
Análise sobre a influência da meta de inflação e da volatilidade cambial na política monetária do Brasil
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O debate sobre as causas dos juros altos no Brasil tem se concentrado tradicionalmente no gasto fiscal. Recentemente, novos estudos acadêmicos têm trazido a meta de inflação e a volatilidade cambial para o centro da discussão.
A discussão sobre as razões da elevada taxa de juros brasileira ganhou força. Samuel Pessôa, por exemplo, tem argumentado que a explicação está no elevado gasto fiscal e, consequentemente, na baixa poupança doméstica, que causariam um excesso crônico de demanda no país.
Essa é a visão mais comum, e por muito tempo tentativas de examinar o problema por outros ângulos, inclusive com elementos da literatura acadêmica mais recente, encontravam pouco espaço. Felizmente, tem havido alguma abertura nos últimos tempos.
Uma crítica que vem ganhando mais corpo é à nossa meta de inflação de 3%. Em texto recente na Folha, André Roncaglia chama a atenção para o fato de que uma meta excessivamente ambiciosa para a estrutura brasileira pode dificultar a ancoragem das expectativas e levar o Banco Central a manter os juros mais altos por mais tempo.
Bráulio Borges adiciona que frente a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, uma meta tal como a atual forçará juros maiores.
Considerações desse tipo sobre a meta de inflação têm sido feitas também tanto no âmbito mais acadêmico, como no artigo de Aloisio Araujo e coautores na American Economic Journal: Macroeconomics, por exemplo.
Em pesquisa do Made/USP, encontramos pouca evidência com base em 15 países de que a poupança doméstica tenha efeito significativo sobre os juros estruturais. Ainda assim, pode-se ter boa vontade com o argumento e supor que há algum excesso de demanda nesse momento, dado o baixo nível de desemprego, e que um aumento do superávit poderia ajudar na redução dos juros.
Já sobre a meta de 3%, encontramos forte evidência nos dados de que ela pressiona a taxa de juros, em linha com os argumentos acima. Falta na discussão, contudo, um terceiro elemento, que recebe bem menos atenção: a volatilidade cambial.
Quando o real se deprecia, bens de consumo e insumos importados ficam mais caros, a inflação sobe e a política monetária responde. A objeção óbvia é que isso não deveria ser um problema: quando o real se aprecia, a pressão se inverteria e, na média, o efeito se anularia.
Contudo, há já ampla evidência de que esse repasse é assimétrico: a inflação sobe mais na depreciação do que cai quando a moeda se aprecia. Ou seja, em países com câmbio volátil, a cada ciclo de subida e descida da moeda deixa como resíduo um nível de inflação mais alto.
O problema é central no caso brasileiro. O real é uma das moedas mais voláteis do mundo: medida pela variação diária nos últimos três anos, sua volatilidade é a maior entre os 31 países cobertos pelos dados do Banco Central Europeu, à frente de África do Sul e México.
Duas razões para essa grande flutuação do real se destacam. A primeira são os próprios juros altos, que fazem do país um destino atraente para operações de carry trade, em que investidores tomam recursos emprestados onde os juros são baixos e os aplicam onde são altos. Esse tipo de fluxo eleva a vulnerabilidade externa: diante de qualquer mudança, efetiva ou apenas esperada, o capital se move e gera um choque cambial.
A segunda é a configuração incomum do nosso mercado de derivativos, desproporcionalmente grande em relação ao mercado à vista e, de forma peculiar, o lugar onde ocorre boa parte da formação do preço do dólar no Brasil.
Não por acaso, o contrato futuro de dólar brasileiro chegou a ser o mais negociado em Bolsa no mundo entre os contratos de moeda, o que é anômalo para uma economia com a participação que a nossa tem no comércio global.
O próprio Banco Central estima que mais da metade da volatilidade cambial durante a pandemia veio de negociações nesse mercado.
Os três problemas se retroalimentam. Câmbio volátil gera mais pressão inflacionária; o Banco Central responde com juros reais mais altos, e tanto mais altos quanto menos realista for a meta; juros altos reforçam o papel do país como destino de carry trade, o que devolve volatilidade à moeda.
Uma agenda que combine maior eficiência de gastos públicos, sobretudo com redução de gastos tributários, redução da volatilidade cambial e revisão da meta de inflação para níveis realistas tem chance de produzir uma queda relevante dos juros reais, ajudando na estabilização da dívida pública e no endividamento das famílias e empresas.

A Chinese expert from Rabobank said that China is expected to increase its share of global chicken exports and intensify competition with Brazil in markets such as the Middle East, Asia and Africa in the next decade, driven by growth in domestic production and changes in consumption habits.
Brazil was authorized to contract up to US$1 billion in external credit with the Inter-American Development Bank (IDB) to finance the Eco Invest Brasil program, an ecological transition initiative that combines public and private resources in a mixed financing model, focusing on clean energy, sanitation and climate adaptation in the Northeast, Southeast and South regions.

In 2025, around 2 million people in Brazil worked through service applications, according to IBGE, with emphasis on passenger transport (53.9%) and food delivery (29.9%). These workers have longer weekly hours (44.7 hours) and lower social security contributions (34%) compared to other workers in the private sector. The average hourly income was R$16.20, 12% below the average for non-platformed workers. Men represent 84.4% of app workers in their main job.

Data from Income Tax declarations show that the richest 0.1% in Brazil increased its participation in national income to 13.1% in 2024, compared to 10.2% in 2020, driven by the rise in the Selic rate and the growth in financial income, despite the fall in the Gini and the increase in employment cited by the government as signs of reduced inequality.

World food prices rose in August to their highest level since the end of 2022, driven by adverse weather conditions in Europe and Asia, the threat of a severe El Niño and disruption to trade routes due to wars in Ukraine and Iran, according to the FAO. The organization's price index reached 133.3 points, with significant increases in cereals, vegetable oils and sugar, reflecting concerns about the global supply of basic foods.
IBGE released data from Pnad Contínua showing that only 79 thousand of the 405 thousand app motorcyclists in Brazil have social security coverage (19.4%), well below the private sector average (62.4%). The average monthly income of these workers was R$2,221, with a weekly working day of 44.9 hours.