
Presidente ucraniano exige garantias reais enquanto Rússia intensifica ataques após alívio de sanções americanas sobre combustível
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A Ucrânia está sob lei marcial, o que impede a realização de eleições. A infraestrutura energética tem sido alvo constante de ataques de ambos os lados.
A Ucrânia está pronta para interromper os bombardeios às refinarias de petróleo russas se a Rússia também cessar seus ataques à infraestrutura energética ucraniana, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky neste domingo (11).
A declaração foi uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou o duramente um dia antes e exigiu que Kiev interrompesse unilateralmente seus ataques.
Pouco antes, o presidente ucraniano reagiu com raiva ao anúncio de Trump sobre um acordo de fornecimento de diesel com a Rússia, que, segundo ele, encoraja os ataques de Moscou contra a Ucrânia.
"A verdadeira causa da guerra na Europa é a Rússia e somente a Rússia. É possível interromper os ataques à infraestrutura energética já hoje, mas Putin não quer fazer isso", disse Zelensky, sem fazer alusão específica às declarações de Trump e acrescentando que qualquer acordo desse tipo precisaria vir acompanhado de "garantias reais".
Zelenskiy também anunciou que, neste domingo, continuará as discussões com os líderes europeus e que tem ocorrido conversas diárias sobre pacotes adicionais de defesa aérea, incluindo munição para aeronaves de combate usadas para abater os drones russos movidos a jato.
Nas ruas de Kiev, vários moradores que conversaram com a agência de notícias Reuters expressaram indignação com a sugestão de Trump de que a Ucrânia deveria encontrar um novo líder disposto a fazer um acordo com o presidente russo Vladimir Putin.
"Ninguém tem o direito de nos dizer o que fazer, especialmente porque não se podem realizar eleições em tempos de guerra. Na minha opinião, isso é uma traição por parte dos nossos parceiros", disse Sabina, uma professora primária de 40 anos, referindo-se à proibição de eleições na Ucrânia sob a "lei marcial", por razões de segurança.
Rússia e Ucrânia intensificaram recentemente os ataques a instalações de geração de energia, redes de transporte e outros pontos estratégicos da infraestrutura energética — um setor importante para a economia global e que preocupa o presidente americano.
O acordo anunciado por Trump autoriza a Rússia a fornecer centenas de milhares de toneladas de diesel aos mercados americano e global.
A decisão surpreendeu a delegação ucraniana, já que autoridades de Kiev e de países europeus se reuniam com negociadores americanos em Miami para discutir a paz sem terem sido informadas sobre a negociação envolvendo o combustível.
Para viabilizar a entrada do produto russo no mercado internacional, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma isenção temporária das sanções, válida até abril de 2027. Em resposta, o governo russo confirmou a suspensão parcial da proibição de exportação de diesel, com efeito imediato.
“Os volumes de produção são suficientes para atender integralmente à demanda interna e às exportações para o mercado global nos volumes especificados”, afirmou o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, em comunicado.
Analistas do setor energético, no entanto, projetam que a medida terá impacto reduzido nos preços pagos pelos consumidores finais. A lógica é que a liberação apenas redistribui o diesel no mercado global, sem alterar significativamente o volume total disponível.
Poucas horas após a confirmação do alívio das sanções, a Rússia realizou novos ataques aéreos em território ucraniano.
Zelensky reagiu aos ataques afirmando que Moscou “agradeceu” pelo levantamento das sanções intensificando os bombardeios contra civis. O presidente ucraniano ressaltou que a Rússia interpreta qualquer recuo na pressão internacional como autorização para continuar atacando cidades do país.
Os ataques russos também atingiram a capital, Kiev, e provocaram a paralisação dos trens do metrô devido a cortes no fornecimento de energia elétrica. Enquanto isso, as negociações para encerrar a guerra continuam travadas pela exigência russa de controle sobre a região de Donetsk.
Kiev reiterou que aceita suspender os ataques à infraestrutura russa somente se Moscou interromper os bombardeios contra a rede energética ucraniana. Em meio à troca de acusações e ao acirramento das hostilidades, não há perspectiva imediata de retomada das negociações diretas entre as partes.
AI outlook — possibilities, not facts
Continuidade dos ataques russos à infraestrutura ucraniana
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