Nepal enfrenta reconstrução de 20 mil casas após enchentes devastadoras
Quick Look
Autoridades do Nepal informaram que cerca de 20 mil casas precisarão ser reconstruídas após enchentes causadas pelo colapso de uma geleira em 26 de agosto, que deixou ao menos 1.280 mortos e milhares de desaparecidos e destruição em áreas fronteiriças com a China, enquanto buscas por sobreviventes continuam em túneis de hidrelétricas e murais de fotos de desaparecidos lotam hospitais em Katmandu.
AI-generated summary
Why It Matters
O colapso de uma geleira em 26 de agosto desencadeou uma enxurrada de gelo, rochas e lama que devastou regiões fronteiriças entre Nepal e China, causando inundações repentinas que destruíram vilarejos e infraestrutura.
O Nepal terá de reconstruir cerca de 20 mil casas em áreas devastadas pelas inundações, informaram as autoridades nesta quinta-feira (3), enquanto equipes de resgate continuavam as buscas por trabalhadores presos em túneis de projetos hidrelétricos e por milhares de pessoas que permanecem desaparecidas.
O colapso de uma geleira em 26 de agosto provocou uma enxurrada de gelo, rochas e lama que varreu a região fronteiriça com a China, destruindo vilarejos inteiro e deixando poucas casas de pé e intactas.
"Nossas estimativas preliminares indicam que 7.500 casas foram completamente destruídas, arrastadas pela água ou soterradas por escombros e lama", disse à Reuters Dharma Raj Upreti, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres.
Mesmo as casas que continuavam de pé não tinham condições de ser habitadas, afirmou Upreti. As autoridades estimam que cerca de 20 mil terão de ser reconstruídas em outros locais, mais seguros.
"Prevemos que os recursos necessários para a reconstrução serão substanciais", disse o ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, a embaixadores em Katmandu.
O desastre matou ao menos 1.280 pessoas, segundo dados divulgados por autoridades dos dois países. Do total de mortos, 1.259 foram registrados no Nepal, segundo balanço da polícia, e 21 no lado chinês, de acordo com a imprensa estatal. Ao menos 5.624 pessoas estão desaparecidas.
Em Katmandu, Sati Sigdel visita diariamente um mural de um hospitalcoberto por centenas de fotografias —algumas de parentes desaparecidos, outras de corpos encontrados, mas ainda não identificados—, na esperança desesperada de obter notícias de sua prima.
"Colocamos a foto dela há três dias, mas ainda não tivemos nenhuma notícia", disse Sigdel sobre sua prima, Sweety Paithan.
As esperanças de encontrar sobreviventes diminuem a cada dia, mais de uma semana após o desastre, embora as autoridades nepalesas prossigam com as buscas.
Na noite de quarta-feira (2), algumas pessoas vindas de várias regiões do montanhoso Nepal examinavam atentamente as fotos no mural do Hospital Universitário Tribhuvan, na capital, e perguntavam aos guardas que estavam por perto se tinham ouvido os nomes de seus parentes.
"Estamos esperando um milagre", disse Sapna Neupane, que tentava entrar em contato com a família de quatro pessoas de seu tio materno, todas desaparecidas. "É difícil simplesmente ficar diante deste mural, olhando para milhares de fotos."
Algumas fotos fazem parte de cartazes preenchidos meticulosamente com informações sobre os desaparecidos e números de contato, enquanto outras têm anotações feitas à mão sob as imagens.
BUSCAS POR DESAPARECIDOS CONTINUAM
Mais de 9.300 militares nepaleses estavam mobilizados nas áreas afetadas, coordenando as operações de busca e resgate de feridos e auxiliando no manejo dos corpos, na desobstrução de estradas e na prestação de atendimento médico de emergência, informou o Exército em comunicado.
Uma estudante australiana de medicina cujo companheiro desapareceu perto da fronteira entre o Nepal e a China pediu às empresas de tecnologia que ampliem a ajuda nas buscas. Ela quer que dados de rastreamento sejam compartilhados com as autoridades para delimitar as áreas onde equipes de resgate devem procurar.
Pelo menos 583 estrangeiros estavam desaparecidos nas inundações, informou o governo do Nepal nesta quinta. Muitos deles eram peregrinos e praticantes de trekking.
Um oficial do Exército, que falou sob condição de anonimato por não ter autorização para falar com a imprensa, disse que as buscas prosseguiam, com especialistas da Índia, da Coreia do Sul e da China, por pelo menos 900 sobreviventes que se acredita estarem presos nos túneis ligados a projetos hidrelétricos.
O porta-voz do Exército, Raja Ram Basnet, disse que dois corpos foram retirados do túnel da usina hidrelétrica de Langtang Khola. A Austrália prometeu apoio adicional e afirmou que também compartilharia dados de telecomunicações com as autoridades nepalesas.
A China enviou uma terceira remessa de ajuda ao Nepal, incluindo barracas, cobertores, trajes de proteção médica e equipamentos de comunicação por satélite, informou o Ministério das Relações Exteriores.
As informações sobre as operações de resgate no Tibete, em grande parte divulgadas pela mídia estatal chinesa devido às restrições ao acesso de jornalistas estrangeiros à região, diminuíram um dia após a reabertura da rodovia nacional G216, que leva à área atingida.
Ativistas tibetanos e grupos de direitos humanos acusam a China de subdimensionar deliberadamente o número de mortos no território sob seu controle. Pequim classificou as acusações como uma "campanha maliciosa de difamação e sensacionalismo".
As autoridades trabalhavam para restabelecer as rotinas normais tanto quanto possível, com foco em levar as crianças a escolas improvisadas.
Mais de uma semana após as inundações, pelo menos 22 mil crianças ainda precisam de água potável, saneamento e apoio de higiene, segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) .
"Nossa prioridade é restabelecer a normalidade. Estamos avaliando se as crianças podem ter aulas nos centros de acolhimento", disse Phanindra Paudel, funcionário do Centro Nacional de Operações de Emergência do Nepal.
Encontrar prédios seguros para as aulas, porém, era um desafio, segundo professores.
"Estamos procurando prédios seguros e vazios onde possamos retomar as aulas", disse Rajendra Dawadi, diretor de uma escola, que ajudou a salvar cerca de 900 alunos ao retirá-los do local a tempo.
Um terremoto de magnitude 5 atingiu o extremo oeste do Tibete, perto da fronteira com a Índia, nesta quinta-feira, segundo o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências. O epicentro fica distante da região atingida por enchentes repentinas.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
As buscas por sobreviventes nos túneis de hidrelétricas continuarão nas próximas semanas com apoio internacional.
Likely · Within weeks
A reconstrução de 20 mil casas em áreas mais seguras será um processo de longo prazo dependente de financiamento internacional.
Likely · Within months
Open Questions
- Qual é o número exato de pessoas ainda desaparecidas nos túneis de hidrelétricas?
- Quais são os planos detalhados para a reassentamento seguro das 20 mil famílias afetadas?
- Como será garantida a transparência na contagem de mortos no território chinês do Tibete?







