
Sônia Guajajara (PSOL-SP) foi reeleita deputada federal por São Paulo, consolidando trajetória de representatividade indígena e priorizando pautas ambientais e sociais.
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Sônia Guajajara foi a primeira mulher indígena eleita deputada federal por São Paulo em 2022 e chefiou o Ministério dos Povos Indígenas a partir de 2023.
Sônia Guajajara é reeleita deputada federal por SP — Foto: Rony Eloy
Sônia Guajajara (PSOL-SP) foi reeleita neste domingo (4) deputada federal por São Paulo. Com a vitória, ela conquista um novo mandato na Câmara dos Deputados e consolida uma trajetória marcada pelo ineditismo e pela ampliação da representatividade indígena na política brasileira.
Em 2022, Sônia se tornou a primeira mulher indígena eleita deputada federal por São Paulo. No novo mandato, pretende atuar em pautas como proteção dos territórios indígenas, combate ao desmatamento, enfrentamento da crise climática, direitos das mulheres e redução da jornada de trabalho.
“Esta vitória tem a força de todas as pessoas que acreditam que o Brasil precisa reconhecer a sua diversidade nos espaços de decisão. São Paulo me elegeu em 2022 e, agora, renova essa confiança. Cada voto representa a certeza de que os povos indígenas não estão na política apenas para ocupar simbolicamente um lugar, mas para participar das decisões sobre os rumos do estado e do país”, afirma Sônia.
Prioridades
Entre as prioridades para o novo mandato estão o combate ao desmatamento e a proteção das florestas; a demarcação e a defesa dos territórios e dos direitos indígenas; o enfrentamento aos retrocessos socioambientais no Congresso; o combate à misoginia e à violência política de gênero; a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, sem redução salarial.
Sônia também defende que a emergência climática seja tratada como prioridade nacional, com investimentos em justiça climática nas periferias, ampliação do saneamento, proteção dos rios e acesso à água potável.
Também estão entre as propostas o fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e das políticas de combate à fome; a garantia de financiamento para a saúde indígena e o fortalecimento do SUS; e uma educação antirracista, que valorize a diversidade brasileira e amplie o acesso e a permanência de indígenas nas universidades.
O combate ao Marco Temporal também está entre as pautas defendidas pela deputada.
“O recado das urnas em São Paulo é claro: a defesa dos biomas, o combate à crise climática e o enfrentamento ao Marco Temporal não são pautas isoladas, mas o centro do projeto de desenvolvimento do país. Nosso compromisso no plenário será barrar qualquer tentativa de retrocesso direitos constitucionais e garantir que o orçamento público priorize a transição ecológica e a vida."
Sônia Guajajara comemora vitória — Foto: Arquivo pessoal
Trajetória
Integrante do povo Guajajara/Tentehar, Sônia nasceu na Terra Indígena Araribóia, no Maranhão. Deixou sua aldeia aos 10 anos para estudar e, posteriormente, formou-se em Letras e Enfermagem, com especialização em Educação Especial.
Sua atuação política começou no movimento indígena, onde ganhou projeção nacional e internacional na defesa dos territórios, dos direitos dos povos originários e do enfrentamento à crise climática.
Em 2018, Sônia tornou-se a primeira mulher indígena a integrar uma chapa presidencial no Brasil, como candidata à Vice-Presidência da República. Quatro anos depois, foi eleita deputada federal por São Paulo.
Em 2023, licenciou-se do mandato para assumir o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas, tornando-se a primeira pessoa indígena a comandar uma pasta ministerial no país.
À frente do ministério, Sônia participou da estruturação da nova pasta e atuou em políticas de demarcação, proteção territorial, saúde, gestão ambiental e enfrentamento ao garimpo ilegal. Em 2026, deixou o Executivo para disputar a reeleição e defender a transformação dessas medidas em políticas permanentes de Estado.
“Eu fui a primeira em diferentes momentos, mas nunca quis ser a única. Cada espaço que ocupamos precisa abrir caminho para outras mulheres indígenas, outras lideranças e outras formas de pensar o Brasil. A reeleição mostra que essa presença não é temporária e que a sociedade reconhece a importância de termos mais diversidade no Congresso Nacional”, declara.
Projeção internacional
A trajetória de Sônia também ganhou projeção fora do Brasil. Ela participou de conferências climáticas e fóruns internacionais, levando a esses espaços a defesa de que os territórios indígenas são fundamentais para a proteção da biodiversidade e para o equilíbrio climático do planeta.
Em 2022, foi incluída pela revista norte-americana Time na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.
“Os povos indígenas representam uma parcela pequena da população mundial, mas protegem uma parte fundamental da biodiversidade do planeta. Quando o Brasil elege uma mulher indígena para o Congresso, envia ao mundo uma mensagem de que os nossos conhecimentos, os nossos territórios e a nossa participação política são essenciais para enfrentar a crise climática e construir um futuro com justiça”, afirma.
Durante a campanha de 2026, Sônia apresentou como prioridades o combate ao desmatamento, a proteção das florestas e dos territórios indígenas, o enfrentamento aos retrocessos socioambientais, a justiça climática nas periferias, os direitos das mulheres, o fim da escala 6x1 sem redução salarial, o acesso à água e ao saneamento, a produção de alimentos saudáveis, o fortalecimento do SUS e uma educação antirracista.
A campanha também foi orientada pelo Aldear a Política, iniciativa voltada à ampliação da participação indígena nos espaços de poder, e pelo Reflorestar Mentes, movimento que reuniu lideranças, artistas, pesquisadores, mulheres e representantes da sociedade civil em torno da defesa do clima, da diversidade e dos conhecimentos indígenas.
”A verdadeira soberania é manter a floresta de pé e garantir os direitos territoriais constitucionais dos povos indígenas e comunidades tradicionais. As reservas de transição energética estão, em sua maioria, preservadas justamente nos nossos territórios. O Congresso Nacional não pode ceder ao lobby predatório nem barganhar nossa riqueza biológica. Defender a demarcação e combater retrocessos como o Marco Temporal é a única forma de evitar que o Brasil seja empurrado para uma posição de subordinação neocolonial." — Sônia Guajajara, deputada federal reeleita por São Paulo.

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