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Segundo ele, foi o GPS travado que o levou a mudar a rota e a se deparar com o pedido de socorro de José Carlos, que estava no local havia dois dias, sem água e sem comida. Agustinho é de Uberaba (MG) e viajou para o interior de São Paulo para testar o percurso de uma prova de mountain bike que participaria no dia 21 de junho.
"Eu estava a 90 quilômetros dele, resolvi ir a Guará na quinta-feira [18] à noite. Deu um 'clique' aqui, falei 'tenho que ir lá conhecer essa pista, que eu não vou correr em uma pista onde eu não sei o trajeto, então eu tenho que ir lá, de qualquer forma'. Acho que foi Deus mesmo que me mandou lá e achei ele no lugar que ele estava".
José Carlos desapareceu no dia 17 de junho, quando saiu de Ituverava (SP) para visitar um amigo em Guará. Agustinho encontrou o motociclista, que trabalha como operador de máquinas, dois dias depois, em 19 de junho, em uma vala na estrada vicinal Liliana Tenuto Rosa, entre as duas cidades paulistas, e acionou o socorro.
À EPTV, afiliada da TV Globo, o ciclista disse que já conversou por telefone com José Carlos, que segue internado em recuperação, e os dois se emocionaram.
"Graças a Deus, agora ele está bem. A gente conversou, nos emocionamos, ele me agradecendo, mas não tem que agradecer nada. Ele tem que agradecer a Deus, porque ele foi merecedor para que eu pudesse achar ele. E eu agradeço demais a Deus por ter servido de ajuda para alguém aqui na terra".
'Ele está vivo?'
No período em que José Carlos foi dado como desaparecido, a família dele alugou um drone para tentar localizá-lo.
Após encontrar o motociclista, Agustinho pediu ajuda para carros que passavam pela Rodovia Anhanguera, próxima à estrada vicinal, e em um deles estava a filha de José Carlos, a estudante Maria Clara Galdiano Cruz.
"Foi muito angustiante. Quando a gente chegou lá, por ele estar preso no cipó, as pernas dele estavam muito roxas, então ele estava de costas pra pista, debaixo de uma árvore. A primeira coisa que eu perguntei foi 'ele está vivo?'"
Ciclista achou que fosse um bicho
Segundo Agustinho, o GPS travou durante o trajeto, obrigando-o a sair da rota e foi justamente nesse desvio que ele ouviu um pedido de socorro vindo do meio da mata.
"Comecei a ouvir umas vozes. No começo achei que pudesse ser algum bicho ou até gente trabalhando na rodovia. Depois percebi que parecia uma voz humana".
O ciclista contou que, mesmo desconfiado, entrou no mato, afastou o capim alto e encontrou primeiro uma moto caída. Poucos metros adiante, viu José Carlos, ferido e praticamente sem conseguir falar.
O ciclista contou que tentou parar motoristas que passavam pela rodovia, mas ninguém parou nos primeiros minutos. Até que um casal decidiu ajudá-lo e reconheceu a situação.
"Foi aí que disseram: 'É o homem que está desaparecido há dias'. Eu nem sabia, porque sou de Uberaba."
Enquanto aguardavam o resgate, mais pessoas chegaram ao local, entre elas, uma das filhas de José Carlos.
"Ela desceu do carro chorando e disse: 'É meu pai'. Eu só consegui tranquilizá-la dizendo que ele estava vivo", lembra o ciclista.

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