Congresso aprova jabuti que permite emendas para cidades inadimplentes e inclui Redata em regimes fiscais
Quick Look
- O Congresso Nacional aprovou um jabuti no projeto que modifica a Lei de Responsabilidade Fiscal, permitindo que municípios com menos de 65 mil habitantes recebam emendas mesmo estando em dívida com a União ou sem transparência nos gastos.
- A medida beneficia mais de cinco mil cidades brasileiras.
- O texto também inclui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) na lista de regimes exemptos do teto de 2% do PIB para benefícios fiscais, com estimativa de renúncia de R$ 5,2 bilhões em 2026.
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Why It Matters
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece regras para que municípios recebam transferências de recursos da União, exigindo regularidade fiscal e transparência nos gastos. Jabutos são dispositivos legislativos inseridos em projetos que não têm relação com o tema original, frequentemente usados para incluir benefícios setoriais ou regionais.
Os deputados incluíram um jabuti no projeto que cria uma brecha na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e permitir o envio de emendas para cidades, mesmo se elas estiverem em dívida com a União ou não tiverem transparência no gasto público. O texto foi aprovado pelos senadores.
🔎 Jabuti é um termo utilizado no processo legislativo para designar trecho incluído em um projeto de lei que não diz respeito ao tema inicial do texto.
Originalmente, a LRF estipula que, para receber transferências de fundos e emendas, os municípios brasileiros precisam seguir algumas regras fiscais. Entre elas, estar em dia com suas contas e ter realizado a prestação de contas transparente de recursos recebidos anteriormente.
No entanto, o jabuti aprovado pela Câmara retira essa regra para todas as cidades com menos de 65 mil habitantes. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), isso inclui mais de cinco mil cidades brasileiras, ou seja, 90% dos 5.569 municípios brasileiros.
O jabuti foi incluído no projeto pelo relator, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Em plenário, ele defendeu a mudança na lei.
"Aqueles municípios que são os menores do país, em todos os recantos, de Sul a Norte, de Norte a Nordeste, devem ter tratamento especial, porque cada vez mais eles querem aperfeiçoar, buscar capacidade técnica, para cumprir esse tipo de exigência, que, às vezes, os leva, por falta de adimplência, em motivos simples, a não estarem aptos a receber alguns recursos", disse o deputado.
A mudança na regra foi criticada pelo deputado Gilson Marques (Novo-SC). Para ele, a mudança retira a necessidade de responsabilidade fiscal da lei.
Apesar da crítica, o projeto foi aprovado por ampla maioria. Foram 364 votos a favor e 46 contrários, além de três abstenções.
A mudança na regra para o envio de emendas para cidades menores é um desejo antigo do Congresso.
Na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026, os parlamentares já tinham incluído a exceção para os municípios. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a vetar o trecho, mas seu veto foi derrubado.
Estudo mostra baixa relevância e transparência das emendas parlamentares individuais — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Financiamento para o Redata
Parte do motivo para o projeto ter sido aprovado por ampla maioria é a necessidade de mudanças nas regras fiscais para o financiamento do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).
Apresentado pelo então deputado e atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, o texto aprovado nesta quinta-feira (3) pela Câmara inclui o Redata na lista de regimes que não precisam respeitar o teto de 2% do PIB para benefícios fiscais. Caso contrário, inviabilizaria a renúncia de tributos.
O Redata é uma política para incentivar a instalação de datacenters no Brasil. Esse tipo de instalação reúne servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede para processamento de dados em grande volume.
Para incentivar o setor, o governo vai abrir mão de receber impostos federais. A estimativa do governo é de uma isenção de tributos de R$ 5,2 bilhões em 2026.
What to Watch
AI outlook — possibilities, not facts
O governo federal pode questionar judicialmente a constitucionalidade do jabuti na LRF diante do Tribunal de Contas da União ou do Supremo Tribunal Federal.
Possible · Within months
Open Questions
- Qual será o impacto concreto da renúncia de R$ 5,2 bilhões em tributos no orçamento federal de 2026?
- Como os municípios menores vão garantir a aplicação correta dos recursos recebidos sem a exigência de prestação de contas?
- O veto presidencial derrubado sobre o mesmo trecho na LDO de 2026 será novamente contestado no Judiciário?







