
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursou na Assembleia Geral da ONU em Nova York após reunião com Donald Trump, que destacou acordo petrolífero e libertade de presos políticos, enquanto manifestantes protestavam em Caracas por eleições livres.
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Delcy Rodríguez assumiu o governo interino da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos EUA em janeiro de 2026. Sua participação na Assembleia Geral da ONU marca o primeiro discurso de um líder venezuelano no evento desde 2018, em meio à aproximação entre Caracas e Washington.
Delcy Rodriguez em reunião no Suriname. — Foto: Ranu Abhelakh / Reuters
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, deu início ao seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. É o primeiro discurso de um líder venezuelano no evento desde 2018.
A participação desta quarta-feira (23) ocorre nove meses após ela assumir o governo venezuelano, depois da captura do então presidente Nicolás Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos, em janeiro.
A delegação venezuelana inclui o vice-presidente da área econômica, o ministro do Petróleo e representantes da estatal PDVSA.
A viagem a Nova York ocorre em meio à aproximação entre Caracas e Washington. Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu com Rodríguez pela primeira vez desde que Rodríguez assumiu o poder na Venezuela após a captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa em uma operação militar dos Estados Unidos realizada em 3 de janeiro.
Segundo Rodríguez, eles discutiram o fortalecimento das relações bilaterais e uma agenda de cooperação nas áreas de energia, mineração e segurança.
Após o encontro, Delcy publicou uma foto com Trump nas redes sociais.
"Conversamos sobre o fortalecimento da relação bilateral entre nossos países e o avanço de uma agenda de cooperação em áreas estratégicas como energia, mineração, segurança e outros temas de interesse comum", publicou a venezuelana.
Delcy também agradeceu o apoio dos EUA durante a crise causada pelos terremotos de 2 de junho e a ajuda no "processo de reintegração de nosso país aos espaços multilaterais".
A nova fala de Rodríguez ocorre enquanto o governo interino busca ampliar a reinserção da Venezuela em organismos internacionais. Antes da Assembleia Geral, ela se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, a comitiva tem buscado apresentar a Venezuela como um destino atrativo para investimentos. Nos últimos dias, integrantes da delegação participaram de conversas com autoridades americanas, empresas, organismos multilaterais e credores sobre temas como energia, mineração e dívida pública.
Trump desenvolveu uma relação de trabalho com Rodríguez, que ocupou o cargo de vice-presidente durante o governo Maduro. A aproximação, no entanto, vem sendo criticada por setores da oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado. Os críticos afirmam que Washington deixou em segundo plano as cobranças por eleições livres no país em favor de acordos econômicos e petrolíferos com o governo interino.
Durante o discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça, Trump voltou a atacar Maduro, classificando-o como um "ditador fora da lei". O presidente americano afirmou que centenas de presos políticos foram libertados após a captura do ex-líder venezuelano e citou a operação militar de janeiro como demonstração da disposição dos EUA em usar seu poder militar para proteger interesses no Hemisfério Ocidental.
Manifestantes protestam em Caracas contra a presença da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026. — Foto: Gaby Oraa/ Reuters
Trump também destacou um acordo petrolífero firmado entre Washington e Caracas no mês passado, que chamou de "talvez o maior acordo já feito". O republicano já declarou que pretende estimular US$ 100 bilhões em investimentos para a indústria de petróleo venezuelana.
A presença de Rodríguez em Nova York provocou protestos. Mais de 50 manifestantes se reuniram diante da sede da ONU nesta terça-feira pedindo eleições livres na Venezuela. Os participantes carregavam cartazes com frases como "Sem voto, sem petróleo" e "Novo rosto, mesmo regime".
Alguns manifestantes lembraram que Rodríguez fez parte do governo chavista por mais de duas décadas. Também houve referências a Maduro, que aguarda julgamento por acusações de narcotráfico em uma prisão federal no bairro do Brooklyn, em Nova York.
Segundo os organizadores dos protestos, a expectativa é que Trump pressione o governo interino venezuelano a estabelecer um calendário para novas eleições no país.
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A presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez, participa da sessão de debate da Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro de 2026. — Foto: Brendan McDermid/ Reuters
AI outlook — possibilities, not facts
Trump pressionará o governo interino venezuelano a estabelecer um calendário para novas eleições no país.
Likely · Within weeks
O acordo petrolífero entre EUA e Venezuela levará a aumento dos investimentos norte-americanos na indústria de petróleo venezuelana.
Very likely · Within months

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