
Mulheres das comunidades quilombolas da Rasa, São Jacinto e Botafogo participaram do projeto Somos Divas na Luz do Candeeiro, desenvolvido pelo Instituto Carlos Scliar em parceria com a Prolagos, com oficinas semanais de cerâmia que promoveram aprendizado técnico, convivência, fortalecimento de vínculos e autonomia, além de benefícios para a saúde mental.
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O projeto Somos Divas na Luz do Candeeiro foi criado em 2020 com o objetivo de fortalecer a representatividade, liberdade e independência de mulheres quilombolas, estimular o potencial criativo e apresentar a arte como possibilidade de geração de renda.
Mulheres das comunidades quilombolas da Rasa, São Jacinto e Botafogo participaram do projeto — Foto: Prolagos
Toda quinta-feira, o encontro começava antes mesmo da chegada à Casa Scliar, no Centro de Cabo Frio. Um ônibus passava pelas comunidades quilombolas da Rasa, São Jacinto e Botafogo para reunir mulheres que, desde maio, compartilharam muito mais do que o aprendizado da cerâmica.
No trajeto, conversas, brincadeiras e trocas de experiências já preparavam o clima para algumas horas dedicadas à criação, ao convívio e à construção de novos vínculos.
Recentemente, o grupo encerrou mais uma etapa do projeto Somos Divas na Luz do Candeeiro, desenvolvido pelo Instituto Carlos Scliar em parceria com a Prolagos.
Mulheres das comunidades quilombolas da Rasa, São Jacinto e Botafogo participaram das oficinas semanais de cerâmica.
O trabalho manual incentiva a união entre as mulheres — Foto: Prolagos
Na sala onde as atividades acontecem, a argila passa de mão em mão e ganha diferentes formas. Pratos, canecas, folhas e outras peças surgem enquanto histórias são compartilhadas ao redor das mesas. Sob a orientação das ceramistas Juliana Cruz e Cristina Ventura, também coordenadora da Casa Scliar, cada participante encontra seu próprio ritmo para criar.
Para Cristina, a combinação entre arte, convivência e valorização das trajetórias dessas mulheres faz com que a iniciativa ultrapasse os limites de uma oficina de cerâmica.
“Quando existe um apoio que possibilita a continuidade do projeto e garante que essas mulheres consigam chegar até aqui todas as semanas, conseguimos construir algo que vai muito além do aprendizado de uma técnica. São
que fortalecem vínculos, estimulam a criatividade e criam um espaço onde elas podem compartilhar suas histórias e reconhecer suas próprias potencialidades”, destaca.
Um encontro que também cuida
Para Jussara da Silva, moradora do Quilombo da Rasa, as quintas-feiras passaram a ter um significado especial. Entre uma peça e outra, ela encontrou também um espaço para conversar, ouvir outras histórias e dedicar algumas horas a si mesma.
“Para mim, esse projeto foi uma verdadeira cura. A gente vinha para cá, encontrava outras mulheres, conversava, conhecia histórias diferentes e, ao mesmo tempo, colocava a mão na argila e aprendia. Foi muito importante também para a nossa saúde mental. Era um momento que a gente tinha para nós mesmas”, conta.
Além do aprendizado da cerâmica, participantes destacam os vínculos e momentos de convivência construídos durante as oficinas.
A experiência também marcou Maria Piedade, do Quilombo de Botafogo. Para ela, as amizades começaram ainda dentro do ônibus que levava o grupo até Cabo Frio.
“A nossa aula já começava dentro do ônibus. A gente vinha conversando, brincando e conhecendo melhor umas às outras. Aqui, aprendemos algo que muitas de nós nunca tinha feito. Além do aprendizado, ficam as amizades. Já estou sentindo falta dessa rotina de toda semana vir para o Centro de Cabo Frio para encontrar todo mundo”, afirma.
Arte, autonomia e novas possibilidades
Criado em 2020, o Somos Divas na Luz do Candeeiro tem como proposta fortalecer a representatividade, a liberdade e a independência de mulheres quilombolas, estimular o potencial criativo e apresentar a arte também como possibilidade de geração de renda.
Ao longo das oficinas, as participantes aprendem diferentes etapas do trabalho com a cerâmica, desde a modelagem da argila até a finalização das peças. Mas o projeto também abre espaço para a valorização da cultura, da memória e dos saberes das comunidades.
Nesta edição, a Prolagos viabilizou gratuitamente o transporte das participantes. A cada quinta-feira, um ônibus fretado pela concessionária percorreu as comunidades para levar as mulheres até a Casa Scliar e, ao final das atividades, conduzi-las de volta para casa.
Para Aline Araújo, coordenadora de Responsabilidade Social da Prolagos, esse apoio ajuda a eliminar barreiras de acesso e amplia as oportunidades de participação.
“Quando apoiamos um projeto como o Somos Divas na Luz do Candeeiro, estamos contribuindo para criar oportunidades de encontro, aprendizado, valorização da cultura e fortalecimento da autonomia dessas mulheres. Para a Prolagos, responsabilidade social também significa estar próxima das comunidades e apoiar iniciativas capazes de gerar impactos que permaneçam para além do período das oficinas”, afirma.
Projeto estimula criatividade, convivência e fortalecimento da autonomia participantes.
Embora as oficinas semanais tenham chegado ao fim, a experiência continua nas peças produzidas, nas técnicas aprendidas e nos vínculos construídos ao longo dos últimos meses.
Uma confraternização com exposição dos trabalhos está prevista para outubro, na Casa Scliar. O encontro vai reunir novamente o grupo e apresentar ao público as criações desenvolvidas nesta edição, valorizando as histórias e os significados que cada participante transformou em cerâmica.
A experiência continua nas peças produzidas, nas técnicas aprendidas e nos vínculos construídos — Foto: Prolagos
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Uma confraternização com exposição dos trabalhos será realizada em outubro na Casa Scliar.
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