Leonardo encerrou a 71ª Festa do Peão de Barretos com um show focado em sucessos dos anos 1990, com pouca interação com o público, homenagem ao irmão Leandro e repertório marcado por nostalgia e coreografia dos anos 90.
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Leonardo é um cantor sertanejo que fez dupla com Leandro até a morte dele em 1998. A Festa do Peão de Barretos é um evento tradicional do interior de São Paulo.
O cantor abriu a última noite de shows do Estádio com um repertório quase todo de sucessos dos anos 1990. A apresentação foi mais curta e teve pouca conversa com a plateia.
Por Lucas Zanetti, g1 Ribeirão Preto e Franca
Fazia 24ºC quando Leonardo entrou no palco do Estádio de Barretos, às 23h em ponto deste sábado (29). O clássico ballet do cantor veio de vermelho cravejado de pedras, o primeiro acorde foi de "Te amo demais" e a arena cantou junto antes mesmo do refrão.
Em poucos minutos, a última noite de shows da 71ª Festa do Peão tinha virado uma festa dos anos 90.
"Estar aqui no Barretão é ser convocado pela Seleção Brasileira", disse ao público, repetindo uma comparação que já havia usado em coletiva de imprensa horas antes. Em seguida, mandou um recado a um ídolo. "Por falar em Seleção Brasileira, lembrei do Rivelino, da Copa de 1970. Ele tá tão bem. Aquele abraço para o Rivelino, que Deus dê muita saúde."
Na coletiva, o cantor havia dito que a apresentação seria mais curta do que o habitual por causa do número de atrações da noite, e que precisaria "passar a caneta" em algumas músicas ainda no camarim e prometeu deixar os hits do início da carreira e com o irmão Leandro.
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Uma sequência de hits, quase sem pausa
O show teve pouca conversa com a plateia. As músicas foram emendadas uma na outra, sem grandes intervalos, num formato que priorizou a quantidade de sucessos dentro do tempo disponível. E sucessos não foram poucos. Como de costume, o cantor embalou a arena do começo ao fim.
A abertura foi com "Te amo demais", a mesma da edição passada, seguida de "Rumo a Goiânia", "Cumade e Cumpade" e "Coração bandido". Depois vieram "Eu juro" e "Temporal de amor", que teve a performance de uma bailarina toda de branco.
Na sequência, "Deixaria tudo", "Um sonhador", que emocionou a plateia, "Triste solidão", "Sonho por sonho" e "Sublime renúncia".
A escolha por antecipar os hits dançantes mudou o desenho do show em relação a 2025. No ano passado, "Cumade e Cumpade" foi música de encerramento, ao lado de "Festa de Rodeio" e "Cerveja". Desta vez, apareceu logo no início.
O ballet e a estética dos anos 90
O tradicional ballet do cantor passou por três trocas de figurino ao longo da apresentação. As dançarinas entraram em looks vermelhos cravejados de pedras, apareceram de preto brilhante em "Triste solidão" e voltaram de rosa brilhante.
A cena remete aos programas de auditório da televisão dos anos 1990, período em que Leandro & Leonardo se firmaram como uma das maiores duplas do país. A estética voltou à moda, impulsionada pelas regravações de artistas mais novos e pela alta da nostalgia.
O próprio cantor comentou o fenômeno na coletiva. Segundo ele, boa parte do público jovem chegou às suas músicas por outro caminho.
"A juventude não conhecia minhas músicas", disse. "Aí vem uma dupla jovem, grava, bonito, e arrebenta. E eles falam: 'essa música é de quem? De vocês?' Não, é do Leandro e Leonardo."
A homenagem a Leandro
O momento mais emocionante da noite veio com "Não aprendi a dizer adeus". Ao som de um saxofone, o telão exibiu fotos da dupla.
Leandro morreu em 1998, vítima de câncer. Foi com ele que Leonardo construiu o repertório que sustentou o show inteiro, gravado entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 2000.
"Dentro da música, o Leandro foi meu pai, minha mãe, meu tudo", disse o cantor durante a entrevista.
Foi também ao lado do irmão que ele se apresentou em Barretos pela primeira vez, há cerca de 40 anos, quando a festa ainda não ocupava o parque atual.
"Era um parque pequeno, uma arena pequena, mas já explodia de gente. Cantei, sim, com meu irmão Leandro, com muito orgulho, muito prazer, alegria, lembranças, recordações", contou.
Mesmo com esse tempo de estrada, Leonardo disse que segue nervoso antes de subir ao palco da festa. "Ninguém acostuma cantar em Barretos."
Os goles no palco
Entre uma música e outra, o cantor tomou goles de bebida e shots no palco. "É o suco", brincou.
A cena repete o show de 2025, quando ele pediu uma "cachacinha" no meio da apresentação, e conversa com o que ele mesmo havia dito na coletiva, ao brincar com a própria aparência.
"Você pode ver que eu estou até meio mais inchado um pouquinho. Mas não foi por causa de peixe não, foi por causa da cana mesmo", afirmou, ao contar que chegou a Barretos depois de uma pescaria e de uma noite de cantoria com amigos.
O retorno em 2025
Esta é a segunda apresentação seguida de Leonardo em Barretos. Em 2025, o cantor voltou à festa depois de seis anos afastado do palco principal, e estreou na arena a turnê "Uma história sem fim", baseada no DVD que comemora as quatro décadas de carreira.
Naquele show, o ápice foi "Pensa em mim", também com saxofone. Neste ano, o instrumento reapareceu em outra função, na homenagem ao irmão.
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