Freixo é alvo da Operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro
Operação investiga esquema de infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e uso de lotéricas para lavagem de capitais.
Quick Look
- O empresário Freixo é alvo da 3ª fase da Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro via casas lotéricas e conexões com o setor de combustíveis.
- Investigação aponta triangulação de prêmios e transações suspeitas com empresas ligadas a foragidos.
AI-generated summary
Why It Matters
A Operação Carbono Oculto investiga um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. Freixo é um dos alvos da terceira fase da operação.
Freixo é um dos alvos de busca e apreensão da 3ª fase da Operação Carbono Oculto, realizada nesta quinta-feira (24) contra um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
Ele ficou conhecido nas investigações do Banco Master após fechar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação, assinada em agosto e homologada em setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalhou operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, dono do banco.
O empresário é apontado pela investigação como líder do Grupo Entre Investimentos e como um dos principais prestadores de serviços de blindagem financeira e lavagem de capitais para a organização criminosa atribuída a Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo". Os dois são investigados como integrantes da organização criminosa.
A investigação afirma que a frequência incomum das premiações, o volume movimentado e o uso de casas lotéricas chamaram atenção dos órgãos de controle. Para o MP, esse tipo de operação pode, em tese, ser usado para dar aparência legal a recursos de origem ilícita.
Os promotores também apontam um padrão de triangulação das apostas: terceiros fariam os jogos, mas os prêmios seriam transferidos diretamente para contas de empresas ligadas a Freixo, como a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. Em um dos exemplos citados na investigação, uma aposta atribuída a Patrick Saulo Alves Lacerda teria gerado um prêmio de R$ 2.389,33 enviado à conta da Cactus.
De acordo com o MP, a frequência das premiações e a forma como os valores eram movimentados indicam que os 570 registros poderiam fazer parte de uma estratégia para dissimular a origem dos recursos, em vez de representar ganhos efetivos com apostas por sorte. Os promotores afirmam que o padrão pode indicar o uso de apostas como etapa de “reciclagem do dinheiro”.
Segundo o Ministério Público, a EntrePay recebeu R$ 166,5 mil da Ceopag, fintech que teria sido usada por empresas ligadas a Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, que estão foragidos.
Outra empresa de Freixo, a Entre Investimentos, repassou R$ 620 mil à Quimicolor, apontada na investigação como parte de uma estrutura relacionada a pagamentos envolvendo metanol que teria sido desviado para adulteração de combustíveis.
A existência dessas transações não significa que Freixo tenha sido apontado como integrante da organização criminosa. A investigação busca esclarecer o contexto e a finalidade das movimentações.
Freixo começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy, passou pelo mercado financeiro e, em 2016, fundou o Grupo Entre. Ele também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investigou o Banco Master.
Open Questions
- Qual o envolvimento direto de Freixo com os foragidos?
- Haverá novas prisões decorrentes da delação?







