
Ex-funcionárias registram denúncias contra empresário em Santa Juliana por assédio, importunação sexual e gravações clandestinas no banheiro da imobiliária.
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Várias ex-funcionárias de uma imobiliária em Santa Juliana registraram boletins de ocorrência contra o proprietário por crimes sexuais.
Após descobrir que era filmada nua enquanto usava o banheiro do trabalho, uma jovem de 26 anos, ex-funcionária de uma imobiliária em Santa Juliana, no Alto Paranaíba, denunciou o empresário Hélio Borges Junior, de 53 anos. O caso foi registrado como importunação sexual no dia 29 de junho.
Os nomes das mulheres foram preservados para evitar a identificação das vítimas.
O g1 entrou em contato com o advogado de Hélio, Cássio Ernani Costa, e questionou se ele deseja se manifestar sobre os casos, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Veja abaixo o que se sabe sobre o caso.
Quando foi a primeira denúncia contra o empresário?
Em um boletim de ocorrência registrado em 2023, uma jovem relatou ter sido importunada sexualmente pelo empresário quando tinha 17 anos e trabalhava na imobiliária.
Segundo o relato à polícia, os episódios eram frequentes, e ele teria se aproveitado da vulnerabilidade da adolescente.
"O pior foi quando ele não usou cueca e se sentou de frente pra mim com uma bermuda larga, de maneira que aparecía as partes íntimas", relembrou uma das mulheres.
Novas denúncias em 2024
Outro registro, feito em 2024, reúne os relatos de duas mulheres que trabalhavam na imobiliária e tinham, na época, 19 e 25 anos. A ocorrência foi registrada por assédio sexual e menciona estupro consumado na natureza do crime.
Segundo o boletim de ocorrência, as duas afirmaram que foram tocadas pelo proprietário da imobiliária sem consentimento.
A vítima, de 19 anos à época, contou que foi chamada pelo chefe para trabalhar em um sábado, dia em que estaria de folga. Segundo ela, Hélio ofereceu R$ 800 pelo serviço e informou que precisava de ajuda na avaliação de um imóvel.
Ainda conforme o relato, ao final do expediente, por volta das 16h30, o empresário teria se aproximado da funcionária e tentado abusar dela. A vítima afirmou que ele expôs o órgão genital e tocou seus seios e nádegas sem consentimento.
Assustada, a mulher relatou que pegou seus pertences e deixou o local.
Inicialmente, ela contou o que havia acontecido apenas ao namorado. Posteriormente, relatou o episódio ao pai, que a acompanhou até a sede da PM para registrar a ocorrência.
No mesmo registro policial, a outra funcionária, de 25 anos na época, relatou um episódio ocorrido em abril de 2024.
A mulher afirmou que Hélio aproveitou um momento em que não havia outras pessoas no local de trabalho para se aproximar dela e tocar em sua coxa e suas nádegas. De acordo com o relato aos militares, ela deixou o local imediatamente após o episódio.
A vítima contou que, ao retornar ao trabalho, o empresário agiu normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Segundo ela, o medo de não receber pelo trabalho foi um dos motivos que a levaram a retornar à imobiliária. A mulher também afirmou que tinha receio de procurar a polícia porque considerava que a família do empresário era influente e temia sofrer retaliações.
Quando houve a denúncia por gravação no banheiro?
A denúncia mais recente contra o empresário foi registrada em 29 de junho de 2026, quando uma ex-funcionária, de 26 anos, procurou a polícia afirmando ter encontrado fotos e vídeos em que aparecia nua no celular do ex-patrão.
Segundo a mulher, as imagens foram gravadas enquanto ela utilizava o banheiro da imobiliária para as necessidades pessoais.
A mulher contou que teve acesso ao aparelho após Hélio pedir que ela usasse o celular para pagar uma marmita enquanto ele saía para fumar.
“Eu esbarrei naquela opção de mostrar as abas do celular e a segunda aba era de fotos e eu vi que eram fotos que eu aparecia nua”, relatou.
Ao perceber o conteúdo, a mulher fotografou a tela do aparelho com o próprio celular e deixou a imobiliária.
Ex-funcionária diz que comportamento mudou antes da descoberta
A jovem de 26 anos relatou que já havia trabalhado na imobiliária anteriormente, em 2024, e que não havia percebido nenhum comportamento que considerasse inadequado na época.
Ela deixou a empresa em agosto de 2025 por motivos pessoais, mas retornou cerca de dois meses depois, após receber uma nova proposta de trabalho do empresário.
Foi durante esse segundo período, segundo ela, que Hélio passou a tentar estabelecer uma relação de amizade e a buscar sua companhia.
“Todo trabalho que ele poderia fazer sozinho, ele passou a querer que eu fosse”, relatou.
She disse ainda que começou a perceber comportamentos estranhos quando entrava em determinados ambientes da imobiliária. Segundo a vítima, o empresário e outro funcionário costumavam interromper o que faziam e demonstravam surpresa quando ela chegava.
A desconfiança aumentou, segundo ela, quando percebeu que Hélio acessava seu perfil no TikTok.
“Foi então que ele começou a acessar meu perfil e ver meus vídeos pessoais. Passei a ficar com um pé atrás”, afirmou.
Empresário admitiu esconder celular no banheiro?
Conforme o boletim de ocorrência, o empresário foi detido e levado à delegacia. Durante o depoimento, ele admitiu ter escondido um celular no banheiro para fazer as gravações, mas afirmou que não divulgou as imagens e negou ter cometido outros atos contra a ex-funcionária.
Após descobrir as imagens, a mulher contou que deixou a cidade por medo e passou a fazer acompanhamento psicológico.
“Eu tentei aguentar porque sou provedora do meu lar até encontrar outro serviço. Eu tenho medo. Eu me mudei de cidade porque fiquei com medo”, afirmou.
Segundo a mulher, depois da denúncia, o advogado do empresário teria proposto um acordo. Ela afirmou ainda que o pai de Hélio teria oferecido dinheiro para que ela não falasse sobre o caso.
“Meu silêncio não se compra”, declarou.
Investigação
Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o caso está sob segredo de Justiça e, por isso, não pode fornecer mais informações sobre o processo.
Ao g1, a Polícia Civil informou que um inquérito foi aberto para apurar a denúncia de 2026. A reportagem questionou sobre os casos denunciados entre 2023 e 2024, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que não havia sido acionado sobre o caso. No entanto, diante da repercussão e da gravidade dos fatos, a Procuradoria Regional do Trabalho decidiu abrir um procedimento investigativo. O órgão esclareceu ainda que não há prazo específico para o início das apurações, já que recebe denúncias relacionadas a diferentes tipos de violações trabalhistas.
AI outlook — possibilities, not facts
Polícia Civil conclui inquérito sobre a denúncia de 2026
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