
Cibele Marchis, de 28 anos, e Maria Elisabete, de 56, enfrentavam tipos distintos da doença e foram sepultadas juntas na cidade paulista.
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Cibele Marchis tratava um câncer raro desde 2024, enquanto sua mãe, Maria Elisabete, foi diagnosticada recentemente com um câncer agressivo no pâncreas.
"Ela nunca deixou de trabalhar. Ela nunca deixou de viver. Ela nunca deixou de fazer as coisas que tinha que fazer." Foi assim que Bárbara Rodrigues dos Santos, de 43 anos, descreveu a forma como Cibele Marchis, de 28 anos, encarou quase três anos de tratamento contra um câncer raro. A jovem e a mãe morreram vítimas da doença em um intervalo de 10 horas, em Mogi Guaçu (SP).
Empresária, criadora de conteúdo e estrategista de marketing digital, Cibele seguiu trabalhando, viajando e encontrando os amigos mesmo diante de cirurgias, internações e complicações provocadas pela doença.
"Ela não deixou o câncer defini-la. Ela não queria ser conhecida como a Cibele que tem câncer, e sim a Cibele que trabalha, se diverte, vive e está com câncer", recorda Eloá Righi, sócia da jovem.
Aos 28 anos, Cibele acumulava 11,7 mil seguidores nas redes sociais, onde compartilhava a rotina que ia muito além do tratamento.
Na apresentação do perfil, escolheu frases que resumiam a forma como lidava com a doença: "Rotina real, trabalho e autocuidado", "Fases pedem estratégias diferentes" e "Viver, vivendo com um CA raro".
Cibele Marchis, de 28 anos, manteve a rotina de trabalho, viagens e encontros com amigos durante a batalha contra um câncer raro — Foto: Reprodução/Redes sociais
Segundo Bárbara, mesmo nos períodos mais difíceis, Cibele continuou envolvida com o trabalho, participou de eventos, planejou viagens e preservou momentos de convivência com familiares e amigos.
No fim de 2025, a família chegou a ser chamada ao hospital diante da gravidade do quadro. Contra as expectativas, porém, Cibele se recuperou.
Após receber alta, voltou a viajar, frequentar a praia e retomar atividades que lhe davam prazer, mesmo convivendo com as sequelas do tratamento.
"Ela saiu do hospital e alguns dias depois, foi viver, ela foi para a praia. Ela estava com uma bolsa de colostomia, com um buraquinho da tráquio, e mesmo assim ela quis viver", recordou Bárbara.
Em postagem nas redes sociais, em 23 de dezembro de 2025, escreveu: "A cura é um processo, e até lá eu sigo meu lema: Viver, vivendo ✨ É um privilégio e um propósito de Deus poder aproveitar cada momento!"
Dias antes da última internação, no sábado (19), Cibele ainda recebeu amigas em casa para um encontro regado a vinho e petiscos.
"Ele manteve-se positiva, vivendo independente do quadro dela. Trabalhou até quando pode", completou Bárbara.
Cibele Marchis, de 28 anos, compartilhava com os seguidores a rotina, incluindo a batalha contra um câncer raro desde 2024 — Foto: Reprodução/Redes sociais
Mãe e filha morrem em intervalo de 10 horas
Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis enfrentavam tipos distintos da doença e foram sepultadas nesta sexta-feira (25), após uma sequência de perdas que comoveu familiares e amigos.
"Nenhuma das duas queria ver a outra morrer. Elas chegaram a comentar, às vezes de brincadeira, outras em tom sério, e isso aconteceu. Uma não ficou sabendo da morte da outra. É realmente uma coisa espantosa", disse Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria e primo de Cibele.
Cibele morreu por volta das 16h de quinta-feira (24), quando a mãe, internada em outro hospital da cidade, estava sedada.
Segundo parentes, a família estava velando o corpo da jovem quando, às 1h58 da madrugada desta sexta-feira (25), recebeu a notícia do falecimento de Maria Elisabete.
Mãe e filha foram veladas juntas pela manhã e sepultadas no Cemitério Municipal Santo Antônio.
Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis, de 28 anos, mãe e filha que morreram vítimas de câncer em um intervalo de 10 horas em Mogi Guaçu (SP) — Foto: Arquivo pessoal
Conhecidas na cidade
Familiares contam que mãe e filha eram muito conhecidas em Mogi Guaçu.
Enquanto Maria Elisabete, chamada de Bia por parentes, trabalhava como podóloga em um salão tradicional da família, Cibele tinha uma empresa de marketing digital e era ativa nas redes sociais, com 11,7 mil seguidores.
Quem travou inicialmente a batalha contra a doença foi Cibele, que notou os primeiros sintomas em dezembro de 2023, e operou pela primeira vez em agosto de 2024. A jovem tinha um câncer raro na válvula suprarrenal.
O diagnóstico, no entanto, não mudou a rotina ou o ânimo da jovem.
"Ela não deixou o câncer defini-la. Ela não queria ser conhecida como a Cibele que tem câncer, e sim a Cibele que trabalha, se diverte, vive e está com câncer", recorda Eloá Righi, sócia da jovem.
Amor de mãe
Bárbara Rodrigues dos Santos, casada com Rowilson, recorda que o amor de Maria Elisabete trouxe Cibele de volta à vida em dezembro de 2025. A jovem estava com infecções decorrentes de cirurgias, e a família chegou a ser chamada ao hospital diante da iminência do óbito.
"Ela [Bia] jejuava 24 horas pedindo um milagre para a filha, e Deus atendeu. Deus devolveu a filha dela", conta Bárbara.
Passado o momento crítico, Cibele recebeu alta e, mantendo o ânimo que a acompanhava, foi viajar para a praia sem ligar para as marcas da traquiostomia ou a bolsa de colostomia que usava. "Ela quis viver", recorda Bárbara.
Cibele Marchis, de 28 anos, compartilhava com os seguidores a rotina, incluindo a batalha contra um câncer raro desde 2024 — Foto: Reprodução/Redes sociais
Câncer agressivo
Mas foi logo após esse episódio que Maria Elisabete, desconfiando de uma pedra na vesícula, foi ao médico e acabou surpreendida com o diagnóstico de um câncer agressivo no pâncreas.
Diferentemente da filha, que passou por cirurgias, ciclos de quimioterapia e uso de medicamentos, o quadro da mãe se deteriorou rapidamente, e por conta das fortes dores necessitava de morfina.
Maria Elisabete estava internada desde a quinta-feira (17) da semana anterior, e Cibele chegou a visitar a mãe no hospital. A jovem foi internada nesta semana após piora no quadro de saúde.
"Eu cheguei de viagem na quarta, e minha mãe falou que a Bia estava mal. E quando recebi a ligação na quinta, todo mundo esperava que fosse minha tia, e não a Cibele", recorda Rowilson.
He conta que auxiliou na parte burocrática para liberação do corpo e velório, e quando chegou em casa, de madrugada, recebeu a ligação da mãe dizendo que a Bia tinha morrido.
"Tive de voltar a dar a notícia para o meu tio, que estava velando a filha, que a mulher dele também tinha falecido".
Segundo Rowilson, Cibele era filha única, e agora o tio perdeu mulher e filha de uma só vez.
"Ele perdeu a família. Chegar em casa e não ter mais ninguém. É triste, difícil", completou.

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