
Presidente defendeu a democracia e criticou adversários em manifestação que enfrentou restrições de trânsito e intervenções da PM em São Paulo
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O TRE-SP concedeu liminar permitindo a caminhada, mas proibiu o bloqueio do leito carroçável da Avenida Paulista. A gestão do prefeito Ricardo Nunes tentou impedir o evento alegando normas de trânsito.
Em ato na avenida Paulista nesta sexta-feira (3), o presidente Lula (PT) voltou em falar em defesa da democracia e da soberania em sua campanha à Presidência nas eleições deste ano, afirmando, sem citar nomes, que o lado de seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), significa a "barbárie".
"Eles acabaram com tudo, e nós reconstruímos [...] Vamos à urna amanhã com muita tranquilidade, sabendo o que está em jogo. De um lado, a democracia e a soberania. Do outro lado, a barbárie e a corrupção. Estamos trabalhando contra chefes de quadrilha, contra o crime organizado", disse Lula.
O presidente voltou a dizer que foi em seu governo que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi preso e a falar em orgias ao se referir ao caso. "Eles [adversários] estão com medo porque cada dia aparece uma coisa nova. Só falta aparecer os participantes da orgia."
Ele também convocou os apoiadores a voltem à avenida Paulista no domingo (4), afirmando que venceria a disputa já no primeiro turno.
"Não podemos permitir que eles transformem a Avenida a Paulista num palanque da extrema direita. A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro", afirmou.
O ato final da campanha de reeleição de Lula teve tensão com a polícia ainda antes de seu início por causa da obstrução da Avenida Paulista, em São Paulo.
A concentração da passeata ocorreu na esquina da Paulista com a rua Augusta, onde Lula realizou ato semelhante em 2022.
Por volta das 10h30, homens da Polícia Militar se aproximaram dos trios elétricos para cobrar a desobstrução da Paulista.
Houve uma discussão entre o comandante da operação e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo.
Os trios elétricos foram movidos por cerca de cem metros na Augusta, aumentando o espaço para apoiadores na rua. Organizadores do ato relatam à reportagem que ainda há pressão para que a passeata desça logo a rua.
Tudo se deu antes do início oficial do ato com Lula, que chegou por volta das 11h20. Ao lado do presidente, estão o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB); o candidato petista ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e seu vice, Márcio França; as candidatas ao Senado da chapa, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede); e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
No ato, Haddad acusou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), de tentar impedir a manifestação.
A gestão Nunes tentou barrar a caminhada sob a justificativa de que o TRE-SP havia solicitado que avenida Paulista, assim como outras ruas e avenidas da capital, fiquem desimpedidas no sábado e domingo.
Na quinta (2), o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) concedeu liminar que garantia a caminhada, mas afirmou que nenhuma via poderia ser bloqueada. A ação havia sido protocolada pela Coligação Desperta São Paulo (PDT, PSB, PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede) contra a gestão de Ricardo Nunes.
A candidata Simone Tebet, ex-ministra de Lula, também afirmou que "tentaram impedir o povo de ocupar a Paulista".
"Enquanto o senhor [Lula] for presidente da República, ninguém vai atacar a democracia no Brasil", disse Simone no ato.
Após a discussão com a PM, manifestantes passaram a bloquear o trio, recusando-se a sair da frente do veículo. A corporação foi vaiada, e apoiadores do presidente Lula fizeram coro contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A Folha perguntou à Secretaria de Segurança Pública o que aconteceu, mas a pasta disse ainda estar apurando.
Em nota, a PM afirmou que acompanha o ato para "garantir a segurança de manifestantes, pedestres e motoristas e preservar a fluidez do trânsito".
Na decisão que liberou o ato de Lula, a juíza Maria Claudia Bedotti afirmou que a concentração, o deslocamento e a dispersão deveriam ocorrer sem ocupar o leito carroçável da Paulista e da rua Augusta, mantendo-se um corredor livre para servidores, equipamentos e urnas eletrônicas.
Segundo a decisão, estruturas, fixas ou móveis, estariam vedadas na pista, e a organização deveria seguir as orientações da PM e da CET. Em caso de descumprimento, as autoridades têm poder de desobstruir as vias de imediato.
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Realização de votação no primeiro turno.
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