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Back|Propostas de Saulo Arcangeli para o governo do Maranhão
Propostas de Saulo Arcangeli para o governo do Maranhão
Politics
G1·1 hour ago·Politics·6 min read·🇧🇷Brazil

Propostas de Saulo Arcangeli para o governo do Maranhão

Candidato do PSTU defende conselhos populares, estatização de serviços e mudanças na gestão de recursos públicos

Quick Look

O candidato do PSTU ao governo do Maranhão, Saulo Arcangeli, propõe a criação de conselhos populares deliberativos para o orçamento, a estatização da saúde e do saneamento, além de mudanças na educação e na política de incentivos fiscais para grandes empresas.

AI-generated summary

Why It Matters

O Maranhão enfrenta desafios crônicos em saneamento básico e saúde pública, com alta dependência do SUS. O estado possui um histórico de grandes investimentos industriais com isenções fiscais questionadas pelo candidato.

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“O PSTU vai governar através dos conselhos populares. Nós sabemos que, desde a Constituição de 1988, foram criados conselhos, mas são conselhos consultivos. No governo do PSTU, os conselhos vão funcionar e vão ser conselhos deliberativos, que vão discutir o orçamento do estado. [...] A gente vai escolher esses conselhos nos locais de trabalho, nos locais de moradia. É onde as pessoas sentem a realidade, onde tem problema do saneamento, onde não tem saúde, onde não tem uma escola próxima, onde não tem creche. O orçamento vai para a Assembleia Legislativa e aí os deputados vão estar lá com a proposta da população. Não é a proposta do governador Saulo Arcangeli, vai estar com a proposta da população”, afirmou.

“A gente quer uma representatividade mesmo popular. Mesmo que tenha essa representatividade do voto, a gente sabe que a Casa do Povo, o povo quase não entra. Tem uma galeria pequena e, quando tem movimentação, eles fecham a galeria. Então, a gente pensa que a população que tem que definir o orçamento tem que pressionar. Tem que pressionar a Assembleia Legislativa do Maranhão, que é fundamental, porque não adianta tu colocar 40 pessoas lá que não representam. Não representam a realidade. [...] Por isso que a gente confia na pressão popular e nos conselhos populares para a gente definir, principalmente para a juventude”, disse.

Na área da saúde, Saulo Arcangeli foi questionado sobre como pretende reduzir o tempo de espera por consultas com especialistas e exames na rede pública estadual. O candidato criticou a contratação temporária de profissionais e afirmou que a falta de concursos contribui para a ausência de especialistas.

“Não tem concurso, são contratos temporários, precarizados, porque não tem concurso no Maranhão há 10 anos para a área de saúde. Então, por isso que não tem as especialidades necessárias para a gente ter uma saúde de qualidade. No nosso governo, nós vamos pegar esse recurso da saúde e a Secretaria de Saúde que vai controlar. Vai ter concurso público para todas as especialidades. [...] A gente vai investir realmente na saúde, estruturar os hospitais. Não adianta você ter um hospital macrorregional e não ter uma UTI, não ter um médico. Nós temos o menor índice de médico por mil habitantes. A gente tem 1,3 médico para cada mil habitantes”, afirmou.

“Saúde tem que ser pública, porque não pode estar com as empresas, porque a empresa coloca o lucro acima da vida. Então, no governo do PSTU, a gente vai ter uma saúde realmente estatizada, controlada. Vamos tirar os políticos que controlam, indicam aquelas pessoas para participar daquele instituto. Vamos acabar com isso e realmente garantir uma saúde digna, principalmente para o Maranhão. 92% da população do Maranhão depende do SUS. É o estado que mais depende do SUS. Então, a gente tem que investir cada vez mais em saúde, mas o dinheiro público vai ser controlado pelos conselhos populares e vai ser para a saúde pública”, disse.

“A gente é um estado onde não temos saneamento. Apenas 27% das casas, das residências no Maranhão têm esgoto. Somente 19% desses 27% é tratado. Então, tudo é jogado nos nossos rios, no mar. E a gente tem uma questão de saúde pública, porque isso causa doença. [...] A gente vai fortalecer a Caema. A Caema vai ser estatal, não vamos vender a Caema, porque não podemos colocar água e esgoto como mercadoria. Vamos fortalecer a Caema, não entregar a Caema para as terceirizadas, porque todo mundo reclama da Caema, mas não sabe o que acontece. Os trabalhadores lá não são valorizados. Tudo é entregue para empresas terceirizadas”, afirmou.

“Segundo estudos do próprio sindicato dos urbanitários, você precisa de R$ 2 bilhões para sanear a Caema e transformar a Caema mesmo, para que ela possa, por exemplo, retirar a perda de água. Hoje, a gente tem uma perda de água em torno de 57%. Então, de cada 10 litros de água, seis são perdidos, porque você não faz a manutenção. [...] Investir na Caema é fundamental, nos seus trabalhadores, garantir o saneamento, porque saneamento é vida. A gente tem que investir em saneamento, vai ser uma das prioridades para garantir o abastecimento de água, porque a população hoje, só 50% tem água. Mas a gente sabe que é um dia sim, outro dia não e, muitas vezes, são vários dias sem ter água”, disse.

“Eu tenho o respeito que as instituições militares possam ter sua escola militar, mas a escola no governo do PSTU não vai ser quartel. Nós não vamos priorizar. [...] Nós defendemos que tenha disciplina, mas que também você tenha liberdade, tenha democracia na escola, que os diretores sejam eleitos pela classe. Você tenha tutor nas escolas, que não existe, que você tenha psicólogos na escola. A gente sabe o adoecimento, inclusive mental. Você tem que ter pedagogos na escola, assistentes sociais para garantir. Nós não temos tutores para crianças atípicas. Isso que você precisa: ter uma escola democrática, que as pessoas saiam de lá tendo capacidade crítica, tendo capacidade de dialogar”, afirmou.

“A escola militar tem condições, tem mais condições, inclusive tem laboratório. Por quê? Porque tem o investimento militar, o investimento também da área da educação. [...] Não valoriza o professor da educação, não valoriza as escolas civis, porque você tem hoje, por exemplo, 47% dos professores da rede básica em trabalho temporário. [...] Então, você tem que mudar essa realidade. Não é transformando a escola civil em militar que você vai mudar essa realidade. Então, você tem que ter um processo de democracia. Respeito às escolas militares, do Corpo de Bombeiros, mas tem que garantir que o aluno, que o professor, que a comunidade possa discutir a escola de forma democrática”, disse.

“A gente sabe que a desmilitarização é uma pauta nacional. Não vou resolver se o Arcangeli [for eleito], não vai desmilitarizar. Mas é uma defesa que nós fazemos. Porque a militarização vem desde a ditadura militar. Então, a gente defende uma polícia única, uma polícia civil, onde você tem direito, inclusive, aos trabalhadores de reivindicarem. Porque nem os trabalhadores podem reivindicar seus direitos, não podem nem fazer uma mobilização, porque a hierarquia não deixa. [...] A gente sabe que hoje o nível de adoecimento dos trabalhadores da Polícia Militar é muito alto. A gente defende a desmilitarização em nível nacional para ter uma polícia mais democrática, onde as pessoas possam reivindicar seus trabalhos”, afirmou.

“Você tem que investir na investigação, na polícia investigativa. O que não se investe no Maranhão, principalmente na Polícia Civil. Você tem que ter uma forma de prevenir. [...] A gente sabe que a gente tem as causas da violência. A gente tratou aqui de várias causas da violência, porque o jovem não tem direito à educação. [...] A gente tem que valorizar a educação, tem que ter moradia, tem que garantir o acesso ao esporte, ao lazer, porque, senão, a juventude nossa — 71% da nossa juventude de 15 a 29 anos está na informalidade — vai ser captada, infelizmente, para o crime. Então, você tem que trabalhar com as causas da violência”, disse.

“O transporte tem que ser um direito social, tanto como a saúde e como a educação. Está lá na Constituição, mas ninguém cumpre. E aí é um modelo de concessão. Você entrega milhões para as empresas, elas prestam um péssimo serviço. Você já poderia ter uma frota própria. Por isso que a gente defende a estatização. Defendíamos a tarifa zero para estudante, mas a gente quer a tarifa zero para todo mundo. E tem condições. Inclusive, está se discutindo, em nível nacional, o Sistema Único de Transporte. [...] A gente tem que resolver dessa forma, garantindo a tarifa zero com orçamento próprio, mas também com orçamento federal”, afirmou.

“Tem que ter uma interligação de todo o sistema rodoviário, hidroviário e ferroviário. Por que no Maranhão a ferrovia é só para levar grão, não é para levar as pessoas? Então, você tem que ter estaleiro. É um absurdo que, para o ferryboat, a gente tenha que comprar um ferryboat do Amazonas, que tem um estaleiro, e do Pará, que tem um estaleiro. Por que o Maranhão não tem um estaleiro? Porque a gente é o segundo maior litoral do país e a gente não tem um estaleiro. E aí fica essa crise dos ferryboats. [...] Todo mundo sabe da situação dos ferryboats há anos”, disse.

“As rampas não têm paradas adaptadas. Nada é adaptado às pessoas com deficiência na nossa cidade. Você não tem direito à mobilidade, você não tem direito à comunicação nos órgãos públicos. Você entra no posto de saúde e as pessoas não conseguem se comunicar porque não tem o braile, não tem Libras. Então, a gente não tem direito à acessibilidade no nosso estado. A gente precisa também garantir adaptação de moradia para as pessoas com deficiência. Garantir que todas as pessoas tenham o direito a viver no estado do Maranhão”, afirmou.

“São R$ 2,6 bilhões para isenções fiscais, para grandes empreendimentos. E esses grandes empreendimentos não trazem esse emprego. É uma ilusão. Nós temos, desde a década de 70, vários grandes empreendimentos que chegam no Maranhão. [...] São grandes empreendimentos, todo mundo é de fora, nem mora no Maranhão e tem isenções fiscais. A Alumar, a Vale, a Eneva, a canadense que extrai o ouro de Godofredo Viana. [...] A população é pobre, porque a riqueza do Maranhão vai embora, não é distribuída. Então, você tem que mudar essa realidade, você tem que criar agroindústria”, afirmou.

“Você tem que criar agroindústria. Não como é feito com o Matopiba, que está todo mundo passando um calor. O que é que acontece com o Matopiba? Você faz uma devastação enorme. Eu estive agora na Região dos Cocais, é um calor danado. Porque a soja vem, tira as plantações, plantações importantes como o babaçu. Agora, em São Luís Gonzaga, a gente teve mais um caso de devastação do babaçu, que a gente tem uma lei. E o babaçu, você tem uma cadeia de produção belíssima. Você pode fazer cosmético, alimentação. Nós vamos investir na agroindústria”, disse.

“A gente tem um estado riquíssimo de riquezas naturais, culturais, mas, como a gente falou, as riquezas não ficam no Maranhão. As riquezas vão de navio para fora, para a China, para os Estados Unidos, para o Canadá, e as riquezas não ficam no estado do Maranhão. Então, a gente tem que mudar essa realidade. Enquanto a gente tem uma riqueza, a gente tem uma desigualdade social enorme, uma insegurança alimentar. Hoje, quase 40% da população do Maranhão tem insegurança alimentar, que às vezes não consegue comer, entre leve, moderada e grave, que é fome. Você tem essa insegurança alimentar, insegurança hídrica, insegurança na vida, porque você tem conflitos agrários. Foram mais de 209 conflitos agrários no Maranhão, envolvendo 60 mil famílias”, afirmou.

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • Revisão de contratos de terceirização da Caema caso eleito.

    Possible · Within months

Open Questions

  • ?Como o governo financiaria a estatização total com o orçamento atual?
  • ?Qual a viabilidade jurídica dos conselhos deliberativos sobre o orçamento?

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