
Governo francês reforça segurança com veículos blindados e canhões de água após episódios de violência e saques em diversas cidades.
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Os protestos começaram em escolas de ensino médio em Créteil devido à falta de funcionários e expandiram-se para demandas sobre custo de vida.
A França vai mobilizar cerca de 70 mil agentes de segurança em todo o país para as novas manifestações previstas para este fim de semana, afirmou o ministro do Interior, Laurent Nunez, nesta sexta-feira (23).
Ele alertou que apelos à violência e a saques já circulam nas redes sociais.
"Identificamos numerosos apelos de movimentos de extrema esquerda e de extrema esquerda radical", disse Nunez em uma coletiva de imprensa.
Segundo o ministro, o efetivo mobilizado vai incluir unidades policiais de elite, cerca de 20 veículos blindados e 15 veículos com canhões de água.
Na última quinta-feira (22), milhares de pessoas foram às ruas de Paris, enquanto outras cidades francesas proibiram manifestações após confrontos e saques registrados no fim de semana. Os episódios foram considerados os mais violentos dos últimos anos no país.
Desde o último sábado (17), 2.700 pessoas foram presas em razão das manifestações e das invasões de estabelecimentos comerciais, segundo o ministro da Justiça francês, Gerald Darmanin.
Novas proibições são esperadas para os próximos dias. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que as medidas têm como objetivo proteger os centros das cidades, os estabelecimentos comerciais e os prédios públicos.
O direito à manifestação é protegido pela Constituição francesa. Grupos de estudantes do ensino médio e universitários afirmaram que continuarão mobilizados, apesar do início do recesso escolar de outono nesta semana.
Macron atribuiu a violência do fim de semana a ações de grupos de extrema esquerda radical que, segundo ele, pretendiam derrubar a República, além de criminosos interessados em saquear estabelecimentos.
A onda de distúrbios em Paris e em outras cidades levou as autoridades a reforçar a segurança. Toques de recolher noturnos foram adotados em algumas regiões da capital e em outros municípios onde a situação já havia sido controlada.
As manifestações da quinta-feira foram consideradas uma preparação para um grande ato previsto para sábado (24). A expectativa é que ativistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais francesa, se juntem ao movimento dos coletes amarelos, que organizaram protestos contra os preços dos combustíveis em 2018 e 2019.
Autoridades locais informaram que também pretendem proibir algumas manifestações em cidades como Lyon, Marselha e Montpellier.
Municípios fora da capital também foram atingidos pelos distúrbios. Em Limoges, um incêndio quase destruiu a prefeitura, um edifício do século XIX.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, se reuniu na última quarta-feira (21) com representantes sindicais e afirmou que uma operação de segurança de grandes proporções será organizada para sábado. O objetivo é evitar a repetição dos episódios de violência provocados por pequenos grupos, que expuseram falhas nas medidas de segurança.
Os representantes dos sindicatos disseram que a reunião não resultou em propostas concretas. Agora, as entidades concentram esforços em outra jornada de mobilização, prevista para 5 de novembro, e convocaram trabalhadores dos setores público e privado a participar.
As manifestações começaram no mês passado em uma escola de ensino médio em Créteil, nos arredores de Paris, em reação à falta de funcionários. Em seguida, paralisações de aulas, bloqueios e protestos se espalharam por outros subúrbios da capital e chegaram a diferentes regiões do país, incluindo cidades menores.
Os estudantes reivindicam mais recursos para as escolas, melhorias na infraestrutura e a contratação de funcionários, principalmente em bairros de menor renda. Parte dos manifestantes também pede mudanças no sistema de ingresso nas universidades, considerado complexo e injusto por críticos.
Diante da dificuldade do governo em atender às reivindicações estudantis, os atos e bloqueios escolares passaram a incorporar outras demandas, incluindo protestos contra o aumento do custo de vida.
A ampliação do movimento ocorre meses antes da eleição presidencial de 2027, que escolherá o sucessor de Macron.
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Realização de grande ato de protesto no sábado (24)
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