
MPF e Instituto Preservar alegam que emissões da cadeia dos combustíveis fósseis da Shell contribuíram para o aquecimento global e intensificaram as chuvas que causaram enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, usando três tipos de atribuição climática para estabelecer nexo causal, sem atribuir responsabilidade exclusiva à empresa.
AI-generated summary
A ação civil pública climática foi movida pelo MPF e pelo Instituto Preservar, ligando as emissões da cadeia dos combustíveis fósseis da Shell ao aquecimento global e à intensificação das chuvas que causaram enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul em 2024.
Na Ação Civil Pública climática, MPF e o instituto sustentam que há ligação entre as emissões da cadeia dos combustíveis fósseis, o aquecimento global e a intensificação das chuvas responsáveis pela devastação do estado naquele período.
A ação não atribui à Shell responsabilidade exclusiva pela tragédia, argumenta o MPF. A alegação seria de que a empresa deve responder por suposta contribuição histórica e continuada para as emissões de gases de efeito estufa e ao papel dessas emissões na intensificação dos eventos extremos.
O g1 entrou em contato com a comunicação da Shell Brasil solicitando um posicionamento sobre a ação, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Segundo os autores da ação, três análises complementares sustentam o nexo causal, a ligação entre uma atividade e o dano. A atribuição do aquecimento identifica o papel das emissões humanas na elevação da temperatura global, argumentam. A atribuição de fontes estima a contribuição histórica de grandes produtores de combustíveis fósseis. Já a atribuição de eventos extremos avalia em que medida o aquecimento agravou um episódio específico, como as chuvas no Rio Grande do Sul.
“A ação combina inovação jurídica e rigor técnico, apoiando-se em estudos científicos que permitem demonstrar o nexo causal entre as emissões de gases de efeito estufa, as mudanças climáticas e o aumento da probabilidade e da intensidade de eventos extremos, como as chuvas que provocaram as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024”, afirma Thales Miola, advogado do Instituto Preservar.
O Instituto Preservar é uma associação sem fins lucrativos fundada em 2003 e sediada no Rio Grande do Sul. Há mais de duas décadas, atua na defesa do meio ambiente, dos direitos humanos e da justiça socioambiental, com uma trajetória vinculada às comunidades camponesas, aos povos e comunidades tradicionais e às trabalhadoras e aos trabalhadores rurais. Desenvolve pesquisas, atividades de formação e ações judiciais voltadas à proteção ambiental, à promoção da agroecologia e ao enfrentamento dos impactos dos agrotóxicos e das mudanças climáticas, articulando conhecimento científico e experiência das comunidades.
AI outlook — possibilities, not facts
A Justiça Federal vai determinar a realização de audiências de instrução e julgamento para analisar as provas de atribuição climática apresentadas.
Likely · Within months
Se a ação for julgada procedente, pode inspirar movimentos similares em outros estados brasileiros afetados por eventos climáticos extremos.
Possible · Within months

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