Briga durante corrida por aplicativo deixa mulher com fratura no maxilar em Vicente Pires
Quick Look
- Uma discussão durante uma corrida por aplicativo entre um motorista e três passageiras terminou em briga generalizada, deixando Thayná Nogueira Gayoso Sousa com fratura no maxilar e necessitando de cirurgia.
- As passageiras acusam o motorista Edilson de Sousa Felipe de agressão física e ofensas transfóbicas; ele afirma ter agido em legítima defesa.
- Todos foram registrados como autores e vítimas de injúria, ameaça e lesão corporal, com Éllida também apontada por resistência.
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Why It Matters
O incidente ocorreu durante uma corrida por aplicativo em Vicente Pires, Distrito Federal, envolvendo um motorista e três passageiras. A discussão começou por solicitações de parada e fumo no veículo, evoluindo para agressões físicas e acusações de ofensas transfóbicas.
Uma discussão durante uma corrida por aplicativo entre um motorista e três passageiras terminou em uma briga generalizada e deixou uma mulher ferida em estado grave na noite de domingo (27), em Vicente Pires, no Distrito Federal.
As mulheres acusam o motorista Edilson de Sousa Felipe de agressão física. Ele, por sua vez, afirmou à Polícia Civil que foi agredido pelas passageiras e que reagiu para se defender.
Uma das passageiras, Thayná Nogueira Gayoso Sousa, sofreu uma fratura no maxilar e precisou passar por uma cirurgia nesta segunda-feira (28), segundo o advogado das mulheres. Ela permanecia hospitalizada até a última atualização desta reportagem.
As outras duas passageiras foram identificadas como Isis Zavlyn Bezerra Vaz Fernandes e Éllida Bjork de Freitas Trajano.
Imagens feitas após a briga mostram as mulheres e o motorista fora do veículo, depois da intervenção de policiais. As passageiras aparecem machucadas, e há manchas de sangue no carro (veja na reportagem acima).
Além das agressões, o advogado das três mulheres, Gabriel Vieira Borba, afirmou ao g1 que o motorista também teria feito ofensas transfóbicas contra Isis, que é uma mulher trans. Essa acusação, no entanto, não consta no boletim de ocorrência.
O motorista e as três passageiras foram registrados como autores e vítimas dos crimes de injúria, ameaça e lesão corporal. Éllida também foi apontada como autora de resistência, após uma policial militar intervir na briga (saiba mais abaixo).
A reportagem procurou a defesa do motorista e aguardava posicionamento.
Como a briga começou
Das três passageiras, apenas Isis prestou depoimento à Polícia Civil. Éllida optou por permanecer em silêncio, enquanto Thayná não conseguiu falar porque as lesões na boca dificultavam sua comunicação. Segundo a ocorrência, ela deve prestar depoimento após se recuperar.
Segundo o relato de Isis à Polícia Civil, as três mulheres estavam saindo de um estabelecimento em Vicente Pires quando Thayná solicitou um carro por aplicativo. Durante o trajeto, ela perguntou ao motorista se seria possível incluir uma parada, mas ele negou.
Vídeo mostra manchas de sangue no carro. — Foto: Reprodução
Em seguida, Éllida perguntou se poderia fumar tabaco dentro do veículo. Segundo Isis, as passageiras explicaram que ela não fumaria e que a pergunta era apenas uma brincadeira. Ainda assim, o motorista teria se exaltado e exigido que todas desembarcassem.
Ainda de acordo com a passageira, o motorista teria usado expressões como "vadia bêbada" e outras ofensas. Ao g1, a defesa das mulheres também atribuiu a ele declarações de conteúdo transfóbico dirigidas a Isis.
Isis afirmou à polícia que, depois de o veículo parar, desceu do carro e foi atingida por um soco no lado direito do rosto. Ela disse que caiu no chão e ficou momentaneamente desacordada.
Segundo o depoimento, Thayná tentou defendê-la, mas também foi atingida por socos. Éllida teria sido retirada do veículo pelos cabelos. Na sequência, começou uma luta corporal generalizada entre os envolvidos.
A defesa das três mulheres confirmou a versão apresentada por Isis e afirmou que elas consideraram inseguro o local onde o motorista inicialmente exigiu que desembarcassem. Segundo os advogados, ele parou o veículo mais à frente, retirou Isis do carro e iniciou as agressões. Thayná e Éllida teriam tentado protegê-la e também foram agredidas.
"Não estamos falando de um simples desentendimento durante uma corrida, mas de um episódio de violência que produziu consequências físicas graves e que demanda uma apuração rigorosa", afirmou o advogado Gabriel Borba.
Motorista diz que se defendeu
Em depoimento à Polícia Civil, Edilson afirmou que as três passageiras entraram no veículo exaltadas e fazendo bagunça. Segundo ele, advertiu que cancelaria a corrida caso o comportamento continuasse.
O motorista disse que, diante da situação, decidiu interromper a viagem e pediu que as mulheres desembarcassem. Nesse momento, uma delas teria começado a xingá-lo e ameaçado matá-lo, além de afirmar que tinha parentes policiais.
Edilson afirmou que recebeu um tapa, murros, inclusive na região do pescoço, e chutes. Ele também relatou ter batido a cabeça durante a confusão e disse que reagiu em legítima defesa.
Segundo o motorista, as três passageiras avançaram contra ele, dando início a uma luta corporal. Ele também afirmou que uma das mulheres tentou mordê-lo e que os envolvidos chutaram seu carro, aparentemente com a intenção de danificar os vidros.
Policial militar foi agredida durante intervenção
A briga foi interrompida após a intervenção de policiais que estavam nas proximidades. Segundo o boletim, uma policial militar que estava de folga e o namorado dela, que é policial civil, ouviram os gritos e foram verificar o que estava acontecendo.
Briga foi interrompida após a intervenção de policiais que estavam nas proximidades. — Foto: Reprodução
De acordo com a ocorrência, os policiais encontraram os envolvidos em uma briga generalizada e, inicialmente, não conseguiram identificar quem havia começado as agressões.
Durante a intervenção, Éllida teria desobedecido às ordens dos policiais e avançado contra a soldado, puxando seus cabelos. A policial afirmou que as duas chegaram a cair no chão e que foi necessária a intervenção de outros agentes para conter a mulher.
De acordo com os relatos dos policiais registrados na ocorrência, Éllida também teria tentado alcançar a arma da militar. Ela foi contida e algemada.
A defesa das três mulheres apresentou outra versão sobre o episódio. Segundo os advogados, Éllida estava nervosa e abalada com a situação e, durante a intervenção, se debateu e acabou atingindo o rosto da policial.
A defesa afirmou que o contato foi acidental, sem intenção de agredi-la, e que as circunstâncias deverão ser esclarecidas durante a investigação.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O caso será encaminhado à Justiça para julgamento dos crimes de injúria, ameaça, lesão corporal e resistência.
Very likely · Within months
Thayná Nogueira Gayoso Sousa terá alta hospitalar após recuperação da cirurgia no maxilar.
Likely · Within weeks
Open Questions
- As ofensas transfóbicas alegadas serão investigadas apesar de não constarem no boletim de ocorrência?
- Qual será o desfecho do processo criminal contra os envolvidos?
- Thayná terá sequelas permanentes após a fratura no maxilar?
- As passageiras sofrerão consequências legais pelas acusações de resistência e lesão corporal?







