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BackMP pede inclusão de médica condenada por tortura na lista da Interpol
MP pede inclusão de médica condenada por tortura na lista da Interpol
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MP pede inclusão de médica condenada por tortura na lista da Interpol

Quick Look

  • O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça que a médica Maria Teresa Cabrera Bellini, condenada por tortura em clínica de reabilitação em Ribeirão Preto, seja incluída na lista de procurados da Interpol após suspeita de ter deixado o Brasil.
  • Ela é a única das quatro condenadas no caso que não foi presa.
  • Os outros três réus já estão detidos em Portugal aguardando extradição.

AI-generated summary

Why It Matters

O caso teve início em 2014, quando a Polícia Civil e o Ministério Público resgataram dez pacientes da clínica de reabilitação em Ribeirão Preto após denúncias de tortura. O processo judicial levou 12 anos para ter trânsito em julgado, com condenação de 17 anos e seis meses em regime fechado para os quatro réus.

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A médica Maria Tereza Cabrera Bellini, condenada por tortura em clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

O Ministério Público enviou esta semana um ofício à Justiça para que a médica Maria Teresa Cabrera Bellini, condenada por tortura em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos de Ribeirão Preto (SP), seja incluída na lista de procurados da Interpol.

Segundo o promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, no pedido ao judiciário, ele requereu que a Polícia Federal apure se a psiquiatra deixou o território nacional e, em caso positivo, seja emitido um alerta às autoridades internacionais.

Até sexta-feira (28), a solicitação ainda não havia sido respondida, de acordo com o representante do MP.

Antes de ser alvo de um mandado de prisão e de ser considerada foragida, Maria Teresa atendia normalmente por meio de convênios médicos na região.

Responsável técnica e sócia da unidade, a médica foi acusada de intimidar internos, ordenando que eles não relatassem as agressões ocorridas na clínica, fechada em 2014. Ela é a única pessoa entre as quatro condenadas no caso que não foi presa pelas autoridades.

Além de Maria Teresa foram condenados Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior, presos em Portugal depois de entrarem na lista de procurados da Interpol, e Agelo Bellini Neto, monitor da clínica preso em Cravinhos (SP).

Todos foram alvos de mandados de prisão depois que o processo transitou em julgado, ou seja, teve todos os recursos esgotados no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com uma condenação de 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado.

Procurada pela reportagem, a defesa da médica informou que não tinha nada a declarar. Ao longo das investigações, ela e os demais réus negaram a autoria dos abusos.

A psiquiatra alegou em seus depoimentos que sua conduta na clínica limitava-se à prescrição de medicamentos e avaliação de pacientes, e afirmou desconhecer qualquer ocorrência de violência física ou psicológica.

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Tortura no interior de SP

A violência praticada no Centro de Tratamento e Recuperação de Álcool e Drogas passou a ser investigada em agosto de 2014, quando a Polícia Civil e o Ministério Público resgataram dez pacientes após relatos de agressões levados à Promotoria.

Segundo as denúncias, os pacientes eram submetidos a espancamentos com pedaços de madeira e tacos de bilhar, eram amarrados ao chão e a macas com cordas e faixas hospitalares, além de serem expostos a castigos e humilhações públicas.

A investigação também constatou o uso forçado de um coquetel de sedativos apelidado pelas vítimas de "danoninho", e que os monitores a administravam sem critérios médicos para dopar e anular a resistência física dos internados.

No processo, ex-pacientes também relataram episódios de violência sexual. O advogado Luís Henrique de Souza Fallone, ex-paciente da clínica, comparou o local a uma "mistura de campo de concentração com prisão de Guantánamo."

Fallone relatou que, em sua primeira consulta em 2014, tentou discutir de forma amistosa os métodos terapêuticos sugeridos.

Em resposta, a médica teria afirmado que "quem usou droga, perdeu" e ordenado uma contenção física imediata aos monitores. O advogado disse que foi agredido com socos, pontapés e enforcamento enquanto Maria Teresa gargalhava na sala diante dele.

Da condenação aos pedidos de extradição

O processo judicial arrastou-se por 12 anos devido à complexidade do caso e à sequência de recursos apresentados pelas defesas nas instâncias superiores.

A denúncia do Ministério Público foi oferecida em junho de 2017. A fase de instrução contou com o depoimento de investigadores, delegados e dezenas de testemunhas, incluindo 24 ex-internos que expuseram a rotina de espancamentos e dopamento na unidade.

Após a sentença em primeira instância, em 2020, recursos das defesas tramitaram pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

A condenação com o trânsito em julgado da pena ocorreu em junho de 2026, permitindo que a juíza Carolina Moreira Gama, da 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, emitisse os mandados de prisão definitiva.

Com a vida estabelecida em Portugal no início do processo, quando ainda não eram foragidos, a advogada Marluci Cabrera Bellini Henares e o psicólogo Djalma Antônio Henares Júnior acabaram entrando para a lista da Interpol e foram presos em julho deste ano.

Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior, condenados por tortura em clínica de reabilitação de Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV

Atualmente, os dois permanecem presos sob custódia preventiva em Portugal, e a Justiça brasileira aguarda o trâmite dos pedidos de extradição.

A defesa dos réus pediu para que eles cumpram pena em território português, mas o Ministério Público de São Paulo sustenta que a soberania do julgamento e a competência penal dos crimes pertencem ao Brasil.

A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça de Portugal confirmou ao g1 que o processo de extradição está em análise pelos serviços competentes do governo português.

Clínica de reabilitação de Ribeirão Preto denunciada em 2014 por tortura contra pacientes. — Foto: AcervoEP

VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • A Justiça brasileira determinará a inclusão de Maria Teresa Cabrera Bellini na lista de procurados da Interpol.

    Likely · Within days

  • Portugal manterá os três réus detidos até a conclusão do processo de extradição.

    Very likely · Within months

Open Questions

  • Maria Teresa Cabrera Bellini realmente deixou o território nacional?
  • Quando a Justiça brasileira receberá resposta do pedido de inclusão na Interpol?
  • Qual é o prazo para o término da análise do pedido de extradição por parte de Portugal?

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This article was originally published by G1.

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