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Uma enxurrada repentina atingiu a fronteira do Nepal com o Tibete, matando mais de 1,3 mil pessoas e afetando várias unidades da usina hidrelétrica Trishuli-3A. O túnel ficou bloqueado por lama, rochas e água, dificultando o acesso aos sobreviventes.
Entre os vários desafios enfrentados pelos socorristas para chegarem aos sobreviventes, esteve a dificuldade em encontrar entrada soterrada de túnel e a tarefa de destruir rochas do tamanho de automóveis.
Por BBC
Duas pessoas foram resgatadas de um túnel no Nepal nesta sexta-feira (4) após uma enxurrada matar mais de 1,3 mil pessoas. O resgate ocorreu nove dias depois.
O especialista Arnold Dix orientou as equipes a localizarem a entrada soterrada do túnel. Eles utilizaram mapas antigos e imagens de satélite na operação.
Os socorristas drenaram a água e usaram explosivos precisos para limpar as rochas. Na manhã de sexta-feira (4) eles ouviram as vozes dos sobreviventes.
A equipe estima que dezenas de pessoas continuam presas. Para alcançá-las, os socorristas precisam escavar mais 150 metros em direção à usina subterrânea.
Nepal. — Foto: EPA
Duas pessoas foram resgatadas de um túnel no Nepal, mais de uma semana depois da enxurrada repentina que atingiu a fronteira do país com o Tibete, matando mais de 1,3 mil pessoas. Acredita-se que haja ainda outras dezenas de pessoas no mesmo túnel.
Um especialista que participou da operação de resgate no túnel de uma usina hidrelétrica nepalesa descreveu para a BBC como eles conseguiram chegar aos sobreviventes.
O australiano Arnold Dix é o presidente da Associação Internacional de Túneis e Espaços Subterrâneos. Ele vem orientando as autoridades do setor hidrelétrico do Nepal sobre como perfurar através do túnel bloqueado da usina Trishuli-3A, uma de várias unidades atingidas pela enxurrada da semana passada.
"É como se tivéssemos um milagre atrás do outro", conta ele, sobre os diversos obstáculos enfrentados até que os dois homens fossem encontrados nesta sexta-feira (4/9).
O primeiro desafio foi localizar a entrada do túnel, em um terreno que ficou quase irreconhecível após a enchente.
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"Nunca soube de uma operação de resgate em que você precisava procurar a entrada de um túnel que, antes, ficava em cima do morro e, agora, estava soterrado", conta Dix. "Você pode imaginar a enormidade da avalanche, que soterrou completamente a entrada."
Utilizando métodos de engenharia, velhos mapas topográficos, imagens de satélite da área após o desastre, filmagens feitas de helicópteros e "tudo o que conseguimos encontrar na superfície da montanha, como postes de eletricidade", Dix e sua equipe triangularam a posição provável da entrada e começaram a cavar.
Eles a encontraram. O próximo desafio era localizar os sobreviventes.
"Sabíamos que eles estariam mais acima, mas não onde, exatamente", ele conta. "Por isso, precisávamos começar a cavar na direção certa e prestar atenção para tentar ouvir alguém."
Os socorristas precisaram atravessar um túnel totalmente bloqueado pela lama e pelas rochas, algumas delas maiores que automóveis.
Eles precisaram usar explosivos para limpar o caminho, algo que "normalmente, nunca faríamos, devido ao risco de explodirmos as pessoas presas no túnel e a nós mesmos", explica Dix.
Ele elogiou o Exército nepalês pelo "maravilhoso trabalho" de gerenciamento preciso das explosões, para garantir que elas não desestabilizassem o túnel. E, paralelamente, eles descobriram que o local ainda estava cheio de água.
Usando escavadoras e máquinas de bombeamento, os socorristas nepaleses escavaram uma série de trincheiras a partir do túnel até o rio no lado de fora. Com isso, eles conseguiram drenar a água.
Os socorristas encontraram muita água no túnel à medida que escavavam. — Foto: Escritório do Primeiro-Ministro do Nepal
Por fim, eles precisaram escavar uma passagem, "um minúsculo túnel do tamanho de uma pessoa", através dos escombros no topo do túnel.
A vantagem deste local "é que você pode usar o teto original como o teto do seu próprio túnel. E também reduz o risco de alagamento", explica Dix.
Nas primeiras horas da manhã de sexta-feira (4/9), hora local, os socorristas ouviram o que pareciam ser vozes. Relatos locais indicam que eles responderam "não se preocupem, estamos aqui para resgatar vocês". E ouviram de volta um fraco "OK".
Pouco tempo depois, eles puxaram Sanjaya Shah e Kabir Maharjan, ambos vivos.
Acredita-se que dezenas de pessoas estejam presas no interior do túnel, o que significa que ainda há muito trabalho a ser feito.
De volta à 'zona Cachinhos Dourados'
Dix calcula que eles já tenham escavado cerca de 60 metros a partir da entrada. Eles precisariam cavar mais 150 metros para chegar à usina hidrelétrica localizada no interior da montanha.
Os socorristas esperam que os fragmentos da enchente não tenham atingido a estação. Se isso tiver acontecido, "haverá todo tipo de complicações. As pessoas que estavam na usina poderão ter sido atingidas por rochas e lama, ou o local poderá ter sido inundado."
A equipe em terra ainda enfrenta grandes riscos.
"Lá em cima, mesmo agora, podemos topar com água, que poderia afogar as pessoas no túnel", segundo Dix.
"E também temos o risco de que ocorra outra enchente no lado de fora, de forma que a água poderia vir de trás. Ou seja, existe o risco de encontrarmos água nos dois lados."
Os socorristas precisaram puxar os sobreviventes através de uma passagem minúscula criada sobre os escombros no túnel. — Foto: Escritório do Primeiro-Ministro do Nepal
Mas, incentivada pelo resgate bem sucedido desta sexta-feira, a equipe tem, agora, esperanças de encontrar outros sobreviventes a tempo.
"É um grande alívio saber que estamos no caminho certo", prossegue Dix.
"E renova a nossa energia saber que nossa ideia [de condução do resgate] funciona... Nunca fizemos nada como isso antes."
Ele afirma que, agora, a equipe está se dirigindo ao que ele chama de "zona Cachinhos Dourados", uma região que seria "mais favorável à vida".
Esta zona está no nível mais alto da usina hidrelétrica, onde seria possível haver mais sobreviventes.
"Conseguimos retirar duas pessoas. Se estivéssemos jogando em um cassino, alguns diriam que está na hora de pararmos. Mas nós dizemos que o jogo continua, está na hora de quebrar a banca."
AI outlook — possibilities, not facts
A equipe continuará escavando em direção à usina subterrânea para tentar localizar outros sobreviventes.
Very likely · Within days
Os socorristas enfrentarão riscos contínuos de água e possíveis novas enchentes durante a operação.
Likely · Within days

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