
Famílias relatam omissão da escola diante de casos recorrentes de bullying e cyberbullying contra estudantes
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Um aluno de 14 anos esfaqueou um colega de 13 anos dentro do Colégio Itamarati em 21 de junho. O agressor alegou ter sofrido ofensas em um grupo de WhatsApp.
Pais de estudantes do colégio onde um aluno esfaqueou um colega em Ribeirão Preto (SP) criticam a instituição por negligência no combate a episódios de bullying e cyberbullying. Eles relatam que, em diferentes situações, funcionários da escola foram comunicados sobre casos de ofensas entre os estudantes, mas não tomaram providências.
Uma das mães, que preferiu não ser identificada, afirma que a filha de 16 anos teve o nome escrito em um banheiro com a frase “gorda nojenta”, além de ser hostilizada com ofensas por alunos na escola.
Segundo ela, a coordenação foi avisada sobre o que aconteceu, mas não classificou os episódios como bullying.
"O coordenador falou que ela passar pelos colegas e eles fazerem som de vômito e xingar ela de espinhuda não era ofensa. E aí, nesse dia do banheiro que apareceu escrito no banheiro, nós chamamos a polícia. Nós fomos até a escola, porque a gente já não sabia mais a quem recorrer e o que fazer", disse.
Os relatos de bullying surgiram após o caso em que um estudante de 14 anos esfaqueou um colega, de 13, dentro do Colégio Itamarati, na última sexta-feira (21).
Em depoimento à Polícia Civil, o adolescente afirmou que agiu depois de ser alvo de ofensas em um grupo de WhatsApp. Os pais dele alegam que a escola já tinha conhecimento das situações, mas não teria tomado providências.
O caso também é investigado pelo Ministério Público, que instaurou um inquérito civil para apurar se houve omissão da escola e para entender como o estudante teve acesso à faca.
O g1 procurou o Colégio Itamarati, mas não havia recebido resposta até a última atualização desta reportagem. Em nota anterior, a escola informou que desenvolve ações de prevenção e conscientização sobre bullying e cyberbullying e afirmou que conversas trocadas entre os alunos não configuram a prática de bullying dentro da unidade.
Segundo a mãe da estudante, as ofensas começaram em um grupo de WhatsApp que reunia alunos de duas turmas do segundo ano do ensino médio e depois passaram a ocorrer também presencialmente.
Ela afirma que a filha era chamada de “gorda nojenta” e “espinhuda” pelos colegas e que eles faziam sons de vômito quando ela passava.
"Começou no WhatsApp, em um grupo que tem as duas salas do 2º ano do ensino médio. Ali eles começaram a xingar ela, chamar ela de nojenta, falar que ela era gorda, que ela era espinhuda. Ela passava, eles faziam som de vômito, até que por fim apareceu escrito o nome dela completo no banheiro, escrito gorda nojenta."
Após encontrar o nome da filha escrito no banheiro, a mãe registrou um boletim de ocorrência e chamou a Polícia Militar.
Ela afirma que, depois da chegada do policial, o coordenador recomendou que ela retirasse a filha da escola e pediu que a denúncia não fosse levada à Secretaria de Educação.
"Ele falou na frente do policial que era mais fácil eu tirar a minha filha da escola do que ele resolver a situação. E quando o policial estava me orientando a ir na secretaria de ensino fazer a denúncia dessa falta de ação sobre o bullying, ele falou assim: ‘mas já que você vai tirar suas filhas da escola, não tem por que continuar com essa denúncia'".
Outra mulher afirma ter registrado um boletim de ocorrência contra a escola após o filho ser alvo de chacotas e ameaças por parte de colegas.
Segundo ela, o adolescente chegava em casa chorando e era alvo de ameaças presenciais e virtuais. Ela também afirma que vídeos citando o nome do filho eram publicados nas redes sociais.
"Ele sempre chegava chorando, as crianças faziam aquele sinal de 'vou te bater, porque você não é nada', as crianças faziam ameaças online, então, postava vídeos citando o nome do meu filho e, em um dos episódios, meu filho chorou muito porque ele foi exposto na sala de aula".
A mãe afirma que procurou a escola e os responsáveis pelos estudantes, mas que nenhuma medida foi tomada.
"É muito complicado lidar com esse tipo de criança, porque os pais não fazem nada, a escola não faz nada, e os pais das vítimas ficam, assim, em uma situação muito difícil, muito complicada".
Segundo ela, as ofensas só terminaram após o registro de um boletim de ocorrência contra a escola e os estudantes envolvidos.
"Inclusive, eu recomendo: se o seu filho estiver sofrendo bullying, faça boletim de ocorrência, formalize essas reclamações, porque, se algo acontecer, já vai estar tudo registrado".
Um aluno de 13 anos, do 8º ano, foi esfaqueado por um colega dentro de um colégio particular no Jardim Irajá, na Zona Sul de Ribeirão Preto na manhã da última sexta-feira (21).
Em depoimento à Polícia Civil, o adolescente afirmou que agiu depois de ser alvo de ofensas em um grupo de WhatsApp. Os pais dele alegam que a escola já tinha conhecimento das situações, mas não tomou providências.
O adolescente foi desligado da instituição e responde em liberdade por ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio.
O aluno esfaqueado foi submetido a uma cirurgia após sofrer uma perfuração no pulmão e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Ribeirão Preto. Segundo a unidade, o estado de saúde dele é estável.
AI outlook — possibilities, not facts
Ministério Público deve concluir inquérito sobre omissão da escola.
Likely · Within months

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