eu pediria, e se alguém disser que eu estou pedindo, está enganado, porque eu não posso pedir voto", disse Samuel Ferreira.
Em seguida, o bispo afirmou que a igreja se empenharia na campanha, sem mencionar diretamente a candidatura do presidenciável.
"O que eu posso é dizer que nós vamos redar a camisa. Nós vamos romper o cerco. Essa igreja nunca se firmou no anonimato", afirmou o líder da denominação.
Logo em seguida, convidou Flávio para o púlpito, chamando-o de "futuro presidente da República Federativa do Brasil". O público começou a gritar: "É 22!", em referência ao número deurna do candidato.
"O bispo não pediu, mas a igreja está pedindo", disse Flávio.
"Não pensem que é fácil sair de casa todos os dias e enfrentar, além de inimigos mentirosos, que tentam usar a arma do diabo, que é mentira, para enganar muita gente. E mais do que isso, pessoas que são perigosas. Enfrentá-las não é fácil. E, mais do que isso, enfrentar essa guerra espiritual que o Brasil está passando nesse momento não é fácil", disse o senador.
Ao final de seu discurso, Flávio cantou a música "Hino da Vitória" ao lado da cantora gospel Meire Cerqueira.
O bispo Silas Malafaia estava presente, mas, no período em que a imprensa esteve no local, não fez discurso com teor político. Também acompanhou a cerimônia o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).
Samuel Ferreira também falou em saudade do ex-presidente Jair Bolsonaro e lamentou a sua prisão.
"A gente queria dar um oi. A gente queria mandar um beijo para ele. Que país é esse? Onde nós estamos? Dói. Mas dói muito. Porque nós temos e respeitamos a lei, ainda que discordemos dela. Mas morreremos respeitando", afirmou o bispo.
A expressão "irmão vota em irmão" foi cunhada no título do livro de Josué Sylvestre, assessor parlamentar ligado a outra Assembleia, citado por Samuel Ferreira em sua pregação.
AI outlook — possibilities, not facts
A Justiça Eleitoral abrirá um procedimento para investigar se o culto configurou abuso de poder religioso.
Likely · Within weeks
Novos eventos com apelos políticos semelhantes ocorrerão em ambientes religiosos nos meses que antecedem as eleições municipais de 2026.
Possible · Within months

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