
Candidatos à direita intensificam ofensiva contra líder das pesquisas e petista na última semana antes do primeiro turno
Na última semana antes do primeiro turno em Minas Gerais, candidatos como Mateus Simões e Flávio Roscoe intensificam ataques ao líder Cleitinho Azevedo e ao segundo colocado Patrus Ananias, buscando consolidar posições para um eventual segundo turno.
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Cleitinho Azevedo lidera as pesquisas em Minas Gerais. A campanha tem sido marcada por ataques cruzados entre candidatos de direita e o PT.
A intensificação de ataques ao senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera com folga as intenções de voto em Minas Gerais, e ao deputado federal Patrus Ananias (PT), segundo colocado nas pesquisas, marcou a última semana antes do primeiro turno mineiro.
Candidatos alinhados à direita, como o atual governador Mateus Simões (PSD) e o empresário Flávio Roscoe (PL), têm apostado em estratégias semelhantes para conquistar uma vaga num eventual segundo turno, ora recorrendo ao antipetismo simbolizado pela rejeição ao ex-governador Fernando Pimentel (PT), acusado por tráfico de influência e lavagem de dinheiro e depois absolvido, ora destacando a inexperiência do senador do Republicanos em cargos de gestão.
A ofensiva foi destaque no debate realizado pela Globo na terça-feira (29) e está presente nas peças de campanha veiculadas em horário eleitoral e nas redes sociais. "Se nada mudar, o segundo turno vai ser entre voltar atrás ou pular no escuro", diz o atual governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, numa dessas propagandas.
No debate, Patrus Ananias disse não estar em campanha como advogado do Pimentel. O deputado, candidato de última hora, tem frequentemente ressaltado sua experiência à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, na década de 1990, e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome durante o primeiro mandato do governo Lula (PT).
A menção à experiência também tem sido uma das marcas da campanha de Simões, que buscou reforçar o legado da gestão de Romeu Zema (Novo) no estado e agora tem intensificado acenos ao eleitorado bolsonarista na tentativa de angariar votos à direita.
Em entrevista a uma rádio mineira, o candidato do PSD citou a recente crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou que Cleitinho deveria voltar ao Senado para colaborar em possível processo de deposição do ministro Alexandre de Moraes. "Não tem nenhum pedido de impeachment contra o atual ministro do Supremo assinado pelo senador Cleitinho", disse Simões.
Na última semana, o governador ainda declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na corrida à Presidência, deixando o antecessor e padrinho político, Zema, de lado na corrida ao Palácio do Planalto. Zema e Simões não chegaram a dividir agendas durante o período eleitoral.
A situação consolida uma palanque informal triplo ao presidenciável do PL em Minas Gerais, que ainda é apoiado pelo próprio Cleitinho e por Flávio Roscoe.
Roscoe, ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), foi escalado pelo PL para concorrer à gestão estadual em meio à indefinição da candidatura do senador do Republicanos.
O empresário tem constantemente reforçado que é o candidato escolhido por Flávio e a única opção para impedir a continuidade do PT no pleito.
Cleitinho, entretanto, segue como alvo de sua campanha. No debate promovido pela TV Globo, Roscoe classificou as propostas do senador como um "show midiático para a população", citando, por exemplo, a promessa do candidato de reduzir custos do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).
Alexandre Kalil (PDT), por sua vez, tem tentado construir uma campanha avessa ao cenário de polarização. O candidato, que se aliou ao presidente Lula nas últimas eleições estaduais, hoje diz buscar "um caminho livre", sem declarar voto no petista ou em Flávio.
Ele tem afirmado que sua candidatura é a mais competitiva para vencer Cleitinho em segundo turno. "Nós não podemos deixar a aventura tomar conta do nosso estado de novo", diz o ex-prefeito de Belo Horizonte num vídeo de campanha, numa indireta ao senador e a Zema.
Cleitinho tem feito pouco caso dos ataques, que até então não surtiram o efeito de afetar a liderança do candidato, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto.
"Esses candidatos, há uns seis meses, estavam falando que devíamos estar unidos", disse o senador nesta quinta (1º) em agenda na Fecomércio MG (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais). "Já que era pra estar todo mundo junto para que o passado não volte, está na hora de eles terem humildade, tirar a soberba e me apoiar."
Se durante boa parte da campanha Cleitinho mirou o interior do estado, num gesto de fortalecimento da base que o elegeu senador, na última semana ele cumpriu agendas em Belo Horizonte, em encontros com eleitores eventualmente transmitidos em suas redes sociais.
Na última segunda-feira (28), na capital mineira, o candidato visitou o CeasaMinas (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais S.A.). Segundo Cleitinho, foi ali que ele iniciou sua história de trabalho, atuando no comércio de hortifrúti ao lado do pai e dos irmãos.
A origem humilde e o discurso antissistema, de "menos Estado e mais povo", como costuma dizer, têm marcado sua retórica de campanha.
Cleitinho oficializou sua candidatura no fim do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, após uma sequência de idas e vindas.
No início de agosto, publicou um vídeo afirmando que não iria concorrer e citou, como justificativa, o luto pela morte do irmão. Voltou atrás no dia seguinte e interrompeu uma convenção nacional do Republicanos pedindo para ser candidato.
A essa se somaram outras tentativas até a liberação da candidatura pelo partido, com uma caminhada puxada pelo seu irmão gêmeo, o candidato a deputado federal Gleidson Azevedo (Republicanos), e o reforço de famosos, como o do cantor Gusttavo Lima e o do apresentador Ratinho.
Segundo a avaliação de especialistas, esse vaivém colaborou para amplificar o alcance digital massivo que o candidato já apresentava.

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