
Campanhas buscam ampliar base de votos, reduzir abstenções e conquistar eleitores no estado.
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No Ceará, a campanha para o segundo turno presidencial mobiliza lideranças locais para ampliar votações e reduzir abstenções.
No Ceará, a campanha para a reeleição de Lula (PT) busca ampliar a votação conquistada no 1º turno, com a meta de ultrapassar a marca de 70% de votos válidos no estado e reduzir a abstenção.
A mobilização em torno da eleição de Flávio Bolsonaro (PL) também busca alcançar eleitores em setores estratégicos e conquistar a simpatia de quem votou em Ciro Gomes (PSDB) para o governo.
Para a cientista política e socióloga Paula Vieira, pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia, da Universidade Federal do Ceará (UFC), os dois lados contam com líderes capazes de mobilizar eleitores nas plataformas virtuais que tiveram mais destaque nesse pleito, como o Instagram e o TikTok.
Nas ruas, o contato direto com apoiadores também é previsto, com a realização de blocos, marchas e atos com diversos setores pelas cidades cearenses. Confira abaixo quem são os principais líderes locais que devem se engajar nas duas campanhas.
O Ceará foi um dos 12 estados onde Flávio Bolsonaro teve minoria de votos. No estado, foram 63,29% dos votos válidos para Lula e 31,27% para Flávio.
A pesquisadora Paula Vieira aponta que Flávio tem, no Ceará, captadores de votos que geralmente associam seus nomes à família Bolsonaro, como os deputados federais eleitos André Fernandes e Carmelo Neto e a deputada estadual eleita Bella Carmelo.
Estes nomes devem aproveitar o capital político após as votações expressivas do 1º turno para atuarem como "puxadores de voto" para Flávio, principalmente em Fortaleza e na região metropolitana, destaca Paula.
Mesmo sem ter alcançado uma vaga no Congresso, a vereadora de Fortaleza Priscila Costa é outra liderança do PL com capacidade de mobilizar o voto das mulheres conservadoras. Além disso, a proximidade dela com Michele Bolsonaro deve facilitar o diálogo com esta parcela do eleitorado.
Outra aposta para este grupo político no Ceará deve ser o de convencer quem votou em Ciro para governador e Lula para presidente, menciona a pesquisadora. No Ceará, este voto desagregado ganhou um termo próprio, com o nome de ‘Cirula’.
No entanto, a tendência é que Ciro continue sem se posicionar publicamente sobre apoio para presidente. Na campanha do 1º turno, Ciro não teve agendas públicas com Flávio nem usou a figura do candidato em materiais ou eventos públicos.
“A tendência é ele [Ciro] se manter como ele se manteve no decorrer da eleição, numa aparente neutralidade. Apesar de ele estar aliado com o bolsonarismo, com André Fernandes e com Alcides Fernandes, ele evitou ao ponto de que existem pessoas que votam no Ciro Gomes e que, até então, têm muita certeza que ele não é um aliado do bolsonarismo, mesmo ele estando em aliança com o bolsonarismo no Ceará”, analisa Paula.
Nesta terça-feira (6), Ciro divulgou uma carta nas redes sociais agradecendo pelos votos recebidos, mas afirmando que as eleições no estado foram “tomadas”. Apesar de fazer várias críticas à gestão do PT no Ceará, Ciro não fez nenhuma menção de apoio ao voto em Flávio.
O candidato a vice de Ciro, Roberto Cláudio (União), também se manifestou publicamente sobre o resultado do 1º turno sem anunciar apoio para candidato à presidência.
Por outro lado, Capitão Wagner, que foi candidato ao Senado na chapa de Ciro, declarou publicamente apoio a Flávio Bolsonaro. A atuação dele como um puxador de votos para Flávio era incerta devido ao histórico dele nas eleições passadas, comenta Paula Vieira.
“Não é sempre que ele se firma como uma liderança bolsonarista. Ele tem momentos em que ele diz o apoio, mas, em outros, ele recua. Em outras eleições, ele não foi declaradamente bolsonarista, para poder captar uma maior parcela do eleitorado”, recorda a pesquisadora.
Na quarta-feira (7), Flávio Bolsonaro reuniu apoiadores para traçar estratégias para o 2º turno. Dentre as lideranças do Ceará, estiveram no encontro André Fernandes, Carmelo Neto, Bella Carmelo e Priscila Costa.
O deputado André Fernandes informou que irá manter a mobilização com o "Bloco do 22", evento que promoveu diversas vezes na campanha do 1º turno para reunir sua base nas ruas.
Em mensagem nas redes sociais, o parlamentar destacou que cerca de 600 mil eleitores no Ceará votaram em Ciro para governador e Lula para presidente. André fez um apelo destacando que a continuidade do governo petista no Brasil representa riscos para a população.
“Você não precisa gostar do Flávio, mas você precisa entender que ele representa a estanca da sangria que está nos matando”, disse o deputado, nas redes sociais.
Nesta quinta-feira (8), André divulgou que cinco comitês dele em Fortaleza serão comitês de Flávio Bolsonaro. O deputado participa de um "Bloco do 22" neste sábado (10), no bairro Conjunto Ceará. No domingo (11), a mobilização será no município de Morrinhos, o único do Ceará onde Flávio venceu Lula no primeiro turno.
No Ceará, a campanha pela reeleição de Elmano de Freitas contou com a maior coligação entre candidatos a governador no Brasil, com 13 partidos do centro à esquerda e uma forte associação ao nome de Lula nos eventos, nas falas e nos materiais de campanha.
Desta forma, o movimento para o 2º turno conta com esta base de lideranças se mobilizando para viabilizar uma vitória de Lula. Um dos desafios é tentar diminuir os números de abstenção no 2º turno. Mesmo tendo o menor percentual de abstenção no Brasil, o Ceará ainda teve pouco mais de 1 milhão de pessoas que estavam aptas a votar e não compareceram.
“As abstenções aqui não foram grandes. O Ceará vai contra a tendência nacional. A média nacional está subindo de abstenção, mas o Ceará está caindo. Na eleição passada [em 2022], foi em torno de 18%, agora está em torno de 15%. Por isso que eu acho que o desafio é maior. É chegar nessas pessoas que se abstiveram, nos brancos e nos nulos”, avalia a cientista política Paula Vieira.
Conforme a pesquisadora, a tendência é que nomes como o senador Camilo Santana e o governador Elmano de Freitas estejam à frente para movimentar a campanha de Lula no Ceará, com inserção nos municípios do interior e na região do Cariri.
Camilo e Chagas Vieira, eleito suplente de senador na chapa encabeçada por Luizianne Lins (Rede), foram recrutados para participarem ativamente da campanha de Lula em todo o Brasil para o segundo turno.
Na Região Metropolitana de Fortaleza e com um modelo mais tradicional de campanha nas ruas, Paula Vieira aponta nomes como a senadora eleita Luizianne Lins, a deputada estadual eleita Jade Romero e a deputada federal eleita Luísa Cela para esta articulação.
Paula cita também outras lideranças que animam as bases e que devem fazer uma campanha aguerrida por Lula: Renato Roseno (PSOL), que não conseguiu se eleger como deputado federal, e Gabriel Biologia (PSOL), que foi eleito deputado estadual como uma votação expressiva.
Outro nome do PSOL com bastante articulação nas redes sociais, como Instagram e TikTok, é Léo Suricate, eleito deputado estadual. Outras lideranças com atuação nas ruas e com um diálogo com o público feminino também são vistas como importantes para este momento, como a deputada Larissa Gaspar (PT) e a vereadora Adriana Gerônimo (PSOL).
“Eu acho que vai ser, de fato, uma campanha que vai ter esse perfil tradicional, de precisar chegar nos municípios, nos territórios fora da região metropolitana, nas redes sociais. (...) Acredito que a dimensão territorial do estado do Ceará vai precisar das prefeituras, e aí nós temos as prefeituras do PSB. É por isso que o governador Elmano de Freitas foi chamado junto com o Camilo para pensar essa estratégia em todo o território”, pontua Paula.
A cientista política também não descarta a possibilidade de que Lula visite o Ceará antes do 2º turno. O presidente visitou o estado quatro vezes entre julho e setembro.
Na nova fase da disputa eleitoral, ela avalia que Lula pode escolher estar mais próximo de estados do Nordeste que elegeram senadores do PL, por exemplo, ou visitar o Ceará para recuperar os votos que perdeu no estado em comparação com 2022.
Na segunda-feira (5), o presidente Lula se reuniu em Brasília com apoiadores para tratar estratégias de campanha, com Camilo Santana assumindo a coordenação política. Elmano de Freitas também esteve no encontro, assim como os senadores eleitos, Cid e Luizianne e o suplente Chagas Vieira.
Em entrevista concedida na segunda (5), Elmano afirmou que a meta é conseguir um percentual maior que 70% de votos válidos para Lula no Ceará. De acordo com o governador, a estratégia passa pela comparação do que os governos Lula trouxeram para a vida dos cearenses em relação ao governo de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022.
“Se você comparar o que o governo Bolsonaro fez nos estados brasileiros, seja de estrada, seja na área da educação, seja na área da saúde, é incomparável a entrega que o presidente Lula realiza para o povo de cada estado do que era a experiência do governo Bolsonaro", defendeu Elmano.
Segundo Chagas Vieira (PDT), que será o primeiro suplente de Luizianne Lins no Senado, Lula quer voltar ao Ceará na campanha deste segundo turno. Ele postou um vídeo nas redes sociais em que o atual presidente diz que quer visitar e fazer uma nova passeata no estado.
Na noite desta quinta-feira (8), Camilo esteve em Fortaleza mobilizando um encontro com a juventude no bairro Benfica, em programação anunciada juntamente com Chagas.
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Realização de atos e comitês de campanha para o segundo turno no Ceará.
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