
Organização fundada por Rich Logis oferece suporte emocional e informativo para pessoas que buscam se desvencilhar da ideologia e das teorias de conspiração do movimento MAGA.
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A organização Leaving MAGA foi criada em 2024 para auxiliar ex-apoiadores de Donald Trump a romper com o movimento. O grupo foca em pessoas que buscam se desvencilhar de métodos violentos e desinformação.
A organização funciona como um grupo de apoio a dependentes —no caso, do presidente Donald Trump e do movimento extremista que o sustenta. Criada em 2024, a “Leaving MAGA” (Rompendo com o MAGA) recebe e ajuda quem se arrependeu de ter se aliado a ele e quer se desvencilhar dos métodos violentos e radicais, das teorias de conspiração, da desinformação e da ideologia que cercam o movimento “Faça a América Grande Novamente”.
“O que eu diria hoje sobre mim é que me tornei um ser humano renascido”, resume o fundador do grupo, o escritor Rich Logis, autor de “One betrayal too many: why I left MAGA” ("Traições demais: porque eu deixei o MAGA", em português).
Logis conta que se tornou ativista e admirador fervoroso de Trump em 2015, após enxergar no magnata republicano o disruptor disposto e capaz de destruir a ordem política. Ele se engajou no MAGA, foi comentarista político na Fox News e no Federalist e participou das campanhas presidenciais em 2016 e 2020.
As decepções vieram com a gestão de Trump durante a pandemia da Covid e a invasão de simpatizantes do presidente ao Capitólio. Em agosto de 2022, conseguiu desligar-se do movimento.
“Foi preciso um ano de uma luta interna emocionalmente exaustiva antes que eu conseguisse deixar o movimento MAGA. Quando finalmente saí, em 30 de agosto de 2022, troquei o caos pela estabilidade. A decisão foi libertadora. Eu não precisava mais defender o indefensável nem justificar o injustificável”, escreveu ele no site da organização.
Em depoimentos, ex-integrantes do MAGA dizem ter sido doutrinados por influenciadores e radialistas de extrema direita, como Rush Limbaugh, Ben Shapiro e Tucker Carlson. Em comum, dizem não se arrepender apenas de terem votado em Trump, mas de terem militado por ele com entusiasmo, guiados pela desinformação.
Jennie Gage, do Arizona, lembra que via Trump como “um homem de família atendendo a um chamado por Deus para liderar o país”. Ela tinha certeza de que ele tinha se convertido ao cristianismo.
“O MAGA se tornou minha identidade por completo. Trump era a minha foto de perfil nas redes sociais. Eu postava declarações de amor por ele."
Paralelamente ao fanatismo pelo presidente, Jennie relata que se dava conta de que Trump aglutinava grupos com ideologias odiosas: mórmons, skinheads, batistas do Sul e evangélicos. “Ele se tornou o Grande Mago de todos os grupos nacionalistas cristãos nos Estados Unidos. É a fusão político-religiosa definitiva”, conta.
A ficha começou a cair pela via da informação e de novas amizades, diz ela. Jennie leu livros sobre racismo, feminismo e gênero. “Minha visão do mundo anterior desmoronou. Percebi que a maior parte do que eu acreditava não era verdade. Há alguns anos, abandonei o cristianismo.”
Para Belle Sarnes, que cresceu em uma comunidade mórmon em Utah, o rompimento com o MAGA veio com a participação de Trump nos arquivos do criminoso sexual Jeffrey Epstein e com a campanha de deportação em massa promovida no segundo mandato.
“Sinto vergonha e remorso por ter sido tão ingênua, a ponto de acreditar que imigrantes ilegais estavam dominando os EUA, que essas pessoas estavam levando nossos impostos e vivendo às custas do país. Eles estão simplesmente visando qualquer pessoa de pele morena. É um Holocausto moderno. Devastador, para dizer o mínimo.”
Rich Logis, o fundador da “Leaving MAGA”, acredita que sem uma comunidade para integrá-los, é mais difícil para os céticos abandonarem o movimento. Nesse processo de desintoxicação da ideologia radical, a entidade facilita, por meio do grupo Solutions and Serenity, encontros para ajudar parentes a interagir com pessoas que foram afetadas pelo MAGA.
Outra ação da “Leaving MAGA” é a campanha de outdoors em 20 estados dos EUA com uma mensagem direta, dirigida aos filiados que questionam suas convicções e buscam abandonar o extremismo do movimento. “Tem dúvidas? Você não está sozinho.”

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