Quem é a influencer ligada à máfia italiana que teve 'cabeça avaliada' em 250 mil euros após traição
Paula Simões é apontada como 'herdeira operacional' do clã Assisi e teria assumido coordenação do tráfico após prisão do marido.
Quick Look
- A influenciadora Paula Simões foi presa suspeita de coordenar o tráfico internacional de cocaína para a máfia italiana 'Ndrangheta, após assumir o esquema do marido preso.
- Investigação aponta ameaça de morte e lavagem de milhões.
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Why It Matters
A Polícia Federal investiga conexões entre organizações criminosas brasileiras e a máfia italiana 'Ndrangheta no tráfico internacional de drogas.
Segundo a Polícia Federal, Paula Simões é casada com Patrick Assisi, apontado como integrante da máfia italiana 'Ndrangheta. A mulher teria sido ameaçada após a descoberta de um suposto relacionamento com o advogado Patrick Cardoso, investigado por intermediar contatos com traficantes.
A influenciadora Paula Simões foi presa suspeita de coordenar o tráfico de cocaína para a máfia italiana 'Ndrangheta. Ela teria assumido a função após prisão do marido.
Segundo a PF, Paula utilizava o codinome "Chanel" e foi ameaçada pela máfia. O grupo ofereceu 250 mil euros por sua cabeça após descobrir uma relação extraconjugal.
A investigação aponta envolvimento de Paula com o doleiro Tharek Mourad. Eles teriam movimentado mais de 6 milhões de dólares entre 2020 e 2021.
Paula também foi condenada por lavagem de dinheiro ao comprar dois apartamentos em São Paulo. Os imóveis teriam sido pagos com recursos do tráfico do marido.
A defesa de Paula Simões nega todas as acusações e destaca que nenhuma droga foi apreendida com a influenciadora.
A influenciadora Paula Simões, presa em setembro por suspeita de envolvimento com a máfia italiana ’Ndrangheta, seria a responsável pela coordenação de atividades relacionadas ao tráfico de cocaína no Brasil como uma herdeira operacional. Isto porque ela teria assumido o cargo após a prisão do marido, Patrick Assisi, e do sogro dela, Nicola Assisi, há cinco anos, em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
As informações são das investigações da Polícia Federal (PF). A defesa de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e destacou que nenhuma droga foi apreendida com a influenciadora.
Com quase 30 mil seguidores no Instagram, a influenciadora intermediava o contato entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus, coordenando carregamentos de cocaína destinados ao exterior e participando da movimentação financeira da organização criminosa.
De acordo com os investigadores, Paula utilizava o codinome 'Chanel' no SkyECC, aplicativo de mensagens criptografadas, e teria sido ameaçada por integrantes da 'Ndrangheta que descobriram o relacionamento extraconjugal dela com Patrick Raasch Cardoso, advogado de Santos (SP), investigado por suspeita de participação no mesmo esquema de tráfico internacional de cocaína.
Integrantes da máfia italiana teriam alertado que a "cabeça" de Paula estava valendo cerca de € 250 mil [aproximadamente R$ 1,4 milhão atualmente] por ela estar usufruindo de viagens e luxos financiados pelo narcotráfico com Patrick Cardoso, entre 2019 e 2023.
A investigação também apontou que Paula e o doleiro Tharek Mourad Mourad, preso pela PF em 2025, tinham envolvimento em um sistema ilícito de "dólar-cabo/token", movimentando mais de US$ 6 milhões oriundos das atividades do chamado "clã Assis", entre 2020 e 2021.
Segundo a investigação, o mecanismo funcionava por meio da entrega de dinheiro a doleiros e da liberação de numerário em outro país mediante "tokens", que podiam ser validados pelo número de série de uma cédula.
O dinheiro, conforme a PF, era utilizado para a aquisição de drogas, repasses à máfia italiana e despesas pessoais. Entre os novos carregamentos, a corporação destaca o pagamento de US$ 1,47 milhão por uma remessa de 300 kg de cocaína.
A mulher também já foi condenada por lavagem de dinheiro na compra de dois apartamentos em São Paulo (SP). Segundo a Justiça Federal, os imóveis foram adquiridos com dinheiro do tráfico do marido dela.
Os apartamentos em áreas nobres da capital paulista foram adquiridos por Paula, em abril de 2015, por cerca de R$ 1,9 milhão. Nas escrituras, a mulher foi qualificada como solteira, mas formalizou o casamento com Patrick quatro dias depois da primeira aquisição.
Para a Justiça Federal, as transações foram realizadas em nome da mulher para ocultar a identidade do real proprietário e a origem ilícita do dinheiro. À época, Paula disse que as compras foram feitas em seu nome porque Patrick ainda não possuía CPF.
O dinheiro usado nas transações, segundo eles, seria proveniente de uma empresa criada por Patrick em sociedade com Paula. A Justiça apurou, no entanto, que a companhia foi criada em agosto daquele ano, data posterior às aquisições.
A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de carreira e que já apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva.
O advogado de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e que nenhuma droga foi apreendida com ela. Segundo a defesa, a suspeita de que as atividades criminosas teriam continuado após a prisão dos Assisi é inferência da autoridade policial, não fatos comprovados.
Open Questions
- Quais serão as próximas etapas do processo judicial contra Paula Simões?
- O paradeiro exato de outros envolvidos na rede internacional.







