
Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli do STF se declararam impedido e suspeito, respectivamente, no julgamento do caso Banco Master, citando mensagens vazadas e possíveis impactos políticos-eleitorais, após troca de acusações sobre regimento interno com o ministro Flávio Dino durante a sessão.
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O caso envolve acusações de favorecimento ao filho do ministro Kassio Nunes Marques por parte do Banco Master, com mensagens vazadas sugerindo negociação de vantagens. Dias Toffoli havia se afastado da relatoria em fevereiro de 2026 após reconhecer ser sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort para um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Na sequência, o presidente da Corte, Edson Fachin, perguntou se algum ministro gostaria de se declarar impedido ou suspeito. Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se manifestaram então e decidiram não participar do julgamento.
O ministro Kassio Nunes Marques foi o primeiro a pedir a palavra. Ele citou mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, vazadas para a imprensa horas antes da abertura da sessão. As mensagens tratam de suposto favorecimento ao filho dele. Em uma delas, de julho de 2025, Vorcaro manda para Luiz Renó, ex-diretor jurídico do Banco Master, o nome do advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio, e o telefone dele. Renó, então, questiona: “Esse aqui, R$ 500 mil por mês. Mantém?”.
Na sessão desta terça-feira (15), Kassio Nunes Marques afirmou que nunca trocou mensagens com o banqueiro e que o filho nunca recebeu vantagens:
"Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Isso é fato, porque o sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta se especular de outra forma, porque, se o sigilo já foi quebrado, contra fatos não existem argumentos. Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, do seu pai e de outras pessoas envolvidas".
Kassio Nunes Marques, ministro do STF — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Mesmo assim, o ministro alegou que o julgamento desta terça-feira (15) pode ter influência na eleição e que, por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral, preferia se declarar impedido de participar:
"Eu não tenho dúvida de que, em que pese, e os debates vão fluir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário político-eleitoral. Então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar deste julgamento e afirmo o meu impedimento".
Nunes Marques pediu para deixar a sessão.
O ministro Dias Toffoli também pediu a palavra. Lembrou que se retirou da relatoria do caso Master depois que reconheceu ser sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort para um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão de deixar a relatoria ocorreu em fevereiro de 2026, após uma reunião fechada entre todos os ministros da Corte, realizada depois de muita pressão. Desde então, Toffoli não tem participado de processos relacionados ao Master na Segunda Turma do STF.
Nesta terça-feira (15), o ministro reafirmou que não há indícios de crime cometido por ele, mas decidiu se declarar suspeito por foro íntimo e não participar do julgamento:
"Eu entendo que, como tenho me manifestado na turma pela suspeição, reforço, não por me sentir impedido, mas por suspeição, por foro íntimo, para preservação da Corte, no ponto de vista de eventuais especulações, mesmo sabendo do trânsito em julgado, eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento".
Dias Toffoli, ministro do STF — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Durante a manifestação de Dias Toffoli, houve o primeiro momento de tensão no plenário. O ministro Flávio Dino interrompeu o colega e pediu para fazer um aparte, uma breve fala enquanto Toffoli tinha a palavra. O presidente Edson Fachin interrompeu a intervenção de Dino e disse que o pedido para falar deveria ser dirigido a ele.
Edson Fachin: Ministro Flávio, gostaria de combinar: nesta sessão, a palavra sempre será solicitada à Presidência.
Flávio Dino: Eu vou seguir o regimento interno da Corte.
Edson Fachin: Que diz que a palavra é pedida à Presidência.
Flávio Dino: O aparte é dirigido ao relator.
Edson Fachin: Não. Vossa Excelência precisa pedir a palavra à Presidência. É o que eu estou lhe dizendo.
Flávio Dino: Presidente, eu vou seguir o regimento interno da Corte.
Edson Fachin: Pois Vossa Excelência terá a palavra porque eu estou lhe concedendo.
Flávio Dino: Eu vou seguir o regimento interno da Corte.
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