Operação Verifact: veja como hackers de SP e MG invadiam sistemas de bancos para vender dados de clientes
Operação da 2ª Dcciber cumpre mandados em Ribeirão Preto e Três Corações contra esquema de fraudes bancárias
Quick Look
- Operação Verifact prende um suspeito e busca outro por invasão a sistemas do Banco Safra e Santander entre fevereiro e março de 2026.
- Criminosos vendiam ferramentas e listas de CPFs na deep web por R$ 1,5 mil a R$ 3,5 mil.
AI-generated summary
Why It Matters
A investigação começou após o Banco Safra detectar acessos automatizados fora do padrão entre fevereiro e março de 2026. O banco alertou o Santander em 9 de março de 2026, e ambos formalizaram representação criminal na Polícia Civil de São Paulo.
A ação foi realizada no dia 28 de outubro pela 2ª Delegacia sobre Fraudes contra Comércio Eletrônico praticadas por Meios Eletrônicos (2ª Dcciber), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), com mandados judiciais em Ribeirão Preto (SP) e Três Corações (MG).
Em Ribeirão Preto, os agentes prenderam em flagrante João Pedro Frota da Silva, de 23 anos. Segundo os investigadores, ele dormia enquanto seu computador realizava invasões automatizadas em tempo real.
O segundo investigado, Ivan Wallace Mendes Pereira, de 23 anos, não foi localizado em Três Corações e é considerado foragido pela Justiça. A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos investigados.
Segundo o delegado Maicon Richard de Moraes, da 2ª Dcciber, a investigação revelou que os suspeitos focavam no desenvolvimento e na venda das ferramentas de invasão para alimentar uma rede de crimes cibernéticos em todo o país.
"Os indivíduos alvos dessa operação atuavam diretamente na invasão ao sistema e na criação de ferramentas. Eles verificavam a potencialidade dessa ferramenta a partir da invasão e a vendiam para pessoas que, essas sim, efetivamente praticavam crimes na área cibernética", afirmou Moraes.
Como os bancos descobriram os acessos suspeitos
As investigações policiais tiveram início após o Banco Safra detectar um volume fora do padrão de acessos automatizados em seus sistemas de atendimento e consultas de clientes entre fevereiro e março de 2026.
Ao analisar o comportamento da rede, a equipe de cibersegurança da instituição identificou disparos massivos de requisições concentrados em curto espaço de tempo e originados de milhares de endereços de internet diferentes.
O padrão de velocidade, a sequência e a periodicidade das consultas eram incompatíveis com o comportamento de usuários humanos.
Diante das evidências de um ataque cibernético direcionado, o Banco Safra alertou o Santander sobre o caso em 9 de março de 2026. O setor de fraudes do Santander analisou seu próprio ambiente e identificou investidas com o mesmo padrão técnico.
A constatação de que as instituições enfrentavam o mesmo tipo de ataque levou os setores de segurança dos bancos a trabalharem juntos e a formalizarem uma representação criminal na Polícia Civil de São Paulo.
Em nota, o Santander informou que sua área de inteligência tem cooperado com a Polícia Civil desde o início da investigação para apurar os fatos e reforça ter sistemas eficazes de prevenção a fraudes. Procurado, o Safra não se posicionou até a última atualização desta notícia.
O método de invasão: ataques por scripts e portas vulneráveis
Segundo os relatórios analisados pela Polícia Civil, os criminosos utilizavam uma técnica chamada ataque por scripts acoplada à enumeração de APIs.
Para realizar a invasão, os suspeitos desenvolveram softwares específicos. As ferramentas exploravam um "endpoint" vulnerável das aplicações bancárias, ou seja, o ponto final de comunicação onde o sistema responde às consultas.
O programa enviava requisições automatizadas contendo listas com cerca de 30 mil CPFs por rodada para a função de consulta do banco.
Ao testar cada documento, o sistema retornava respostas diferenciadas, confirmando se o CPF consultado possuía ou não conta aberta na instituição.
Rotação de IPs e simulação de usuários reais
Para driblar as barreiras de segurança e os filtros antifraude dos bancos, os programas desenvolvidos utilizavam uma técnica avançada de evasão: a rotação massiva de IPs por meio de redes de servidores proxy e VPNs.
Em uma das ondas de ataque registradas pelo Safra, os robôs utilizaram cerca de 50 mil endereços de IP distintos. Cada IP realizava apenas de uma a quatro tentativas de consulta antes de ser descartado e substituído.
Com essa distribuição em larga escala, o sistema de segurança dos bancos não conseguia bloquear a origem do acesso por excesso de tentativas.
Além disso, os programas simulavam o comportamento de navegação de um cliente legítimo, reproduzindo parâmetros de rede e cabeçalhos padronizados para enganar as verificações do sistema.
Raspagem de dados sensíveis e o mercado ilegal na internet
Após confirmar a existência da conta corrente, os programas executavam a extração dos dados sensíveis cadastrados.
As ferramentas coletavam o número da agência, conta corrente, saldo disponível, limite de cartão de crédito, renda declarada e até o nome do gerente responsável pelo atendimento.
Essas informações eram organizadas automaticamente pelos programas em bancos de dados estruturados.
Em vez de utilizar os dados apenas em proveito próprio, a dupla atuava no modelo conhecido como "crime como serviço", comercializando os softwares e as listas extraídas.
A Polícia Civil apurou que as ferramentas eram vendidas em grupos do WhatsApp, Telegram, fóruns fechados e na deep web por valores entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil por máquina instalada, com pagamento via Pix.
Os dados obtidos alimentavam quadrilhas especializadas no golpe da falsa central telefônica.
Com esses detalhes sobre o saldo e o nome do gerente, os estelionatários ligavam para vítimas e ganhavam credibilidade para induzi-las a realizar transferências ou fornecer senhas.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
Ivan Wallace Mendes Pereira será localizado e preso pela Justiça.
Likely · Within weeks
Novas fases da Operação Verifact poderão identificar compradores das ferramentas e listas de dados.
Possible · Within months
Open Questions
- Qual o valor total movimentado pelos criminosos com a venda de ferramentas e listas de dados?
- Quantas contas bancárias foram comprometidas no total?
- Onde está atualmente Ivan Wallace Mendes Pereira?
- Quais bancos além de Safra e Santander foram alvo da mesma quadrilha?






