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BackInfluente em Brasília, derrotado em 'casa': o revés eleitoral de Randolfe no Amapá
Influente em Brasília, derrotado em 'casa': o revés eleitoral de Randolfe no Amapá
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G15 hours agoPolitics4 min readBrazilView translation

Influente em Brasília, derrotado em 'casa': o revés eleitoral de Randolfe no Amapá

Senador e líder do governo no Congresso não conseguiu se reeleger em pleito marcado por renovação e polarização nacional.

Quick Look

  • Após 15 anos no Senado, Randolfe Rodrigues (PT) perdeu a reeleição pelo Amapá.
  • Eleitores escolheram Rayssa Furlan e Lucas Barreto em um pleito marcado por polarização e desejo de renovação.

AI-generated summary

Why It Matters

Randolfe Rodrigues atuou por 15 anos como senador pelo Amapá e foi líder do governo no Congresso.

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Durante os últimos 15 anos como senador pelo Amapá, Randolfe Rodrigues (PT) esteve no centro das principais articulações políticas de Brasília. Líder do governo no Congresso, protagonista em CPIs e negociações de interesse do Planalto, ele construiu projeção nacional além das fronteiras do estado que representava. O ciclo chega ao fim em 2026, já que Randolfe não conseguiu se reeleger.

No Amapá, os eleitores escolheram para o Senado Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD). O resultado deixou de fora um dos parlamentares mais conhecidos nacionalmente e simbolizou uma renovação da representação amapaense no Senado.

Randolfe Rodrigues foi o 3º mais votado ao Senado pelo Amapá em 4 de outubro e perdeu as duas vagas que estavam em disputa no pleito.

Mas, afinal, por que um parlamentar reconhecido por sua influência política em Brasília não conseguiu repetir esse prestígio nas urnas de seu estado?

Para analistas ouvidos pelo g1, as razões para a derrota vão desde a crescente popularidade do parlamentar, que pode ter contribuído para alterar a forma como parte do eleitorado do Amapá o enxerga, até o ganho de relevância política que expôs sua candidatura a disputas ideológicas nacionais.

O cientista político e professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Paulo Gustavo Pellegrino, diz que a polarização nacional ajuda a explicar o desempenho nas urnas.

"Evidentemente, uma polarização entre direita, extrema-direita com a esquerda, centro-esquerda tem um reflexo no local muito grande. Isso não significa exatamente em que o Amapá é, fundamentalmente, um Estado de direita[...], mas que a direita conseguiu se articular para ganhar os eleitores de forma muito mais ampla do que o centro e principalmente mais do que a esquerda", disse.

A derrota de Randolfe, segundo cientistas políticos, passa ainda por diferentes hipóteses, sendo um dos exemplos mais emblemáticos da renovação que atingiu lideranças experientes e conhecidas nacionalmente nas eleições de 2026.

Em nota enviada ao g1, o senador afirmou que a decisão das urnas deve ser sempre acolhida com maturidade e respeito democrático. "O resultado local reflete um movimento mais amplo que atravessou o país e reconfigurou forças no Parlamento, impactando o Amapá na mesma medida em que se fez sentir em diversas outras regiões do Brasil".

Figura nacional ou do Amapá?

Uma das vozes mais conhecidas do Congresso, Randolfe, segundo os especialistas ouvidos pelo g1, manteve seu protagonismo nacional sem deixar de lado as pautas amapaenses.

Professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Dr. Paulo Gustavo Pellegrino Correa, que é cientista político e coordenador do Programa de pós-graduação em Estudos de Fronteira, cita como exemplos a atuação do senador em temas considerados estratégicos para o Estado, como a exploração de petróleo na Margem Equatorial, a transposição de servidores e demandas ligadas à própria universidade federal.

"Eu não vejo o Randolfe tendo se distanciado das pautas amapaenses. Por exemplo, vou considerar a pauta amapaense o petróleo, a questão da transposição, sua participação dentro da Unifap. São pautas locais em que ele esteve bastante atuante", afirma.

Na mesma linha, o também professor da Unifap, Dr. Daniel Chaves, que é pesquisador de política e história contemporânea, avalia que a derrota não pode ser explicada apenas a partir de fatores locais. Segundo ele, houve uma mudança mais ampla no comportamento do eleitorado amapaense, que se refletiu em diferentes disputas realizadas neste ano.

"Há uma mudança de polaridade. Cerca de 60% do eleitorado [do Amapá] se posicionou por mudança em outubro deste ano, em nível estadual", disse.

Dr. Furlan, ex-prefeito de Macapá, foi eleito governador ao derrotar Clécio Luís (PSD), candidato que tentava reeleição ao governo do Estado.

Polaridade na disputa

Mesmo alinhado às pautas amapaenses, especialistas avaliam que o fato de Randolfe ter assumido protagonismo em temas nacionais e se tornado um dos principais defensores do governo Lula no Congresso pesou no ambiente eleitoral.

Daniel Chaves avalia que a derrota deve ser entendida em um contexto maior de disputa entre campos políticos nacionais.

"A política nacional, de polarização entre progressistas e conservadores, também influenciou. Houve uma mudança de compreensão do eleitorado e o posicionamento nacional do senador também foi alvo desse deslocamento", afirma.

Apesar disso, ele pondera que a participação em CPIs, articulações e debates nacionais não deve ser encarada como um 'erro político'.

"Quem não se posiciona em política é, por consequência, posicionado. Foi um investimento em um projeto nacional com o qual seu mandato se identificava. Isso não significa que politicamente Randolfe é um derrotado. Política é longa como um filme; eleições são um retrato desse filme em determinado momento." explicou.

Para ele, o resultado eleitoral não encerra a influência política construída ao longo de mais de uma década e meia.

Renovação ou perda de influência?

Os especialistas divergem sobre o significado da troca de representação no Senado. Para Pellegrino, a saída de Randolfe tende a reduzir, ao menos inicialmente, o peso político do Amapá em Brasília.

"O destaque nacional do Randolfe em Brasília faz com que sua saída represente uma perda de peso político em um primeiro momento", avalia.

Ele cita que tanto Randolfe quanto o senador Davi Alcolumbre (União Brasil), que não concorreu à reeleição ao Senado, acumulavam influência nacional difícil de ser substituída imediatamente pelos novos eleitos.

Já Daniel Chaves vê o resultado como uma escolha legítima do eleitorado em um processo democrático de renovação, com novos atores políticos.

"A urna é soberana. O eleitor amapaense fez suas escolhas e a vida política continua para além do voto. O Senador Randolfe seguramente atuará, como político histórico que é, na construção do campo progressista e suas reavaliações", disse.

Olhando para o futuro, Randolfe diz que seus valores permanecem inabaláveis e que seguirá defendendo a democracia e buscando avanços sociais e econômicos.

"Nosso compromisso com a população amapaense e com o desenvolvimento do estado permanece firme, e continuaremos trabalhando pelo Amapá com a mesma dedicação de sempre", afirmou o senador.

Open Questions

  • Quais serão os próximos passos políticos de Randolfe Rodrigues?
  • Como a nova bancada do Amapá atuará no Senado?

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This article was originally published by G1.

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