Benito Di Paula morre em São Paulo, aos 84 anos, e deixa obra inovadora no segmento do samba
Quick Look
- O cantor, compositor e músico Benito Di Paula faleceu aos 84 anos no Hospital 9 de julho, em São Paulo, devido a complicações de um câncer.
- Nascido em Nova Friburgo (RJ) em 1941, ele se destacou na década de 1970 com um samba inovador, marcado pelo piano percussivo, e deixou hits como 'Retalhos de cetim' e 'Beleza que é você mulher'.
- Sua carreira abrangeu álbuns desde 1967 até os anos 1990, consolidando-o como um criador singular da música brasileira.
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Why It Matters
Benito Di Paula foi um cantor, compositor e músico fluminense que nasceu em Nova Friburgo (RJ) em 1941 e ficou conhecido a partir dos anos 1970 por um estilo de samba inovador, baseado no piano percussivo, que antecipou elementos do pagode paulista dos anos 1990.
♬ Um dos cantores e compositores mais populares dos anos 1970, Benito Di Paula morreu na noite deste domingo, 18 de outubro, aos 84 anos. O artista faleceu no Hospital 9 de julho, em São Paulo (SP), em decorrência de complicações de um câncer.
Cantor, compositor e músico fluminense, Benito Di Paula nasceu Uday Velloso (28 de novembro de 1941 – 18 de outubro de 2026) na cidade de Nova Friburgo (RJ) e foi criado no Rio de Janeiro (RJ). Mas o Brasil já o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente.
Benito Di Paula jamais se considerou um sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também obtiveram grande sucesso na década de 1970 no segmento do samba. Benito sempre se rotulou publicamente como sambeiro e como pianeiro.
Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula fazia a própria batucada com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria propagado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra com arranjos cheios de teclados. E o fato é que o sambeiro pianeiro delineou assinatura singular na música do Brasil.
Diplomado na escola noturna das boates, território onde constatou que o manuseio das teclas do piano surtia efeito de batucada, Benito Di Paula marcou época nos palcos dos auditórios dos programas de TV com o informal visual de gala composto por anéis, casacas, colares, gravatas borboletas, pulseiras e, claro, os cabelos longos e outrora cacheados. Quem viveu no Brasil ao longo dos anos 1970 lembra da figura de Benito.
O cantor debutou no mercado fonográfico em 1967 e lançou em 1971 o primeiro álbum, Benito Di Paula (1971), ao qual se sucedeu o segundo, Ela (1972), apresentado um ano depois com o primeiro sucesso do artista, Violão não se empresta a ninguém (1972).
Contudo, o reinado de Benito Di Paula começou de fato em 1973 com dolente samba-canção, Retalhos de cetim, apresentado em single blockbuster naquele ano de 1973. Retalhos de cetim foi o ponto de partida para o sucesso de obra que – calcada no mix do piano tocado pelo artista com instrumentos de percussão – rendeu sucessivos hits até 1984, mas sobretudo de 1973 a 1977.
Nesse período, foi impossível ignorar Charlie Brown (1974), Beleza que é você mulher (1974), Bandeira do samba (1975), Como dizia o mestre (1975), Vai ficar na saudade (1975), Tudo está no seu lugar (1976), Do jeito que a vida quer (1976, samba dos versos confessionais “...É que meu samba me ajuda na vida / Minha dor vai passando esquecida”), Assobiar e chupar cana (1977) e Proteção às borboletas (1977).
Apresentadas ao longo de quatro anos, no já mencionado período de 1973 a 1977, auge da carreira de Benito, essas músicas atestaram o talento do compositor para fazer samba descolado da matriz do gênero, ainda que a assumida maior influência do sambeiro tenha sido a obra do bamba Ataulfo Alves (1909 – 1969).
Lançados em discos editados pelo cantor na gravadora Copacabana, na qual Benito permaneceu até 1980 e para a qual voltou brevemente em 1987 e em 1992, esses sucessos da década de 1970 são suficientes para garantir a imortalidade de Benito Di Paula na galeria dos criadores da música do Brasil.
Open Questions
- Qual foi o tipo específico de câncer que levou à sua morte?
- Houve algum plano de homenagem póstuma anunciada por instituições culturais ou musicais?
- Existem gravações inéditas ou projetos finais que não foram lançados em vida?







