Delcy Rodríguez afirma que Venezuela mantém soberania sobre petróleo após anúncio de Trump
Presidente interina rebate acordo anunciado por Donald Trump que visaria controle de reservas venezuelanas
Quick Look
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reafirmou a soberania do país sobre suas reservas de petróleo, contestando um acordo anunciado por Donald Trump que visaria o controle de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano pelos EUA.
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Why It Matters
Nicolás Maduro foi deposto em janeiro após uma operação militar dos EUA. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina sob influência de Washington.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento na noite deste sábado (29) e afirmou que o país mantém o controle de seu petróleo. Na sexta-feira (28), o presidente Donald Trump anunciou um acordo que garantiria aos EUA o controle de reservas de petróleo da Venezuela equivalentes a 65 bilhões de barris, ou cerca de 21% de todo o petróleo do país.
"Uma coisa deve ficar absolutamente clara: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos", disse Rodríguez em um discurso transmitido pela televisão estatal, quase nove meses após seu antecessor, Nicolás Maduro, ter sido deposto pelos militares dos EUA.
A Venezuela é o país com as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, estimado em 303 bilhões de barris. Atualmente, o país sul-americano produz cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.
Trump afirmou na sexta que o acordo acontecerá por meio de parcerias com empresas privadas. Os detalhes do acordo não estão imediatamente claros.
Trump disse que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos.
O governo Trump está sob pressão, antes das eleições de meio de mandato previstas para novembro, devido à alta dos preços da gasolina — situação que poderia ser amenizada com o acesso a petróleo mais barato e o aumento da produção. Os EUA também buscam soluções para recompor sua Reserva Estratégica de Petróleo, incluindo a possibilidade de realizar trocas de petróleo bruto com produtores americanos.
Desde que os EUA capturaram e removeram o ex-presidente Nicolás Maduro do poder em janeiro, Washington tem tentado garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias americanas.
Deposição de Maduro
Em 3 de janeiro, uma operação militar americana realizou uma invasão ao país, sequestrando o presidente Nicolás Maduro.
Maduro foi levado a Nova York, onde se encontra preso aguardando julgamento.
Em seu lugar, foi nomeada como presidente interina Delcy Rodríguez, vice de Maduro, mas cujo governo tem tomado medidas pró-Washington, como a soltura de dissidentes políticos e o envio de petróleo para os EUA.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é apontado como a autoridade que dita de fato as ordens em Caracas.
O republicano tem defendido uma aproximação com Caracas principalmente por causa da importância do país no mercado de petróleo. O tema ganhou ainda mais relevância para a Casa Branca após a escalada do conflito com o Irã, que pressionou os preços internacionais da commodity.
Ao mesmo tempo, a oposição venezuelana e entidades de defesa dos direitos humanos têm pedido um avanço mais rápido das negociações políticas. A cobrança também encontra apoio entre parlamentares democratas e republicanos no Congresso dos Estados Unidos.
Rubio já havia defendido que a Venezuela passaria por três etapas após a saída de Maduro: estabilização econômica, reorganização política e uma transição para eleições.
Open Questions
- Quais são os detalhes técnicos do acordo de petróleo com empresas privadas?
- Como será a reação interna na Venezuela à perda de controle das reservas?







